Jasper

Direto do túnel do tempo

No último sábado dei uma esticada até o Litoral naquele sistema de bate-volta. Ou seja: fui de manhã e retornei à tardinha. Depois de tanta chuva, frio e umidade, o dia amanheceu com sol, temperatura amena, um verdadeiro convite para andar ao ar livre, curtir a natureza.  Saí de Porto Alegre por volta das 7 horas. Nos primeiros quilômetros da Freeway a neblina prejudicava a visibilidade, mas o movimento era fraco. Com o surgimento do sol, a cerração rapidamente se dissipou.

Logo na entrada da rodovia, chamou a minha atenção o comboio de veículos junto ao acostamento. Ao chegar mais perto, notei que era um comboio de carros antigos, Fuscas na maioria, concentrados junto ao único posto de abastecimento de combustíveis no sentido Capital-Litoral.

A estrada que leva às praias provoca em mim um instantâneo sentimento de nostalgia. Por muitos anos, este calejado cronista desafiou os perigos rodoviários ao deslocar sem gastar dinheiro com passagens de ônibus. Eram tempos de “viajar no dedão”, ou seja, de pedir carona para qualquer lugar do universo. Sem medo, sem restrições e com poucos riscos.

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Muitas vezes a viagem era compartilhada com até dois amigos. Por incrível que pareça, era possível conseguir carona com três pessoas juntas. “Eram outros tempos”, dirá o prezado leitor, coberto de razão, aliás. 

Diante de tantos perigos e da espiral de violência que assola o Brasil, é difícil imaginar-se cena semelhante nas rodovias em tempos de golpes que proliferam via WhatsApp. Sem falar de assaltos, assédios e ameaças de todo gênero.

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Tenho um amigo, Júlio Schnorr, de apelido Linho, parceiro desde a infância, que viajou por todo o país, sempre de carona. As aventuras de vários anos na estrada renderam histórias hilárias, de amizades forjadas nesses encontros que os acasos da vida proporcionam. Ele conta que andou de carro, caminhão, bicicleta, de motorhome e até de moto para alcançar o Nordeste e a Amazônia, além de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, entre outras.

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Voltando ao passeio de sábado, depois de resolver alguns probleminhas domésticos fui até a beira a praia, hábito que cultivo a vida inteira. Gosto de caminhar sem aquele movimento intenso do veraneio. A calmaria, no entanto, foi rompida pelo encontro… justamente dos carros antigos que encontrei no início da Freeway.

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O cenário me fez voltar à infância e adolescência. Perfilados estavam exemplares de Fusca, TL, Kombi, Gordini, Simca, SP1/SP2, Karmann Ghia, caminhonetes F100, caminhões antigos, além de motos que povoam o sonho de todo aventureiro.

Conversei com alguns aficionados. Muitos são apenas amantes de “carro velho”, outros são colecionadores que integram grupos organizados, que realizam passeios, exposições e encontros para troca de experiências, histórias e peças por vezes difíceis de encontrar.

Foi um sábado perfeito. Do clima até o encontro com reminiscências do passado que me fizeram sorrir sozinho na beira do mar.

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