Polícia

Empresário baleado por policial militar em Sobradinho segue na UTI

O proprietário de uma oficina de motocicletas baleado por um policial militar em Sobradinho permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Cachoeira do Sul. Apesar da gravidade, o empresário tem respondido às medicações, mas seu estado exige cuidados constantes.

O crime ocorreu na manhã do último sábado, 1º, no Bairro Rio Branco. Câmeras de videomonitoramento registraram o momento em que o policial militar – que atua em Passa Sete e mora próximo à oficina – chegou e efetuou quatro disparos. Três tiros atingiram a vítima, provocando ferimentos no antebraço esquerdo, no intestino e no fígado.

Ainda no sábado, a Brigada Militar divulgou nota informando que as circunstâncias do caso estão sendo apuradas pela corporação e pela Polícia Civil. O policial foi autuado em flagrante por crime militar e encaminhado ao Presídio Policial Militar, em Porto Alegre, onde permanece à disposição da Justiça Militar do Estado.

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Na nota, a BM reforça que pauta sua atuação na imparcialidade e na legalidade, não compactua com condutas incompatíveis com seus princípios institucionais e garante ao investigado o direito à ampla defesa e ao contraditório durante a apuração.

Em entrevista à Rádio Gazeta FM 96.1, o comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar (23º BPM), tenente-coronel Cristiano Cuozzo Marconatto, explicou que, como o policial estava em serviço no momento do fato, o caso é tratado, em tese, como crime militar. Marconatto reforçou que a corporação não fará julgamento antecipado sobre a motivação e ressaltou que o episódio é um fato isolado, incompatível com os princípios da Brigada Militar. Segundo ele, o servidor não possuía registros anteriores de irregularidades.

O caso é investigado em duas frentes: por um Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado pela corporação e por inquérito da Polícia Civil. Ao final dos procedimentos, o militar poderá responder nas esferas criminal, civil e administrativa. Em nota, a Brigada informou que garante ao investigado o direito à ampla defesa e ao contraditório.

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Histórico

Questionado sobre informações de que vítima e policial já mantinham desavenças anteriores, Marconatto disse que existem apenas relatos preliminares e qualquer conclusão neste momento seria precipitada. Segundo ele, todas as linhas investigativas serão analisadas para verificar se houve rixas anteriores e qual a influência delas no episódio.

Sobre uma eventual expulsão da Brigada Militar, o comandante afirmou que ainda é cedo para qualquer definição. Segundo ele, somente após a conclusão dos procedimentos será possível avaliar as medidas administrativas cabíveis.

Nova defesa assume o caso

A defesa do policial militar investigado passou a ser conduzida por uma nova equipe de advogados. Em nota divulgada nesta terça-feira, 4, os criminalistas Felipe Raúl Haas, Leonardo Araújo e Brizola Filho informaram que assumiram a defesa técnica do soldado, que está preso preventivamente no Presídio Policial Militar, em Porto Alegre.

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Segundo os advogados, até o momento a defesa ainda não teve acesso aos autos do procedimento investigatório nem aos elementos de informação que fundamentaram as medidas adotadas pelas autoridades. Em razão disso, afirmam que qualquer manifestação sobre o mérito dos fatos seria incompatível com o exercício responsável da advocacia criminal.

Na nota, a nova defesa sustenta que a formação de qualquer juízo jurídico depende da análise integral dos autos, das provas produzidas e do contexto fático efetivamente documentado, ressaltando que o processo penal deve se basear no conjunto probatório e não apenas em informações divulgadas pela imprensa ou em registros audiovisuais isolados.

Os advogados informaram ainda que, após obterem acesso ao inquérito e concluírem a análise técnica das provas, deverão se manifestar publicamente, desde que isso seja compatível com a estratégia defensiva e com o regular andamento da persecução penal.

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Até então, a defesa do policial era realizada pelo advogado Vilson Roberto Pohlmann, que havia informado à Gazeta do Sul que a prisão preventiva foi decretada pelo juiz militar durante a audiência de custódia, com fundamento na garantia da ordem pública, conforme previsto no artigo 255 do Código de Processo Penal Militar.

Situação ainda exige atenção dos médicos

Em entrevista à Rádio Gazeta FM 96.1, a noiva do empresário, Juliana de Moraes, informou que Willian Wink, conhecido como “Alemão Performance”, ainda exige cuidados. Segundo Juliana, o fígado foi o órgão mais atingido pelos tiros e o intestino também sofreu lesões. A prioridade dos médicos, ela afirma, é estabilizar o organismo antes de realizar novos procedimentos cirúrgicos.

“As primeiras 72 horas são cruciais e eles estão indo devagar com a estabilização”, disse. A noiva também agradeceu pela rapidez do atendimento prestado desde o socorro até a chegada ao Hospital de Cachoeira do Sul.

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Sobre o histórico de desentendimentos entre o casal e o policial militar, Juliana afirmou que as reclamações eram relacionadas ao barulho da oficina, mas que a empresa sempre atuou nos limites legais, mantinha bom convívio com os demais moradores da região e sempre buscou resolver a situação de forma legal. Segundo ela, foram registrados boletins de ocorrência e realizadas tentativas de conciliação que não tiveram participação da outra parte. Ela afirmou ainda que Willian sempre evitou conflitos e o casal nunca imaginou que a situação pudesse terminar em violência.

Para saber

Em nota divulgada nas redes sociais, a empresa ressaltou que, no momento do ataque, Willian estava trabalhando na atividade que sustenta sua família e pede respeito aos familiares, além de solicitar que não sejam compartilhadas informações não oficiais.

A família também publicou uma manifestação agradecendo pelas orações e mensagens de apoio. No comunicado, informou que seguirá atualizando o estado de saúde do empresário e, neste momento, a prioridade é exclusivamente sua recuperação, deixando os desdobramentos do caso sob responsabilidade da equipe jurídica.

 

Guilherme Andriolo

Nascido em 2005 em Santa Cruz do Sul, ingressou como estagiário no Portal Gaz logo no primeiro semestre de faculdade e desde então auxilia na produção de conteúdos multimídia.

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Guilherme Andriolo

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