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Eleições no Colorado: Medeiros quer o melhor Inter

É no sábado que mais de 60 mil colorados vão às urnas para eleger o novo presidente e renovar 50% das cadeiras do Conselho Deliberativo do Internacional, nesta que é aguardada como a maior eleição de um clube no mundo. Os sócios poderão votar pela internet e nas cabines instaladas no Gigantinho, das 9 às 17 horas. Para dar prosseguimento ao projeto do atual comando, o vice-presidente de Futebol Marcelo Medeiros é o candidato à sucessão do presidente Giovanni Luigi.
 
Medeiros é descendente de linhagem tradicional de dirigentes do Inter – o pai, Gilberto, o tio, Marcelo Feijó, e o avô, Afonso Paulo Feijó, foram presidentes do clube. Assim, ele chega a esta eleição com a proposta de erguer o maior de todos os times do Colorado, a fim de reconquistar os principais títulos do Brasil e da América. Tarefa esta que passa, segundo projeta, pela manutenção do técnico Abel Braga, aquele que mais vezes dirigiu as equipes alvirrubras na época do Beira-Rio, e por entrosamento cada vez maior das categorias de base com o grupo profissional, aliando alguns reforços de primeira linha que devem ser buscados no mercado.

Na corrida eleitoral, ele tem como adversário o ex-presidente Vitorio Piffero. Em entrevista para a Gazeta do Sul, Marcelo Medeiros expôs as suas ideias para presidir o Inter no biênio 2015/16. Confira.

Gazeta do Sul – Quais são as principais diretrizes da sua proposta para convencer os sócios a votarem na sua chapa neste dia 13 de dezembro?

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Marcelo Medeiros – Dos dois candidatos, sou o único que tem uma novidade, uma contribuição a dar. Sinceramente, não vejo muita coerência você ter passado nove anos no clube exercendo as duas principais funções, de vice de Futebol e presidente, e dar agora coisas que não deu naquela época. Com todo o respeito, os ciclos se encerram. Esse é um novo ciclo. Você precisa formar novas lideranças, ideias. Dentro dessa composição, sustentada em ideias e não em nomes, o Internacional teve, nestes últimos quatro anos, um desafio muito grande, que foi a reforma do estádio, preservando, modernizando e ampliando o patrimônio. Os clubes que tiveram esse desafio também passaram por dificuldades. Apesar de todas as dificuldades, ganhamos quatro regionais, uma Recopa, passamos dois anos sem perder Gre-Nal e dentro da dificuldade de jogar ou em um estádio em obras, com lona preta, com meio estádio, só em um anel ou sem estádio. Tivemos a fidelidade do sócio. Hoje projetamos um cenário completamente diferente. É um novo capítulo na nossa história campeã.

Gazeta – Sempre apontado como favorito nos certames nacionais, o time do Internacional tem sido marcado pela instabilidade nos últimos anos e as suas campanhas terminam frustradas. A que o senhor atribui essa instabilidade e o que pretende fazer no futebol profissional do clube para que ele volte a ser um ganhador de títulos nacionais e internacionais nos próximos dois anos?
 
Medeiros – Sou vice de Futebol há dois anos. Posso falar desse período. Bem, costumo dizer que o ano de 2013 foi o mais difícil da história do Inter, por tudo que passamos longe do Beira-Rio. Jogamos 70 partidas longe de casa e isso foi massacrante. Este ano, nós fizemos um processo de qualificação extremamente importante. Repatriamos o Alex (na verdade em 2013), o Nilmar, renovamos com o D’Alessandro e trouxemos talvez um dos melhores jogadores do futebol brasileiro, o Aránguiz. Ele teve sucesso na Copa. O Willians chegou ano passado conosco. O Inter também teve uma de suas principais conquistas no futebol de base, que foi o título da Copa do Brasil Sub-20. Historicamente, quando você pega os grandes times e momentos do Inter, você pode retroceder aos anos 70. O time de 1975 não foi montado em janeiro daquele ano, e sim em 1971, 72. O time que venceu a Libertadores e foi campeão do Mundo em 2006 não foi montado em janeiro de 2006. Na minha opinião, ele começou a ser montado nas derrotas para o Boca Juniors pela Copa Sul-Americana, em 2004. O Inter está pronto. A promessa que eu faço ao torcedor colorado é que vamos em busca das taças que eles querem, da Libertadores e do Campeonato Brasileiro.

Gazeta – Já existem encaminhamentos com técnico e reforços para o elenco com os quais o senhor gostaria de trabalhar?
 
Medeiros – Meu técnico é o Abel (Braga, atual treinador do Inter). O Abel é o treinador que mais comandou o Inter na Era Beira-Rio. Tem mais de 300 jogos à frente do nosso time. Ninguém chega a esse número e com a condição de ser campeão brasileiro, Libertadores e do mundo por acaso. Ele tem nosso respeito e admiração. Abel tem toda a condição de comandar o time, pela seu conhecimento, liderança, história e afinidade com o clube. Ele tem um conhecimento privilegiado do grupo. Por isso, é a melhor opção do Inter em 2015.

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Gazeta – O Internacional possui suporte financeiro suficiente para implementar os seus planos para o futebol no curto e médio prazos ou o senhor e sua equipe terão de reforçar o orçamento com o incremento de novas fontes de receita?
 
Medeiros – O Inter terá em 2015 um incremento muito grande na receita. A receita do quadro social será, pela primeira vez, maior que a cota da TV. A atual gestão, mesmo com todas as dificuldades de ficar meses sem o Beira-Rio, conseguiu manter o número de sócios acima dos 100 mil. Agora, com a Libertadores, o número de sócios aumentará ainda mais. Isso é fundamental para manter nossos jogadores sem precisar vender craques.

Gazeta – Clubes, entidades representativas de jogadores, federações e autoridades governamentais debatem uma eventual repaginação do futebol brasileiro em aspectos como calendário de competições, cedências de jogadores para as seleções nacionais compatibilizadas com os interesses dos clubes, financiamento das atividades esportivas, transparência nas gestões, equilíbrio entre receitas e gastos das agremiações, mudanças nas relações trabalhistas. O senhor vislumbra mudanças significativas e positivas no cenário nacional e, se sim, em que prazo? Qual o papel que o Internacional deve exercer nesses debates?
 
Medeiros – A questão do calendário é fundamental e precisa ser aprimorada. A realidade dos clubes da Séries B, C e D tem que ser destacada desse cenário porque muito se fala dos jogadores de grandes clubes, do Bom Senso. E os jogadores que terminam o campeonato regional e ficam seis meses desempregados?
Acho que a data Fifa, por exemplo… O Internacional investiu em um jogador de seleção nacional como o Aránguiz e, quando tem a data Fifa, ele tem que jogar pela seleção do Chile. O problema não é a convocação, mas o campeonato em andamento no nosso território não para. E ele (o Inter) tem que pagar? Por quê? O produto é desvalorizado. É uma série de ajustes que podem ser discutidos. O outro é a verba televisiva. Se tu pegares a verba televisiva de outros esportes como NHL, NFL, Campeonato Inglês, a diferença entre os clubes é pequena. Há uma diferença, um critério por pontuação, por liderança, mas é pequeno. Mas a diferença aqui do Sul para Corinthians e Flamengo é muito grande, e a verba televisiva não pode ser um prêmio pela audiência. Ela tem que ser uma forma de equilíbrio técnico da competição.

Gazeta – O clube adquiriu uma grande área em Guaíba para a construção do seu novo centro de treinamentos. A sua ideia de aproveitamento daquele local contempla todas as categorias de atletas do Internacional ou parte delas? Como pretende estabelecer o relacionamento entre as categorias de base e o futebol profissional a fim de que os talentos que despontam dentro do clube vislumbrem um aproveitamento crescente deles no elenco profissional?

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Medeiros – Sim, todas as categorias serão contempladas. A integração já acontece e os talentos vêm surgindo. Bertotto, Sasha, Valdívia, Alisson são frutos desse trabalho. O Inter também teve uma de suas principais conquistas no futebol de base, que foi o título da Copa do Brasil Sub-20. Futebol se faz suportando as críticas, as opiniões contrárias, e colhendo o que se planta. Com esse time vencedor do sub-20 e com esse grupo experiente, você fazendo um investimento de duas ou três contratações pontuais, de alto nível, o Inter terá um grupo bastante qualificado. Queremos montar o melhor time que o Inter já fez para disputar uma Libertadores.

Gazeta – O senhor concorda ou não com os críticos que apontam para um afastamento do Internacional do conceito de Clube do Povo em direção a uma elitização da entidade? Como o senhor qualifica o atual relacionamento do clube com o seu público – sócios, não sócios, torcidas organizadas, conselheiros – e como pretende conduzir essa ligação em sua gestão?
 
Medeiros – Você pode incentivar questões de marketing, envolvendo participação do sócio e do torcedor. É preciso equacionar a questão do check out, o torcedor que avisa que não comparecerá a determinado jogo e você oferece a oportunidade com uma vantagem econômica. Não gosto de estádio vazio. Nessas arenas e nos estádios novos que não pertencem aos clubes, que são explorados por consórcios, você vê o local no qual bate a televisão sem público. Não é inteligente. É preciso aprimorar. Há uma ideia de milhagem, onde a presença em um jogo de menor interesse pode te dar desconto em uma final, por exemplo. Mas tivemos uma das melhores médias de público no ano entre os estádios brasileiros. A própria Andrade Gutierrez entendeu melhor como deve administrar as áreas que têm no estádio e passou a fazer promoções. Hoje trabalhamos com três tabelas de preços, que variam conforme adversário, competição, horário do jogo. Iremos proteger e beneficiar o sócio.

Gazeta – E a parceria na administração do Beira-Rio, como está, em sua opinião? Se ela precisa de ajustes, quais são? Planeja modernizar também o Gigantinho ou tem outros planos para aquela área?
 
Medeiros – Acho que esse modelo foi amplamente exitoso porque o Inter é dono do estádio. São pequenos ajustes que faltam para que as coisas tenham uma continuidade com maior eficiência. Mas acredito muito na parceira e acho que algumas ações podem ser feitas para que a gente otimize melhor os espaços do estádio. A prioridade dos últimos anos foi finalizar o Beira-Rio. Enfrentamos um dos maiores desafios da história, que foi a reformulação do Beira-Rio. Se adotássemos o método de modificar o estádio com recursos próprios, estaríamos vendendo jogadores para pagar as empreiteiras. No caso da Andrade Gutierrez, temos uma grande parceria. Com eles, por exemplo, iremos erguer o nosso centro de treinamento em Guaíba, que será projetado e construído por ela. O entorno e o Gigantinho passarão pelo mesmo processo. Formaremos uma comissão que vai analisar todas as possibilidades para fazer o melhor projeto. Esse será um diferencial para o clube e que irá alavancar as finanças do clube para competir em receita com Flamengo e Corinthians.

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