A tarde dessa quinta-feira, 16, na Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc) foi marcada pela celebração, prestação de contas e reafirmação do projeto criado a partir da união entre educação, família e comunidade. A instituição de ensino apresentou o relatório de atividades 2025/2026, reunindo os principais resultados do último período.
A Efasc atende 145 estudantes – 57% meninos, 43% meninas – em formação integral no curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio, abrangendo jovens de 11 municípios do Vale do Rio Pardo. São seis turmas, divididas entre os três anos formativos (1º, 2º e 3º).
Os dados no relatório evidenciaram a permanência dos jovens como um dos indicadores positivos do trabalho realizado. No ano passado, 55 estudantes concluíram a formação e o índice de permanência no curso chegou a 98%.
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Baseada na Pedagogia da Alternância, a formação combina momentos na escola e nas propriedades das famílias. Ao longo do ano, cada aluno participa de 1,4 mil horas de formação, distribuídas em sessões escolares e familiares/comunitárias. E com a ampliação do acesso aos recursos do Fundeb em 2025, foi possível fazer a integralização da carga horária do grupo docente, e de modo a fortalecer o processo pedagógico e a aplicação dos instrumentos da metodologia.
Entre as ações desenvolvidas estão as áreas experimentais implantadas pelos estudantes nas propriedades familiares, as visitas de estudo e o acompanhamento das famílias. No ano passado, 23 visitas foram realizadas e 143 famílias receberam a equipe escolar em 11 municípios do Vale, resultando em mais de 8 mil quilômetros percorridos.
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Segundo o coordenador institucional da Efasc, João Paulo Reis Costa, o lançamento do relatório representa uma evolução para todos os envolvidos no desenvolvimento da escola. Na sua avaliação, os dados ressaltam a abrangência alcançada pela instituição, que está presente em 87 comunidades do campo na região.
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A instituição é mantida pela Associação Gaúcha Pró-Escolas Famílias Agrícolas (Agefa), que reúne mais de 230 famílias associadas e conta com o apoio de 30 parceiros públicos e privados para desenvolver suas atividades. O presidente da Agefa, Márcio Luiz Manske, ressaltou o significado da formação oferecida pela escola para as famílias agricultoras.
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Além da formação técnica, o relatório apresentou as iniciativas da Efasc que aproximam o conhecimento produzido na escola à realidade das propriedades rurais. Entre elas estão as Unidades Pedagógicas de Produção Agroecológica (UPPAs), que ocupam uma área de 10 hectares da instituição, proporcionando aos alunos a prática de produção vegetal e animal.
Outro destaque é a Feira Pedagógica, que completou 13 anos. A iniciativa, baseada na venda solidária e nos circuitos curtos de venda, realizou 27 edições no último ano, com mais de 3,3 toneladas de alimentos oferecidos e movimentação superior a R$ 21 mil.
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A Efasc também apresentou os resultados do Projeto Recuperação de Biomas II, desenvolvido em parceria com a Fetag, Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Agefa e CPFL Transmissão. A iniciativa atende 44 jovens e suas famílias em dez municípios, promovendo ações ambientais como recuperação de nascentes, coleta de água da chuva, meliponicultura, apicultura e sistemas agroflorestais.
Também ganhou destaque a iniciativa Mulheres e Cidadania, que envolveu 120 mulheres agricultoras e 146 estudantes. O objetivo foi valorizar o papel feminino no campo, promovendo encontros, oficinas e atividades voltadas à autonomia, cidadania e fortalecimento da agricultura familiar.
Ao apresentar os resultados do último ciclo, João Paulo Reis Costa destacou que a escola se aproxima de uma marca histórica: a formação de 500 técnicos desde sua criação, em 2009. Para ele, a trajória demonstra a força de uma proposta construída coletivamente.
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Segundo o coordenador, o principal desafio para os próximos anos é fortalecer a permanência da juventude no campo. “Os jovens estão cada vez menos vinculados ao campo. O nosso desafio é ter uma juventude que pense o campo junto com a família, de maneira sustentável”, explicou.
Márcio Manske, presidente da Agefa, reforçou que a sucessão rural precisa acontecer a partir da escolha dos jovens. “Não queremos deixar um filho fazer a sucessão por obrigação. Eu quero que o meu filho fique por escolha própria, porque aí teremos um agricultor com amor à terra, valorizando sua propriedade e sua família”, afirmou.
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