Uma das críticas feitas ao novo filme de Steven Spielberg, Dia D, mira o seu suposto caráter analógico e antiquado. Em pleno 2026, com todo o predomínio das mídias digitais interconectadas, alienígenas decidem falar com a humanidade através de uma emissora de TV aberta. Como assim?
Mas não chega a ser tão absurdo. Levando-se em conta o excesso de vídeos falsos ou sem confirmação, simulações à base de IA e todo tipo de fraude que se vê nas redes (e isso todos os dias), é compreensível que ETs em busca de credibilidade prefiram se manter longe desse ambiente. Onde eles poderiam fazer contato? Na CazéTV? Enfim, gostando ou não da mídia tradicional, dá para entender por que Dia D segue esse caminho narrativo. Ainda é um chão mais seguro para aterrissar.
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Sempre otimista, Spielberg volta a retratar alienígenas não como predadores, mas o contrário: eles são bons, evoluídos (seja lá o que isso signifique) e só querem ajudar. Inclusive uma espécie que nem merece ajuda, como a nossa. Quanta diferença em relação a, por exemplo, os invasores da série O Problema dos 3 Corpos, que viam seres humanos como “insetos” a serem eliminados.
Dia D está longe de ser uma obra-prima do cinema (e põe longe nisso), mas tem lá seus momentos (e quem não tem). Ele me fez lembrar de um filme melhor chamado Contato, de 1997. Aquele em que a cientista Jodie Foster recebe uma mensagem de rádio emitida em outro sistema solar.
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Autor do livro que inspirou Contato, o astrônomo Carl Sagan – ele mesmo um curioso sobre as possibilidades de vida alienígena –, entende que tal notícia tem um efeito inevitável: frente ao “estranho absoluto”, a humanidade tende a superar divisões internas e se unir em uma nova consciência global.
O esperado contato, afinal, não poderia ser feito somente por essa ou aquela sociedade, grupo étnico ou aliança militar. “Era difícil imaginar os extraterrestres levando a sério um pedido de favorecimento por parte de representantes de uma ou outra facção ideológica.” Faz sentido.
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Mas acredito que, de todos os ETs do cinema, quem teve a noção mais fria do que fazer foi Klaatu, o visitante de O Dia em que a Terra Parou, clássico dos anos 50. Junto com seu “segurança”, o robô Gort, ele chega e exige uma reunião com os líderes mundiais. O recado é: parem com essas guerras intermináveis, vocês já causam aborrecimento até em outros planetas. Viemos em paz e queremos que fiquem em paz, senão… bem, vamos exterminar todos vocês.
É o alerta amigável de quem já avalia a humanidade como uma grande organização terrorista e pretende tomar providências. Klaatu barada nikto, como diriam os nerds.
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