Policiais efetuaram buscas em endereços de pessoas investigadas em diferentes cidades, inclusive em Santa Cruz do Sul
Uma advogada de Santa Cruz do Sul se tornou alvo da Operação Placebo, deflagrada pela Polícia Civil na manhã dessa segunda-feira, 29, para investigar um suposto esquema de fraudes que envolve a aquisição de medicamentos de alto custo destinados ao tratamento de pacientes com câncer.
No município, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão – um na residência da profissional, localizada em um condomínio no Bairro Country, e outro em seu escritório, na região central da cidade.
Durante as diligências, policiais apreenderam celulares e computadores, que passarão por perícia e análise dos investigadores. A advogada não foi presa. A ofensiva local contou com apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), enquanto a coordenação da operação é da Delegacia de Polícia de São Gabriel.
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Os policiais buscam esclarecer a atuação de uma organização suspeita de manipular processos judiciais para obtenção de medicamentos oncológicos custeados com recursos públicos. Conforme a Polícia Civil, há indícios de que empresas ligadas entre si simulavam concorrência em orçamentos apresentados ao Poder Judiciário, direcionando contratações e elevando artificialmente os valores pagos pelo Estado.
Além da suspeita de fraude em licitações judiciais, os investigadores afirmam ter identificado indícios da utilização de empresas de fachada e, em situações consideradas mais graves, da circulação de medicamentos com suspeita de adulteração e falsificação.
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Foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão em 11 municípios – Santa Cruz do Sul, São Gabriel, Rosário do Sul, Santa Maria, Sapiranga, Campo Bom, Canoas, Taquara, Porto Alegre, Gravataí e Tramandaí – além de diligências nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.
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Durante a operação, um dos principais investigados foi preso em flagrante em São Gabriel. Segundo a Polícia Civil, na residência dele foram encontradas diversas caixas de medicamentos com indícios de adulteração e falsificação. Outros produtos e materiais considerados relevantes para a investigação também foram apreendidos em cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre.
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De acordo com o delegado Daniel Severo, titular da Delegacia de Polícia de São Gabriel, o trabalho começou em setembro de 2025, após um profissional da área farmacêutica identificar inconsistências em um medicamento usado no tratamento de câncer. Havia diferenças nas embalagens e características incompatíveis com os produtos originais.
As apurações também apontam a existência de diferentes núcleos de atuação dentro do grupo investigado, responsáveis pela captação de pacientes, encaminhamento de demandas judiciais e comercialização dos medicamentos. A Justiça determinou ainda o bloqueio de aproximadamente R$ 2,5 milhões em bens e valores dos investigados para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
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Até essa segunda-feira, a Polícia Civil identificou 39 pacientes da região de São Gabriel que podem ter sido atingidos pelo esquema. Parte dessas pessoas morreu durante o tratamento, circunstância que, segundo a investigação, também será objeto de apuração.
A Polícia Civil não divulgou os nomes das empresas envolvidas. A Gazeta do Sul apurou que algumas organizações mencionadas, de forma não oficial, não mantêm fornecimento de medicamentos para a Prefeitura de Santa Cruz do Sul e Hospital Santa Cruz. O Hospital Ana Nery não havia retornado até o fechamento desta edição.
A Polícia Civil não detalhou qual seria a participação da advogada santa-cruzense no caso nem informou quais fatos específicos são atribuídos à profissional. A identidade dela também não foi divulgada.
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A subseção de Santa Cruz do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) confirmou que acompanhou o cumprimento dos mandados, mas informou que não teve acesso ao conteúdo da investigação.
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Em nota encaminhada à Gazeta do Sul, a defesa disse que a advogada santa-cruzense irá colaborar com o esclarecimento dos fatos assim que tiver acesso aos autos do inquérito.
“A advogada contribuirá, na medida de seu conhecimento, para o completo esclarecimento da verdade, tão logo tenha acesso ao conteúdo das investigações, a fim de compreender exatamente quais fatos estão sendo apurados”, diz um trecho da manifestação.
A defesa também sustenta que a profissional, mesmo triste e consternada, permanece tranquila, pois “sempre exerceu a advocacia dentro dos limites da ética, da legalidade e do compromisso com a correta prestação jurisdicional” e afirmou que não comentaria o mérito da investigação neste momento.
Questionado pela reportagem se a cliente foi alvo de alguma medida cautelar que a impeça de exercer a advocacia, o advogado Ezequiel Vetoretti informou que, até essa segunda-feira, não havia sido intimado de qualquer decisão nesse sentido.
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