Giuliani Schwantz

Emergência climática: e nós com isso

O Tribunal de Contas do Estado promoveu na semana passada, em Porto Alegre, o Congresso Internacional “A Rede de Controle e o Período Pós-COP30”. Não há como retratar, aqui, em poucos parágrafos, toda a riqueza dos dados, informações e olhares sobre a agenda climática no Brasil e no mundo que foram compartilhados por diversas autoridades e especialistas de renome internacional, mas algumas reflexões são pertinentes.

As mudanças no clima estão impactando a vida no planeta há décadas, nenhuma novidade quanto a isso, mas o assunto sempre foi encarado (pelo poder público, pela iniciativa privada, pelos cidadãos, por todos nós!), no mais das vezes, por ser um problema “distante”, como um “e eu com isso?”. No entanto, eventos extremos tornaram-se cada vez mais próximos e frequentes até que há dois anos o nosso Estado foi severamente atingido e colapsou – se há um lado bom nisso tudo, é o de que passamos (inclusive os órgãos de controle) a dar a devida atenção ao assunto, tanto que o número de negacionistas vem diminuindo!

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Desde então, obras mais resilientes foram feitas, muitas seguem em curso e outras tantas ainda virão. Os poderes públicos estadual e municipais investiram em monitoramento, equipamentos, formação de seus servidores e reviram aspectos de governança – de acordo com a Defesa Civil Estadual, por exemplo, antes das enchentes de 2024 apenas 60 municípios gaúchos possuíam plano de contingência; atualmente, além de um sistema de proteção e defesa civil estruturado no RS (Lei Estadual nº 16.263/2024), todos os municípios possuem o documento que estabelece ações, procedimentos e responsabilidades em caso de desastres.

É tempo de reconstrução e de aperfeiçoamento da capacidade de resposta, sim, mas o desafio maior está por vir, pois com a escalada do aquecimento global a humanidade caminha a passos largos para tornar irreparáveis os danos causados a vários biomas no planeta (pontos de “não retorno”) – dos cerca de 25 identificados no mundo, há, no Brasil, risco concreto de aridificação no Cerrado, de desertificação da Caatinga, de secas extremas e mais incêndios no Pantanal, e de savanização da Amazônia; e, no RS, de degradação do solo pelo desmatamento de Mata Atlântica e pela exploração inadequada do Pampa.

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Como consequência imediata, doenças se agravarão e novas epidemias podem surgir (com a perda de habitats naturais, as centenas de milhares de vírus que os habitam tendem a se alastrar!), a produção de alimentos ficará comprometida, e, o que poucos sabem, as ondas de calor (um fenômeno cada vez mais intenso e mortal no Brasil) tornarão inabitáveis certas regiões (pelo menos em determinados períodos do ano).

Frear as emissões de gás carbônico depende de uma mudança de hábito de todos nós, no público e no privado, na cidade e no campo. Muitos já estão fazendo a sua parte, mas esse processo precisa ser acelerado por meio de políticas públicas que interajam com os cidadãos, que incentivem soluções e práticas mais sustentáveis no dia a dia tanto para quem produz quanto para quem consome, fomentando a economia verde, a economia circular, a mobilidade com menos poluição e congestionamentos, as soluções baseadas na natureza, as compras de produtos que causem menos impacto (no processo de fabricação, uso e descarte), a coleta seletiva de resíduos, o reflorestamento, o uso de biodefensivos agrícolas etc., restringindo, ao mesmo tempo, o desmatamento, a poluição e a ocupação e os empreendimentos imobiliários em áreas de risco ou de proteção ambiental.

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Lavignea Witt

Me chamo Lavignea Witt, tenho 25 anos e sou natural de Santiago, mas moro atualmente em Santa Cruz do Sul. Sou jornalista formada pela Universidade Franciscana (UFN), pós-graduada em Jornalismo Digital e repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações.

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