Regional

Expoagro reforça pedido de atenção ao setor produtivo gaúcho

Em sintonia com o tema da sua 24ª edição, a Expoagro Afubra converteu o Parque de Exposições, em Rincão Del Rey (Rio Pardo), em um manifesto de resistência e renovação. A solenidade de abertura, realizada nessa terça-feira, 24, foi pautada por um discurso de superação, em que a capacidade de adaptação do agricultor familiar e o anseio por políticas públicas mais robustas deram o tom das autoridades e líderes do setor.

Consolidada como uma vitrine para a agricultura familiar, a feira ocorre às margens da BR-471 até a próxima sexta-feira. Com entrada e estacionamento gratuitos, a expectativa é de que o evento receba mais de 180 mil visitantes. O público terá acesso a um ecossistema de inovação e conhecimento estratégico, essencial para o enfrentamento dos gargalos climáticos e econômicos que desafiam o agronegócio contemporâneo.

ASSISTA: VÍDEO: veja como foi a abertura da Expoagro Afubra nesta terça

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Apesar do clima de celebração tecnológica, o tom político foi de urgência. Houve unanimidade quanto à necessidade de um “pedido de socorro” para o segmento, citando a escassez de suporte estatal. Iniciativas de auxílio implementadas após as enchentes de 2024, como os programas Recupera RS e Terra Forte, além dos mecanismos de securitização, foram lembrados nas manifestações.

O presidente da Afubra, Marcílio Laurindo Drescher, lamentou o distanciamento de setores que desconhecem a lida rural, mas ressaltou a natureza do produtor. “Faltam proteção de mercado e políticas de Estado, mas o agricultor não para; ele se reinventa e investe em tecnologia”, afirmou. Para Drescher, a Expoagro é o palco dessa transformação, funcionando como um ambiente de fortalecimento e troca de experiências para o futuro.

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O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, enfatizou o aporte de R$ 1 bilhão para a melhoria do solo via Terra Forte, mas admitiu que o endividamento rural, potencializado por estiagens recorrentes, é o principal entrave atual. Souza defendeu a modernização das lavouras como único caminho para mitigar danos climáticos: “Temos de ampliar a área irrigada e qualificar o manejo. Hoje, excluindo o arroz, menos de 4% da superfície agrícola gaúcha conta com irrigação.”

O que disseram as autoridades

Marcílio Laurindo Drescher, presidente da Afubra: “Resiliência é a mesma coisa que resistência, algo que o produtor conhece como ninguém. Está presente na teimosia, coragem de continuar e na esperança que muitas vezes cansa, frustra e desafia, mas não desaparece.”

Rogério Monteiro, prefeito de Rio Pardo: “Entra ano e sai ano o agricultor segue na penúria, só pagando conta. Não vejo mãos estendidas ao homem do campo. Será que todo ano precisamos vir aqui e falar de recuperação? Não basta ter estiagem, enchente, em que famílias perdem tudo. Soluções? Não vejo. Precisamos de ações.”

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Luiz Carlos Heinze, senador: “Hoje, pela qualidade da nossa agricultura, já temos uma lei que permite que o agricultor possa receber crédito de carbono. De R$ 600 a R$ 1,2 mil por hectare. A lei existe. Estamos preparando todo o material para que possa efetivamente acontecer.”

José Cleber Dias de Souza, superintendente do Mapa no RS: “É importante ressaltar a atuação do governo federal nas missões internacionais, especialmente da China, que é um importante mercado para o nosso tabaco. Trabalhamos para que o produto atenda à demanda dos importadores, o plano de proteção de pragas e a certificação para exportação na origem.”

Heitor Schuch, deputado federal: “Fico triste quando venho aqui em meio a este clima de desconforto do nosso produtor, em meio a incertezas. Mas mesmo assim o agro não para, o agro resiste, é forte.”

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Gabriel Souza, vice-governador do RS: “O governo do Estado defende como vital a produção do tabaco, na qual quase 140 mil famílias estão na cultura e somos os maiores exportadores. Uma coisa é a produção, que é legalizada, gera renda; outra é o consumo.”

Homenagem e legado

Um dos momentos de maior simbolismo na cerimônia foi a entrega da placa que declara a Expoagro Afubra como Patrimônio Cultural Imaterial de Rio Pardo. O reconhecimento, aprovado em agosto de 2025, deriva da Lei 0045/L/2025, proposta pelo vereador Tenente Marcos Rogério, ratificando a relevância histórica da feira para a identidade regional.

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Vanessa Behling

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