Alunos do 2º ano do Ensino Médio idealizaram a exposição, que fica disponível até esta sexta-feira no saguão da escola
Uma casa sensorial voltada à conscientização sobre a violência contra a mulher foi montada no saguão da Escola Estadual Santa Cruz. O espaço faz parte da exposição Lentes da Verdade: Vozes Silenciadas, desenvolvida por cerca de 50 alunos do 2º ano do Ensino Médio.
Logo na chegada, o visitante é convidado a uma imersão no universo perturbador vivenciado por mulheres em situação de violência. Os cômodos, estruturados com móveis cedidos pelos alunos, simulam espaços de convivência familiar onde frases como “não conta pra ninguém”, “foi só uma briga” ou “se me ama, me mostra o celular” fazem parte da rotina.
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Em meio à decoração dos ambientes, encontram-se pratos quebrados, objetos jogados pelo chão e cartazes com frases que retratam a violência física e psicológica sofrida por milhares de mulheres em todo o Brasil. “Não é apenas uma casa, a gente quis retratar a realidade de muitas mulheres aqui no País”, explica a aluna Heloá Janete Nogueira Graff.
Enquanto conduz o tour pela exposição, Heloá divide a voz com áudios que reproduzem ligações telefônicas de mulheres pedindo socorro. O desconforto provocado pela experiência sonora é intencional. A mostra busca abordar o controle e a falta de liberdade feminina dentro de casa, apresentando casos reais de violência.
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Alguns desses casos estão contados em fotografias dispostas pelos murais da exposição, cuja representação das vítimas foi feita por oito alunas das duas turmas participantes do projeto. Nas imagens, as estudantes posam fazendo uma releitura de fotografias reais de mulheres que já foram agredidas pelos companheiros.
De acordo com a professora Simone Neu, idealizadora do projeto, a iniciativa começou ainda no ano passado, com a exposição Mulheres Fantásticas. Agora, a mostra surge repaginada. “Eu queria que os alunos e aqueles que viessem aqui se sentissem dentro de uma casa permeada pela violência, que pudessem se colocar no lugar dessas pessoas”, explica.
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Para o aluno Leonardo Fagundes da Silveira, o tema abordado na exposição é crucial para ser discutido nas escolas. “Nós somos o futuro e precisamos estudar isso para prevenir”, diz. Ele lembra que os agressores que hoje espancam também já estiveram na escola. “É importante estudar tudo isso para formar pessoas boas.”
A exposição também inclui cartazes explicativos sobre a Lei Maria da Penha e os tipos de violência, além de uma homenagem à ex-aluna do educandário Ana Paula Sulzbacher, brutalmente assassinada em dezembro de 2012, no Parque da Cruz, aos 15 anos. Aberta à comunidade, a mostra ocorre até a próxima sexta-feira, das 7h30 às 21 horas, no saguão da Escola Santa Cruz.
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