Cultura e Lazer

Entrevista: “Açougueira”, de Marina Monteiro, e o perigo de lidar com coisas afiadas

A protagonista de Açougueira, da escritora gaúcha Marina Monteiro, porto-alegrense que se divide na atualidade entre Rio de Janeiro e Florianópolis, é uma mulher que lida com facas e cutelos. Mas talvez mais afiada do que esses instrumentos de trabalho seja a língua de seus vizinhos.

É o que o leitor descobre ao longo desse romance de estreia, cujo virtuosismo e originalidade de pronto foram distinguidos com o Prêmio da Academia Rio-grandense de Letras (ARL) para narrativa longa, em 2025. É um justo merecimento para uma obra que se posiciona entre as mais inventivas da safra recente da literatura produzida por autores nascidos no Estado. Editado pela Claraboia, com 147 páginas, o exemplar custa R$ 55,90.

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Aos 44 anos, Marina divide-se entre a literatura e o teatro, desenvolvendo trabalho como atriz, arte-educadora, produtora e gestora cultural. Deixou a capital gaúcha ainda na infância. Licenciou-se em Teatro pela Udesc e bacharelou-se em Filosofia pela UFRJ. Essas duas áreas de interesse ou de formação de certo modo transparecem em Açougueira, um romance constituído por inúmeras vozes, completamente autônomas ou independentes, remetendo ao diálogo de uma peça de teatro, que se desenvolvem em torno de temáticas a um tempo individuais e universais.

No enredo, uma mulher conta a sua história a um interlocutor, remetendo a uma vivência cumprida em cidade pequena. O relato é direto, coloquial, entrecortado, em linguagem suscinta, objetiva, testemunhal, mas também encantatória. Por vezes, aproxima-se da prosa poética. Descobre-se que é filha única de um casal humilde, em ambiente de extremo machismo. Desde cedo ela vê o pai se entregar para o alcoolismo e, alterado, descontar na mãe toda e qualquer raiva ou frustração.

Seu destino será seguir a mesma sina. A partir do momento em que, na adolescência, desperta para o interesse em torno do sexo oposto, na figura de um empregado que trabalha em terras próximas, seu mundo estará selado. Quando a mãe sucumbe às agressões do marido, vem dela o recado que, de certo modo, provocará a mudança de rumos e de perspectivas na vida da filha.

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Quando ela própria se vê submetida ao mesmo tipo de tratamento que antes vira em casa, em família, só mesmo uma guinada brusca poderá mudar o curso da história: ela se reaproxima de uma mulher com a qual conviveu brevemente no passado, e que se torna sua única amiga; e, por uma habilidade incomum que demonstra, torna-se ajudante no açougue. A partir disso, desencadeiam-se ações que, no final, exigirão depoimentos (bastante afiados) de vizinhos.

Um destaque na narrativa curta

Açougueira é o primeiro romance de Marina Monteiro, e de imediato premiado. Mas sua obra anterior, em narrativa curta, fora igualmente reconhecida em importantes certames literários. Em 2020, por exemplo, ela venceu o Prêmio da Associação Gaúcha de Escritores (Ages), na categoria contos, com o volume Em nossa cidade amarelinha era sapata, publicada pela Patuá, no ano anterior. Já em 2023 venceu o Prêmio Minuano de Literatura com Contos de vista Pontos de queda, lançada também pela Patuá, em 2021, obra que também foi finalista do Açorianos. Antes ainda, em 2010, ela havia lançado Comendo borboletas azuis, pela Multifoco.

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“Conto tudo o que eu sei aqui pro senhor. Tudo não, é o que eu sei. Porque a história nunca é só da gente. Tem umas pontas, não amarro. Do que sei eu conto pro senhor e pra quem mais perguntar. Agora, tem seu tempo. Porque a história mora nos detalhes. Não adianta chegar logo no final. Eu sei, pro senhor e pra todo mundo o ponto final que interessa. Lá vive tudo o que importa. Não sinto assim. É preciso caminhar o caminho, passo por passo, pé por pé, acompanhar cada tropeço em pedra solta, ver onde tem cobra entocada, onde a chuva fez lama, onde a poeira se levanta e turva a vista. Não tem jeito de chegar no ponto final sem caminhar o caminho. Só assim se pode encontrar algum sentido no fim.

O senhor não concorda?

Então temos de dar o tempo da história ir se fazendo. Todo o detalhe importa. Mesmo aquele parecendo desnecessário. Aquelezinho ali. Ninguém nota. Fácil de tirar fora. Zás, num lance de cutelo se tirou fora uma partezinha do boi, parecia não tinha importância. Mas pergunta pro boi se não tinha. Ele vai urrar na cara da gente o quanto aquele pedacinhozinho tinha importância. Igual com a história. Eu sou boa de entender a importância das partes pro todo. Por conta do meu trabalho no açougue. Quem vê pedaços de carne já pendurados e organizados não dá conta de ver o boi inteiro, de sentir o boi, de entender o boi como o boi era. Por isso ninguém acha que tá mastigando um boi no almoço. Pensa que é um pedaço de coisa que já vem assim, sem nome, sem arrepio no pelo, sem olho. E é pra isso que tudo já vem em parte mesmo, senão ninguém tinha coragem, se conhecesse o inteiro do boi.”

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Para Marina, “a arte é o território da liberdade”

Ainda que a estreia em narrativa longa, com Açougueira, tenha vindo com forte visibilidade e reconhecimento em premiação, Marina Monteiro agora vai compartilhar com os leitores mais um livro de narrativas curtas. Junto à editora paulista Reformatório, ela tem em produção essa nova obra, cujo título é Rebu, com textos que elaborou entre 2024 e 2025, como informa. Trata-se de mais um conjunto premiado, pois venceu o VI Prêmio Caio Fernando Abreu de Literatura, divulgado ao final de novembro de 2025.

É mais uma incursão de Marina pelos meandros da literatura, experiência que a arrebatou em especial a partir de 2010, com o lançamento de seu livro Comendo borboletas azuis. “Publicar aquele livro mexeu comigo. Nunca senti nada parecido. No fundo, aquilo era o que eu sempre tinha desejado”, descreve, em entrevista à Gazeta do Sul. “Foi uma mistura de descoberta, medo, timidez, respeito, incredulidade. Eu achava muito difícil publicar um livro e buscar espaços para ele.”

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Como ressalta, desde aquela primeira publicação, não mais parou, em paralelo a suas demais ocupações culturais. E seu domínio da arte narrativa e a capacidade de desenvolver enredos que cativem o leitor se aprimoram a cada projeto, o que as premiações evidenciam.

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Entrevista

Marina Monteiro
Escritora

  • Açougueira tematiza as relações entre casais (e também em sociedade) em ambiente tradicional, patriarcal, machista. Vivemos justamente período de muita violência praticada por homens, com agressões a mulheres e feminicídios. Entendes que a arte (no caso, a literatura) pode ajudar a clarear mentes?
  • Penso que a arte é o território da liberdade, possibilita a reinvenção do mundo, a reorganização das imagens, a transformação de emoções por vias estéticas. Não acho que a literatura tenha um papel ou uma função específica, mas é na literatura que talvez possamos melhor exercitar o lugar do outro, pela via da imaginação. Se eu como autora me coloco no lugar de cada personagem que escrevo, tentando dar a cada personagem o máximo de humanidade possível, para que cada figura possa se revelar em movimento, em contradições, em vulnerabilidades diante da pessoa leitora, então eu acredito que é possível abrir espaço para quem lê fazer o mesmo exercício, e quem sabe assim ver o mundo com os olhos do outro, sentir com as emoções do outro e a partir daí poder levar essa experiência pra vida, transformando ações e ideias.
    Açougueira se propõe um exercício de se abrir para as perguntas, mais que para as respostas. É um julgamento, onde quem lê é convidado a participar, a dar seu veredito. O livro em si não entrega a sentença. Acredito muito nesse lugar de uma leitura ativa, que convida a pessoa leitora ao movimento, sem subestimá-la, e assim, com sorte, pode ser que a narrativa gere reflexões e inaugure olhares sobre a vida.
  • No julgamento superficial do povo, basta à narradora trabalhar em açougue, atividade tida como incomum para uma mulher, para que seja ela a culpada. No mundo de hoje, a mulher continua sendo culpada de muito do que ocorre com ela, não é? Até quando é a vítima.
  • Sim, infelizmente. É muito comum a mulher ser revitimizada. Ao tentar buscar justiça contra a violência a mulher é muitas vezes exposta, culpabilizada, colocada em situação de mais violência. Isso acontece por parte da justiça, inclusive dos agentes públicos, que deveriam garantir a proteção da mulher. A mulher é culpada pelo tamanho do vestido, pelo tamanho do decote, por falar demais, por falar de menos, por ter dado mole. Todas as provas se fazem contra a mulher. É um grande absurdo.
    Em Açougueira, eu tentei trabalhar essa mulher num lugar que não fosse apenas o de vítima de uma violência, mas também de uma mulher que assume quem é, o próprio corpo e persegue o próprio desejo, mesmo que esse desejo possa incriminá-la. O coro de vizinhos cai em cima dela, mesmo sabendo das violências que ela vinha sofrendo, porque não admite uma mulher que não corresponda às regras sociais que são impostas ao gênero. É como se a inadequação dela justificasse qualquer violência contra ela. Se ela não se encaixa naquela sociedade, é porque ela não é mulher o suficiente, tem falhas, faltas ou excessos. Merece ser violentada.
    A verdadeira vítima parece se tornar o marido aos olhos daquela cidade, porque há uma ordem maior ali a ser conservada e protegida. A personagem sempre vai estar errada enquanto não corresponder às expectativas sociais. E, mesmo que corresponda, não haverá garantias. No livro, eu trago também a presença oculta do julgador ou do interrogador, a quem a açougueira se reporta, que geralmente são figuras que com muita facilidade reproduzem o machismo estrutural da sociedade. O sistema de uma maneira geral reproduz. Açougueira é sobre o machismo que está entranhado também no sistema judicial, e que até os dias de hoje acaba absolvendo abusadores e violentadores com a maior facilidade.
  • Pelas muitas vozes, várias anônimas, de teu romance, evidencia-se uma construção narrativa que remete ao teatro. Tua obra se constrói entre o teatro e a literatura, não é?
  • Eu venho do teatro. Sou formada em Artes Cênicas, pela Universidade do Estado de Santa Catarina, e trabalho no teatro, seja com a dramaturgia, seja com a atuação ou a produção, há mais de 18 anos. O teatro está muito entranhado em tudo o que produzo. Tem algo engraçado: na faculdade, quando eu escrevia as dramaturgias, os professores diziam que eram bastante literárias.
    Nos meus livros, as pessoas ressaltam a presença do teatro. Teve um momento que eu queria até separar as áreas, encasquetei que tinha que escrever literatura. Como se houvesse uma literatura mais pura, como se dramaturgia não fosse literatura. O que saiu disso foi péssimo. Entendi que meu caminho era mesmo fronteiriço. E aí me veio essa vontade de pesquisar, na literatura, maneiras de incorporar a palavra literária. Modos de convocar a presença do corpo na página.
    Na dramaturgia, escrevemos para um corpo de uma atriz ou de um ator tomar aquelas palavras para si, e essa palavra teatral ainda será incorporada pela luz, pelo cenário, figurino, direção. Na literatura, temos “apenas” a linguagem; então, eu gosto de me desafiar a perseguir todos estes elementos, voz, corpo, figurino, luz, movimento cênico, apenas com as palavras.
    Açougueira, mais especificamente, tem os dois pés no teatro, porque vem inspirado em uma dramaturgia que finalizei em 2020, chamada Carne de Segunda. Acabou sendo meu exercício mais radical nesse sentido da fronteira entre teatro e literatura; mas, mais ou menos evidente, o teatro sempre está presente em tudo o que escrevo.
  • Como foi o processo de construção de Açougueira? Tens familiaridade com esse universo de cidade pequena e do abate de animais, ou isso implicou em pesquisa? Nesse caso, como te aproximaste desse universo?
  • O processo de Açougueira se deu boa parte durante a pandemia, e tinha como ponto de partida a dramaturgia que citei. Começou como um exercício para não enlouquecer no confinamento. Eu nem estava planejando um romance, eu estava às voltas com meu livro de narrativas curtas, Contos de vista Pontos de queda, que saiu em 2021, pela Patuá. Acabou que o projeto me tomou e fui dando sequência. Escrevi uma primeira versão da primeira parte do livro toda à mão. Queria fugir das telas. Fui encontrando o tom da linguagem da narradora com caneta vermelha no caderninho de papel. Claro que essa primeira versão já é muito distante da que foi publicada. Depois tive um longo processo de lapidação do texto. Na voz da Açougueira, realizei um trabalho de contenção da linguagem, eliminando muitos conectivos, deixando a ligação mais direta entre as palavras e subvertendo as relações sintáticas, buscando uma oralidade e uma fala que comportasse e presentificasse a estranheza daquela figura.
    A parte do coro de vizinhos foi a mais desafiadora, porque eu não sabia a melhor forma de realizar. Eu queria que funcionasse como um coro, só que mais contemporâneo, que tivesse essa relação de mediação entre a situação e a pessoa leitora, sobretudo na primeira vez que ele aparecesse. Então, voltei para os meus livros de tragédia grega e fui pesquisar. Testei muitas formas. Entendi que queria esse coro contemporâneo, que comentasse e representasse a cidade e sua moral, propagasse a fofoca, criasse um vetor com a protagonista, que tivesse uma força coletiva, mas também queria diferenciar as vozes, queria algo de particular, até pra poder colocar uns elementos de contradição entre eles, uma ou outra força que talvez não fosse com a manada, trazer esse contexto de depoimento também. Criei planilhas para cada figura, com nomes, idade, profissão, ideologias, tipo de relação que tinha com a açougueira etc.
    Decidi por uma forma bem teatral, então os depoimentos vêm como falas precedidas de travessão e existem também rubricas com algumas características das figuras, mas para diferenciá-las eu queria esse artifício da incorporação da fala, não queria facilitar com nome ou aparência física que pudessem resumir a figura. Então, busquei por procedimentos teatrais, de sala de ensaio mesmo, que usamos na criação de estados corporais. E pensei como seria a fala de uma pessoa que parece estar sempre atirando pedras, como seria a fala de outra pessoa que está sempre soprando o vento, e a de quem está sempre escarrando? E fui buscando trazer essas características concretas para o texto, na pontuação, no ritmo das frases, nas palavras utilizadas. Busquei gestos para cada uma das figuras também, que tivessem a ver com essas ações concretas que citei.
    Com as cidades pequenas eu tenho alguma familiaridade. Já morei em Soledade, que na época era bem pequena, hoje não sei como está, e já viajei muito com o teatro por outras cidades do interior do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais. Eu sempre presto muita atenção aos lugares que conheço. Vou captando imagens e situações e colecionando. Busquei também meu repertório de leitura de histórias que se passam nos interiores e isso tudo me ajudou a construir o universo da açougueira. Busquei criar um lugar que se reconhece como interior, mas não se localiza geograficamente na realidade, e, assim como as personagens, não tem nome.
    Com relação ao abate de animais, eu pesquisei na internet. Fui atrás de informações de como se abatia um boi, queria entender como era na realidade, que ferramentas eram necessárias, quais partes se cortava primeiro, se havia sangria. Pesquisei tanto que o algoritmo passou a me entregar propaganda de carnes e frigoríficos por um bom tempo. No livro, o movimento não se dá de maneira muito realista, até porque a personagem é colocada em uma armadilha na cena do abate do boi, e eu optei por realizar uma cena que vai pro campo simbólico. Entendi que não faria de modo realista o abate, mas achei importante ter feito a pesquisa mesmo assim, e ter conhecido o passo a passo, do mais artesanal ao mais industrial, justamente pra poder desconstruir de alguma maneira a ação desse abate no campo simbólico, e deixando um e outro elemento mais realista para ancorar a narrativa.
  • Conte-nos um pouco de tua trajetória, tua formação e teus temas preferenciais em literatura e na arte.
  • Eu escrevo desde cedo. Antes de escrever eu já brincava em volta com narrativas. Nenhuma brincadeira minha dispensava toda uma história articulada entre personagens. Desde pré-adolescente escrevo histórias, sem ser para os temas da escola. A escrita profissional veio com a faculdade de teatro e meu encontro com a professora Eliane Lisboa. Ela me ensinou que a escrita podia ser um ofício. Com a escrita dramática tornei meu trabalho público. A literatura sempre mais tímida, mais reservada aos meus cadernos e gavetas. Uma vez criei um blog, e nele eu publicava textos sobre a vida, umas tentativas de poesia, uns contos curtos de prosa poética. Em 2009 um amigo autor veio me falar do novo selo da editora dele, chamado Downloads, ele achava que meu blog se encaixava.
    Em 2010 lancei o Comendo borboletas azuis, pela Multifoco, com 45 textos compilados entre os posts do blog – busquei pelos mais literários. Naquela época não era cult assumir multifunções e eu achava que ia me perder nesse movimento de publicar livros. Tinha ido ao Rio pelo teatro. Além disso, publicar aquele livro mexeu comigo. Nunca senti nada parecido. No fundo aquilo era o que eu sempre tinha desejado. Mas eu tinha um respeito tão grande pela literatura, ler era algo muito importante para mim, tinha me salvado na minha introspecção, achava meio surreal publicar minhas histórias. Foi uma mistura de descoberta, medo, timidez, respeito, incredulidade. Eu achava muito difícil publicar um livro e buscar espaços para ele. E na época era mesmo muito mais difícil.
    Segui escrevendo, mas só voltei a publicar em 2019, porque eu finalmente entendi que era isso que eu queria, escrever e publicar o que eu escrevia, com sorte ser lida. Os livros daquela época de pausa de publicação eu engavetei todos. Foram ótimos exercícios, pude amadurecer minha escrita e meus propósitos com a literatura. Nesse meio tempo comecei a faculdade de filosofia, que eu busquei porque queria escrever melhor. Poderia ter buscado um curso de escrita criativa? Poderia, mas agradeço até hoje essa escolha pela filosofia, porque me deu uma visão de mundo e vida que são muito ricas para a escrita.
    Em 2019, eu publiquei meu primeiro livro de contos, o Em nossa cidade amarelinha era sapata, pela Patuá. Em 2020, o livro ganhou o prêmio AGES e eu nem podia imaginar uma coisa dessas, eu nem sabia que essas premiações existiam até aquele ano. Foi tudo muito surpreendente. Pude constatar que a minha crença na dificuldade de ter uma carreira literária era mesmo verdadeira, é muito difícil, hoje não é tão difícil publicar, mas ser lida, fazer o livro circular é uma peleja. O movimento de publicar me trouxe bons encontros, portas abertas. Devagar e sempre. Nunca esquecendo que o tempo da literatura é outro e o mais precioso é o processo, o momento em que se está criando.
    Desde então, não parei mais. Em 2021 publiquei o Contos de vista Pontos de queda, pela Patuá, um livro de narrativas curtas que me trouxe muitas alegrias, como o Prêmio Minuano e a indicação para o Açorianos. Em 2026, lanço a coletânea de narrativas curtas chamada rebu, pela Reformatório, através do Prêmio Caio Fernando Abreu, do Mix Literário. Estou também escrevendo um romance novo e torcendo para Açougueira ter uma segunda edição um dia, com uma nova editora, já que a Claraboia fechou. Eu gosto de ser editada, essa de autopublicação não é algo que desejo. Além disso, sigo minha escrita para o teatro e ando me aventurando também pelo audiovisual.
    Meus temas costumam girar entre as relações familiares, o tempo, a violência e as questões de gênero e sexualidade. Por vezes a própria linguagem surge como tema de algumas das minhas ficções.

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Romar Behling

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