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Empresas têm até maio para cumprir nova NR-1 e evitar multas

As companhias brasileiras têm três meses para se adequar às mudanças da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A partir de 26 de maio, empresas de pequeno, médio e grande porte, desde a padaria até as grandes organizações, passam a ser obrigadas a identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, sob risco de fiscalização e aplicação de multas pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

A atualização da norma transforma fatores como sobrecarga de trabalho, metas abusivas, assédio, liderança tóxica e ambientes hostis em riscos formais que precisam ser gerenciados pelas empresas, da mesma forma que já ocorre com a segurança física e operacional. A exigência chega em um momento crítico: em 2025, os afastamentos por ansiedade e depressão cresceram 15% no país, tornando os transtornos mentais o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil, segundo o Ministério da Previdência Social.

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No Rio Grande do Sul, o impacto é ainda mais expressivo. O estado liderou os afastamentos por saúde mental na Região Sul em 2025, com 46.738 licenças concedidas. Proporcionalmente à população, o RS aparece entre os estados com as maiores taxas de afastamento por transtornos mentais por 100 mil habitantes, cenário que especialistas associam, entre outros fatores, aos efeitos prolongados das enchentes de 2023 e 2024.

Para a psicóloga e especialista em desenvolvimento de lideranças Helena Brochado, autora do livro Diário da Liderança com Propósito, as alterações da NR-1 inauguram uma nova fase na gestão de pessoas e exige preparo técnico e estratégico das empresas. “A NR-1 deixa claro que saúde mental é gestão de risco. Quem não se adequar agora corre riscos jurídicos, financeiros e humanos. Não se trata mais de uma escolha, mas de uma obrigação que exige método, liderança e ação estruturada”, afirma. 

Segundo Helena, muitas empresas ainda não sabem por onde começar e é nesse ponto que a atuação especializada faz diferença. “O maior erro é tratar a NR-1 como uma exigência burocrática. Ela não se cumpre só com documentos. É preciso preparar líderes, mapear riscos psicossociais reais, ouvir as pessoas e transformar isso em um plano de ação consistente. Sem esse preparo, a empresa fica vulnerável à fiscalização e ao adoecimento das equipes”, explica.

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A norma torna obrigatória a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que agora deve incluir os riscos psicossociais. Para a especialista, a adequação exige uma atuação transversal, envolvendo liderança, RH e segurança do trabalho, com apoio técnico especializado. “Quando a liderança não se envolve, a prevenção não acontece. E o custo aparece em afastamentos, queda de produtividade, aumento do turnover e perda de reputação”, alerta Helena.

Com experiência na preparação de lideranças e no apoio a empresas que precisam se adequar às novas exigências legais, Helena destaca que a NR-1 também pode ser uma oportunidade de fortalecimento organizacional. 

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“A NR-1 é obrigatória. Mas a forma de cumprir é estratégica. Empresas que se preparam com apoio especializado não apenas evitam multas, como constroem ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis. Lideranças conscientes transformam uma exigência legal em vantagem competitiva”, conclui.

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Ações que as empresas podem adotar para ficar de acordo com a atualização da NR-1: 

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  • Estudo da norma: engaje lideranças, RH e segurança do trabalho no entendimento da exigência.
  • Formação de equipe multidisciplinar: inclua diversas áreas e, se possível, consultoria externa.
  • Mapeamento dos riscos psicossociais: identifique fatores como assédio, metas abusivas e falta de reconhecimento.
  • Diagnóstico organizacional: use pesquisas, entrevistas e grupos focais para ouvir os colaboradores.
  • Inventário de riscos: liste os riscos por área e seus impactos na saúde mental.
  • Plano de ação: crie medidas preventivas, canais de escuta, apoio psicológico, políticas internas.
  • Implementação: execute as ações com comunicação clara e envolvimento da liderança.
  • Monitoramento contínuo: acompanhe indicadores como absenteísmo, turnover e afastamentos.
  • Canais de suporte: ofereça apoio emocional com sigilo garantido.
  • Capacitação de líderes:  treinamento para capacitá-los a identificar, avaliar e prevenir riscos, promovendo cultura de segurança, engajamento e conformidade legal, reduzindo acidentes e afastamentos
  • Capacitação constante: promova treinamentos regulares sobre saúde mental e cultura organizacional.
  • Documentação completa: registre todas as etapas para fins de auditoria e fiscalização.
  • Engajamento da alta gestão: a mudança precisa começar do topo para gerar transformação real.

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Karoline Rosa

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Karoline Rosa

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