Dois pra cá, dois pra lá. Frente, traz, gira. Movimenta. Os passos da dança de salão sincronizados no JeF’S Studio em Santa Cruz do Sul trazem muito mais do que agilidade e bem-estar às damas e aos cavalheiros. Eles acalentam a alma, formam novas amizades e, de quebra, geram a superação de desafios jamais antes imaginados. No compasso de cada ritmo, pares se unem com o propósito de alcançar o melhor desempenho possível, sem esquecer, é claro, de que dança boa é dança divertida. Por trás dessa busca de movimentos que formam os chamados “pés de valsa”, homens e mulheres encontram na sala de ensaios outra motivação: o amor. E é aí que a história fica melhor ainda.
Juntos há quase dois anos, os santa-cruzenses Michelle Kochenborger, de 25 anos, e Douglas Carpes, 26, se conheceram no embalo das aulas quando ainda integravam a turma de iniciantes na dança de salão. Enquanto o operador de perfiladeira procurou o Studio para aprimorar os movimentos na prática do Muay Thai, a bacharel em Direito buscou novos conhecimentos em uma atividade que considerava “elegante”. “Quando você está em uma turma de dança, todo mundo acaba virando amigo. Porém, comigo e com o Douglas foi diferente, pois, aos poucos, começamos a sair só nós dois”, lembra Michelle.
O que de início parecia uma forte amizade se transformou na química da atração. E a relação foi tão intensa que, logo na primeira “ficada”, em pleno 12 de junho, os pombinhos resolveram assumir de vez o namoro. “Nos nossos primeiros encontros, lembro que dançávamos até na rua. Era muito bom. Os passos nos uniram muito enquanto casal”, comenta nostálgica.
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INTERAÇÃO
Segundo a professora e proprietária do JeF’S, Francelle Costa, o público que procura a dança de salão atualmente é dividido em três grupos. “O primeiro é formado por pessoas separadas ou viúvas (os) que buscam aqui um meio para se inserir. Depois vêm os jovens que gostam de ir em bailes ou festas, porém não sabem dançar. Por fim, recebemos casais que querem aprender valsa ou alguma coreografia específica para eventos como casamento”, explica.
Outra opção oferecida e que hoje reúne boa parte do público são os cursos do estilo musical sertanejo. Nesse caso, a maior procura é por homens que estão “cansados” de não interagir nas baladas. “Alguns alunos brincam que tem que ser bonito ou dançar bem para chegar nas meninas”, conta. Ela ressalta que o aprendizado também é um forte aliado na sociabilização em eventos desse tipo.
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Como foi o caso do estudante de engenharia elétrica Alex Rüdiger, 21 anos. Ele, que até pouco tempo atrás não sabia sequer executar o clássico passo “dois pra cá, dois pra lá”, gostou tanto da ideia que, após aprender o sertanejo, não resistiu à dança de salão. Posterior à experiência da turma inicial, passou para o nível intermediário, quando, finalmente, conheceu a menina dos seus olhos, Lívia Luz.
Colegas de turma começaram a visualizar mais do que o companheirismo na dança, em eventos como o Bailinho – festa organizada pelo JeF’S um domingo por mês no Clube União –, e o namoro não tardou a acontecer. “Não imaginava que teria essa evolução nos passos. Foi um desafio que superei junto com ela”, comenta Alex. E o vínculo da parceira Lívia é tão forte com o Studio que de aluna, ela passou a professora. “A dança faz parte das minhas paixões. Quando estou aqui, posso compartilhar aquilo que aprendi e ainda satisfazer o meu interior.”
O início de tudo e o alimento da relação. Mais do que uma atividade em que podem aprender um novo ritmo, a dança de salão, hoje, simboliza um novo estilo de vida. Aquele em que o deixar-se levar pela música possibilita inúmeros caminhos. No caso deles, um desses caminhos abriu-se para o encontro de um novo amor. E para você, qual seria?
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METODOLOGIA
Composta pelos ritmos bolero, forró, samba de gafieira, soltinho, zouk e salsa, a dança de salão auxilia a desenvolver a cognição e a coordenação motora, além de funcionar como um eficiente exercício físico. De acordo com a professora Francelle Castro, são trabalhados por aula, no máximo, três ritmos. “Aplicamos a metodologia de troca de pares, em que todos dançam com todos. Assim, além de se desafiarem, eles perdem a timidez.”
A atividade ainda é uma ocasião em que os alunos esquecem dos problemas do dia a dia e focam somente na dança como um momento prazeroso. “É até engraçado, pois percebemos que os alunos chegam sérios e saem sorrindo”, observa Francelle.
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