O número de diagnósticos de miopia, condição que afeta a visão a distância, vem aumentando em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050 mais de 50% da população mundial deverá conviver com a miopia. Isso significa que mais da metade enfrentará desafios significativos relacionados à visão.
Entre os principais fatores associados à progressão da doença estão o uso excessivo de telas e o aumento das atividades realizadas a curta distância. “Temos percebido no consultório um aumento significativo no número de casos de miopia. Existem fatores genéticos que contribuem, mas o que observamos na prática é que o excesso de telas tem sido um dos fatores mais preponderantes nesse processo”, afirma o presidente da Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (Sorigs), Guilherme Diehl.
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O especialista ressalta que a preocupação é ainda maior quando se trata de crianças. Dados da OMS apontam que, em 2023, uma em cada três crianças no mundo já apresentava miopia, e essa proporção pode chegar a 40% entre meninos e meninas até 2050. “Durante o período de férias, é fundamental estimular as crianças a se afastarem das telas. Pausas regulares ao longo do dia, a cada hora de uso, além da priorização de atividades ao ar livre, podem trazer benefícios importantes para a saúde ocular”, orienta Diehl.
A miopia pode estar associada a complicações como descolamento de retina, glaucoma, catarata e degenerações da retina, condições que podem levar à perda da visão se não forem tratadas adequadamente. Sintomas como visão embaçada para longe, dificuldade para enxergar objetos distantes (como placas de trânsito ou a televisão), necessidade de semicerrar os olhos para focar, dores de cabeça frequentes e cansaço visual, especialmente após atividades prolongadas ou ao dirigir à noite, são sinais de alerta. Nesses casos, é recomendável procurar um médico oftalmologista.
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Para tentar desacelerar a progressão da miopia, condição que gera impactos para toda a cadeia da saúde, existem tratamentos indicados conforme cada caso. Entre as abordagens mais atuais estão o uso de óculos ou lentes de contato especiais e o colírio de atropina, que ajuda a reduzir o crescimento ocular, reduzindo de forma significativa a progressão da miopia. Além disso há a ortoceratologia, técnica que usa lentes de contato especiais durante a noite, que são removidas pela manhã. Elas promovem uma remodelação temporária da córnea, diminuindo o grau da miopia e retardando a evolução da doença.
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