Que o hambúrguer é um alimento que conquista cada vez mais brasileiros, não há mais dúvidas. A cada dia, novos sabores dos tipos tradicional e artesanal atraem o paladar daqueles que não dispensam um lanche saboroso e prático. De olho nesse mercado, sobretudo, focado em ofertar uma opção que vá ao encontro dos seus princípios de vida, o casal santa-cruzense Kellyn Elisa Marquardt Finger, 23, e Jackson Gehrardt, 29, lançou em Porto Alegre o VeBurger, delivery de hambúrgueres estritamente veganos.
Nesse ritmo, os cozinheiros adicionam ingredientes orgânicos e livres de agrotóxicos, adquiridos diretamente naquelas saudáveis feirinhas de rua. Não bastasse isso, buscam ser responsáveis por todo o lixo produzido. É por isso que procuram utilizar o mínimo de produtos industrializados, como forma de despertar a consciência através da alimentação saudável, não só com o organismo, mas com o próprio ambiente em que vivem. “A criação da empresa – planejada desde o início do ano – foi um reflexo do que estávamos passando. Decidimos largar a carne e, com a intenção de oferecer mais uma opção de alimentação vegana, apostamos no VeBurger”, explica Kellyn.
A necessidade de conviver em harmonia com o ambiente, porém, não para por aí. Os clientes que pedirem tele-entrega pelo VeBurger, receberão o lanche de um biciboy. Já disseminado em capitais como São Paulo, o serviço que troca a motocicleta e o carro por um veículo que não emite CO2 parece mesmo um caminho sem volta. Além de não poluir, o uso da bicicleta se apresenta de forma mais ágil.
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“Ainda tem aqueles que pensam: ‘poxa, mas será que o lanche não vai chegar frio?’, mas depois eles percebem que a entrega pode chegar até mais rápido, já que a bike pode optar por caminhos alternativos que não sejam as caóticas vias de Porto Alegre”, comenta Gerhardt que conta com o apoio de três ciclistas somente para a tele-entrega.
Na tentativa de estipular um itinerário para as entregas, o casal, juntamente com os colaboradores, estudou o mapa a fim de demarcar um espaço de atuação que hoje abrange os bairros Centro/Centro Histórico, Bom Fim, Cidade Baixa, Menino Deus, Bela Vista, Mont’Serrat, Moinho de Ventos, entre outros da região central. “Procuramos buscar áreas mais planas e sem muitas lombadas”. E os biciboys, já imersos nesse clima de colaboração, utilizam de uma sistemática justa. Independente de quantas entregas cada um faz durante o fim de semana, todo o valor é dividido em partes iguais. Outra ação pra lá de amiga é abono de 50% nas entregas do mês (outubro) de inauguração do VeBurger. “Esse desconto são eles mesmos que estão bancando. Aliás, toda essa parceria é muito legal, pois tem tudo a ver com a identidade da nossa empresa”, completa Gerhardt.
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Parceria que deu certo
Antes de investir em um negócio ecológico com a mínima utilização de resíduos possíveis, os santa-cruzenses receberam apoio de um amigo que já trabalhava no meio. Sócio do Café Bonobo – restaurante onde hoje funciona também a sede do Veburger -, Alan Chaves incentivou o casal a tirar do papel a iniciativa que palpitava cada vez mais forte no peito e na rotina de cada um.
“A ideia inicial era alugar um ponto, mas como ele ficaria ocioso durante o dia, acabou se criando essa parceria com o Bonobo. Temos a ‘nossa’ cozinha lá e tudo está andando a pleno vapor”, complementa o empresário que comemora o fato de o local seguir a mesma premissa do Veburger: consumir menos para ganhar mais… mais saúde, mais bem estar e mais harmonia com o ambiente em que vivem.
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Agora, além de dar sequência ao tele-bike, o VeBurger também quer apostar em noites especiais, com apresentação acústica de músicos e, claro, contribuição colaborativa. Interessados em acompanhar as novidades gastronômicas da dupla podem seguir a fanpage no Facebook, VeBurger ou entrar em contato pelo telefone (51) 9755-9944. O endereço é Rua Castro Alves, número 101, Bairro Bom Fim. O negócio funciona de sexta a domingo, das 18h30 às 22 horas.
Aprendizado e descoberta de sabores
Ao passo que a ideia ganhava forma, Gerhardt e Kellyn apostaram todas as suas fichas no estudo da gastronomia vegana. Para isso, além de muita leitura, investiram em cursos de alimentação crudívora – alimentos consumidos são de origem agrícola e crus – fermentação (sim, o pão fresquinho também é feito por lá), preparo de molhos e acompanhamentos e até curso de como fazer os hanbúrgeres veganos com o Mantra Gastronomia Indiana. Assim, a criatividade rola solta na hora de elaborar o ‘bife’, feito com ingredientes como aipim, arroz vermelho, lentilha com espinafre, grão de bico com funghi, feijão vermelho, cenoura, ervilha entre outros. “A gente não usa soja nas receitas, pois é muito difícil de achar orgânica, e mesmo se achar, não é muito bacana apoiar o consumo dela no mundo dos veganos que já é tão alto e tão prejudicial ao planeta”, afirma Kellyn.
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Já a criação de sabores é um desafio a cada dia. Funghi com Mangeronas, Molho Pesto de Alho Poró e Nozes, Tofu Salteado com Castanhas do Pará, são apenas algumas das opções. Aliás, os próprios consumidores são instigados a provarem novas combinações. Isso porque, como a ideia do orgânico é comprar os produtos da época, os consumidores não se podem apegar ao cardápio. “Isso nos incentiva a criar sabores exóticos e inovadores para o ‘burger’, ao mesmo tempo em que faz com que o cliente experimente outras possibilidades”, complementa.
Mais do que o funghi, o tofu ou o curry, os ‘chefs burguers’ adotam outro primordial tempero para tornar o lanche ainda mai saboroso: amor por aquilo que acreditam. E, nessa esteira, o retorno, acompanhado da sensação de gratidão vem de imediato. “Está sendo uma experiência muito gratificante. Até pessoas que não são veganas vêm e elogiam o nosso trabalho. É claro que precisamos desapegar de muitas coisas, mas o resultado vale a pena”, finaliza Kellyn. Para os santa-cruzenses que não costumam ir muito para Porto Alegre, nem tudo está perdido. Gerhardt, que também possui uma rede de pizzaria no município, tenta, aos poucos, introduzir os sabores veganos. “Está sendo uma surpresa grata, pois o pessoal está aceitando bastante”. Quem sabe não é a deixa para um futuro negócio na terrinha?
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