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Fernanda Weber: entre escuta, acolhimento e vivência espiritual

Desde a infância, Fernanda Weber percebe o mundo por lentes que vão além do que os olhos costumam enxergar. O que para muitos soa como mistério, para ela sempre foi parte da vida, ainda que nem sempre compreendida. Terapeuta espiritual, Fernanda construiu sua trajetória a partir de vivências intensas, de estudo constante e da busca por equilíbrio entre espiritualidade, autoconhecimento e a vida cotidiana.

“Não comecei nessa área porque quis”, conta. Ainda criança, via e se comunicava com espíritos sem entender exatamente o que aquilo significava. O estranhamento não vinha só dela, mas também de quem estava ao redor. “Era um ‘problemão’ para a família. Ter um filho que enxerga coisas que ninguém mais vê não é simples”, relembra. Na tentativa de protegê-la e, ao mesmo tempo, de acalmar a situação, a família buscou auxílio em um centro espírita, quando Fernanda tinha cerca de 12 anos.

O primeiro contato com o espiritismo surgiu, portanto, como uma forma de contenção. “Eu tinha medo, era criança. E, como minha frequência energética não estava boa, acabava vendo coisas que me assustavam.” O estudo ajudou a silenciar aquelas percepções por um tempo; no entanto, elas retornaram com força na vida adulta. Foi então que Fernanda entendeu que não se tratava de algo passageiro. “Percebi que teria que trabalhar com isso.”

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Aos 21 anos, começou a atender na área espiritual, inicialmente de forma voluntária. “Via que as pessoas ficavam bem, mais leves. Aquilo fazia sentido.” Apesar do reconhecimento de que possuía um “dom”, ela escolheu outro caminho profissional para sua carreira: se formou em Letras e atuou como professora e tradutora. Com o tempo, a dedicação aumentou e a sala de aula ficou para trás. Vieram cursos, técnicas e uma decisão definitiva: trabalhar integralmente com terapias espirituais.

Fernanda explica que seu trabalho não se vincula a uma religião específica. “Estudei muito o espiritismo, trabalhei em casa espírita, mas estudo todas as vertentes. Entendo que existe amor e verdade em todas elas.” Em sua sala, símbolos de diferentes crenças convivem em harmonia, reflexo da visão de que a divisão religiosa é humana, não espiritual. “Os santos trabalham com os orixás, que trabalham com os mestres, que trabalham com os arcanjos. É tudo muito harmônico.”

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Apesar disso, ela faz questão de pontuar que sua prática não tem caráter religioso. “Gosto de dizer que a minha religião é Jesus”, afirma, ao explicar que vê na trajetória dele respostas práticas para a vida cotidiana. 

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Conexões

Atualmente, Fernanda realiza atendimentos individuais presenciais e online, além de cursos e grupos de estudo. A procura é grande, e a fila de espera para atendimento individual pode chegar a um ano. “As pessoas vêm e ficam. É um trabalho de autoconhecimento, não substitui um psicólogo, é outra proposta”, frisa. Durante os atendimentos, ela relata se conectar com os mentores espirituais da pessoa, que orientam sobre questões emocionais, energéticas e comportamentais, sempre aliadas a técnicas que tornam o processo mais objetivo.

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Grande parte do público que a procura é feminino. E é nesse ponto que o trabalho com o sagrado feminino ganha força. Para Fernanda, espiritualidade e empoderamento caminham juntos, mas longe de padrões estéticos ou discursos de competição. Os encontros voltados para esse tema buscam criar ambientes seguros, de acolhimento e fortalecimento coletivo. Segundo ela, quanto mais uma mulher fortalece a outra, mais cresce também. 

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Além dos atendimentos e cursos, Fernanda integra uma casa de prece, um grupo que realiza orações, palestras e passes energéticos de forma gratuita.“Quem pode pagar vem aqui, quem não pode vai na casa de prece”, afirma, deixando claro que existe acolhimento para todos os públicos.

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Ao falar sobre o futuro, Fernanda compartilha percepções que, segundo ela, vêm do plano espiritual, sempre com cautela. Para 2026, ela aponta um ano de recomeços, força e expansão. Ao mesmo tempo, alerta para a necessidade de equilíbrio emocional. 

Mesmo com tantos acessos ao invisível, Fernanda reforça que continua aprendendo. Fora do espaço de trabalho, ela procura se desligar das percepções espirituais para viver a vida comum, ainda que nem sempre seja fácil. “Espiritualidade não é sobre perfeição, é sobre consciência.” No fim, tudo converge para um mesmo propósito: tornar a jornada mais leve.

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Karoline Rosa

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