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Enchente mudou paisagens e vidas em Candelária

Os primeiros dias de 2010 não foram fáceis para as comunidades do interior de Candelária. A cheia do Rio Pardo, cujo ápice foi registrado em 4 de janeiro, transformou cartões-postais em verdadeiros cenários de guerra. As localidades mais atingidas foram Rebentona, Quilombo, Costa do Rio e Linha do Rio, onde nenhuma residência escapou do alagamento. Os prejuízos começaram logo pela manhã, quando a água começou a entrar nas casas. Estradas ficaram destruídas e intransitáveis com a queda de árvores inteiras na pista. O Cemitério Türk, de Linha do Rio, mais parecia um depósito de entulhos.

A enchente de Candelária não trouxe somente danos materiais para os moradores. O agricultor Hari Kappaun morreu afogado quando tentava recolher os bois da água com o auxílio de vizinhos. Segundo conhecidos, ele não sabia nadar e não conseguiu vencer a água, cujo risco foi potencializado pela força da correnteza. Vizinho de Hari em Linha do Rio, Arcélio Bringmann e o filho mais novo, Fernando, ajudaram a procurar o gado em meio à água. Contudo, um imprevisto aconteceu: eles, que iriam ajudar, tiveram de ser resgatados.

Por volta das 10 horas daquela segunda-feira chuvosa, Hari foi até a casa de Arcélio em busca de ajuda. Como já havia ajudado a recolher o gado em outras ocasiões, o agricultor não hesitou em auxiliar o vizinho mais uma vez. No entanto, quando já estavam do lado de fora, a água começou a subir em um ritmo inimaginável. Há relatos de que em uma hora a água subiu quatro metros. Com a força da correnteza, Arcélio conseguiu nadar e se segurar em uma árvore – que cairia mais tarde –, enquanto o filho Fernando conseguiu chegar em uma parte mais alta e se abrigou em uma torre.

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Arcélio ficou junto à árvore por cerca de 15 minutos, até chegar o socorro dos vizinhos, que o resgataram com uma canoa estreita na correnteza. Mais tarde, o filho dele também foi retirado daquela condição. Hari Kappaun, por sua vez, não teve a mesma sorte. Não conseguiu se salvar e também não pôde ser resgatado. Para Arcélio, que viu o vizinho sucumbir diante de seus olhos, a enchente ainda está bem viva na memória. “No começo foi pesado. Enxergar ele pedindo socorro e não poder fazer nada foi triste”, conta.

A intensidade da enchente de 2010 é comparada à tragédia de 1959, quando 94 pessoas, em números oficiais, perderam a vida em Candelária e Sobradinho.

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