Cultura e Lazer

Em Venâncio Aires, Rua Grande se transforma em palco de tradição e cultura no Carnaval

A comunidade de Venâncio Aires marcou presença na Rua Osvaldo Aranha, na noite do primeiro dia de desfiles das escolas de samba, no sábado, 14. A via, conhecida como Rua Grande, foi tomada pelo público que acompanhou as apresentações da Acadêmicos do Samba Négo, Fiel Tribo Guarani e Unidos da Vila Freese. A programação teve início às 20 horas, com a abertura realizada pelas cortes infantil e adulta, além da participação de blocos do interior.

Cada escola teve o tempo máximo de uma hora para realizar o desfile, incluindo entrada e saída da avenida. Todas conseguiram cumprir o cronograma, evitando penalizações previstas em regulamento. A ordem de apresentação começou com a Acadêmicos do Samba Négo, seguida pela Fiel Tribo Guarani e, encerrando a noite, a Unidos da Vila Freese, que concluiu o desfile por volta de 1 hora da madrugada.

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Para viabilizar a participação, cada escola recebeu R$ 40 mil da Prefeitura. Já a Liga do Samba de Venâncio Aires (Lisva) ficou responsável pela organização estrutural, incluindo sonorização, iluminação, gradis, banheiros químicos, ambulâncias, segurança e demais serviços. Após os desfiles, a programação do CarnaVaires teve continuidade com arrastão de blocos e DJs.

Programação

As escolas de samba voltam à Rua Grande na noite desta segunda-feira, 16, para o segundo e último desfile do Carnaval 2026. A ordem será a inversa, começando pela Unidos da Vila Freese, Fiel Tribo Guarani e Acadêmicos do Samba Négo encerrando.

Na noite desse domingo, 15, a folia continuou com o Bailinho da Osvaldo. A festa começou às 19 horas, com apresentações de Schê Rodrigues e Banda, Noredi Rodrigues e Banda e Grupo Mistura Aí.

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Passada a data tradicional, a folia vai se estender pelo interior, com festas em todos os sábados nas localidades de Linha Andreas (17/2), Linha Cecília (24/2), Linha Brasil (2/3) e Santa Emília (9/3). A organização é dos blocos Mestres do Ritmo, Imperadores da Folia, Ki Ponto e Imma Knill.

Négo comemora 9 décadas de história

A Acadêmicos do Samba Négo apresentou na avenida o enredo Um quilombo chamado Négo, em celebração aos 90 anos de fundação da agremiação. A proposta buscou retratar a escola como um espaço de acolhimento e resistência cultural em Venâncio Aires, reforçando a identidade histórica da comunidade e a importância da cultura afro para o Carnaval e o desenvolvimento do município.

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O enredo também trouxe a escola como um “mestre griô”, figura simbólica ligada à preservação da memória e à transmissão de saberes, conectando a ancestralidade negra às expressões contemporâneas.

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Para o desfile, a escola contou com cerca de 160 integrantes distribuídos em 11 alas e três alegorias. Entre os destaques esteve o retorno da Águia, principal símbolo da agremiação, posicionada no carro abre-alas em meio a um show de luzes.

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O nível de detalhe das alas chamou a atenção do público e encantou aqueles que possuem olhar mais atento para as fantasias e adereços.

“Trabalhamos muito para estar aqui, com muita humildade, mas era isso que queríamos mostrar na avenida”, avaliou a presidente Isabel Landim. Ela assumiu o comando da instituição em meados de 2025 e teve como principal objetivo a retomada, visto que a participação no evento do ano passado foi cancelada para reestruturação. “Começamos a trabalhar em junho para reconstruir a escola e deu nisso que todos viram aqui hoje”, comemorou.

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Fenachim 40 anos é o destaque da Fiel

A Fiel Tribo Guarani levou para a avenida uma homenagem aos 40 anos da Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim) durante o desfile deste ano. O samba-enredo, que havia sido apresentado previamente à comunidade, embasou a apresentação temática da escola, destacando a trajetória e a relevância cultural da festa ao longo das décadas e a importância da erva-mate para o desenvolvimento econômico e social de municípios e regiões.

No desfile, a escola contou com cerca de 120 integrantes, incluindo aproximadamente 40 ritmistas na bateria. Entre os destaques, o carro abre-alas trouxe o tradicional índio, símbolo da agremiação. Já a segunda alegoria trouxe a rainha e as princesas da 18ª edição da Fenachim, marcada para 30 de abril a 10 de maio de 2026, reforçando a proposta de valorização histórica e cultural do evento.

A participação, contudo, esteve em vias de ser suspensa ao longo do sábado em função de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido pelo presidente André Franceschi, o Dézinho. “Cogitamos seriamente não desfilar, mas decidimos manter para honrar o trabalho dele”, afirma o mestre de bateria Éder Queiroz, também tesoureiro da instituição.

Ele ponderou ainda sobre os desafios enfrentados pela agremiação. Entre eles, o baixo número de integrantes e o tempo curto. “Foi bem difícil, tivemos que fazer toda a organização em praticamente um mês, foi muito corrido, mas conseguimos concluir e desfilar”, comentou.

Rainha e princesas da 18ª edição da Fenachim participaram na segunda alegoria da Fiel | Foto: Inor Assmann

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Exu abre os caminhos para a Unidos

Com o enredo Exu! Abre os caminhos que a Unidos vai passar, a Unidos da Vila Freese levou para a avenida uma homenagem ao orixá mensageiro das religiões de matriz africana.

A proposta buscou valorizar elementos culturais e religiosos historicamente presentes na formação da sociedade brasileira, ao mesmo tempo em que provocou reflexões sobre respeito e diversidade, citando diversos orixás e a relevância deles.

Para o desfile, a escola contou com cerca de 160 componentes, três carros alegóricos e uma bateria formada por aproximadamente 30 ritmistas.

Ao avaliar o desempenho da agremiação, o presidente Guiomar da Rosa, o Guita, salientou as dificuldades enfrentadas por todas as escolas de samba para manter a comunidade unida, angariar fundos e planejar os desfiles em um ambiente competitivo. “A gente trabalha muito, fazemos um grande esforço para não deixar morrer o Carnaval em Venâncio Aires.”

Guita também criticou aqueles que não veem o Carnaval como cultura e são contrários aos repasses feitos pela Prefeitura para ajudar no custeio das alegorias e adereços criados pelas agremiações e apresentados na Rua Grande.

“Vejo muita gente dizendo que esses R$ 40 mil para cada escola poderiam ser destinados para outras áreas. Olha esse povo todo aqui hoje, consumindo, movimentando a economia, esse dinheiro certamente volta aos cofres públicos como arrecadação de impostos.”

Entidades das religiões de matriz africana foram as homenageadas da noite de sábado | Foto: Inor Assmann

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Iuri Fardin

Iuri Fardin é jornalista da editoria Geral da Gazeta do Sul e participa três vezes por semana do programa Deixa que eu chuto, da Rádio Gazeta FM 107,9. Pontualmente, também colabora nas publicações da Editora Gazeta.

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