O Festival Santa Cruz de Cinema anunciou os curta-metragens selecionados para a 9ª edição, que ocorrerá entre os dias 16 e 19 de junho. Das 21 produções escolhidas, 18 participam da Mostra Nacional e concorrem aos troféus Tipuanas em 13 categorias, cuja premiação será realizada no dia 19. Entre os filmes brasileiros selecionados, há seis produções gaúchas, quatro do Rio de Janeiro, três de São Paulo e obras produzidas em Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pará e Paraná.
A Mostra Olhares Daqui contará com três trabalhos universitários ligados às disciplinas dos cursos de Comunicação e Criatividade da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). O Pintor, de Victor Castilhos; A Salvadora das Florestas, de Letícia Mendes; e E se fosse você?, de Gabriela Tassinari, disputarão o prêmio de Melhor Filme.
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As exibições ocorrerão entre os dias 16 e 18 de junho, no auditório central da Unisc. Neste ano, o festival bateu recorde de inscrições: ao todo, 1.282 produções se habilitaram para participar da mostra competitiva. O número representa um aumento de 57% em relação às 841 inscrições registradas no ano passado — até então, a maior marca do evento.
Diego Tafarel, um dos organizadores do festival, destacou que receberam produções de todos os estados e do Distrito Federal. “A cada nova edição, recebemos inscrições de novos realizadores, e isso comprova a consolidação do evento no meio do audiovisual brasileiro.”
O homenageado desta edição será o ator Reginaldo Faria. Aos 88 anos, o carioca acumula uma vasta trajetória na televisão e no cinema. Atuou em novelas como Tieta, Vamp e Vale Tudo, que ganhou um remake exibido pela TV Globo em 2025. Também deixou atuações marcantes em clássicos do cinema brasileiro, entre eles Pra Frente, Brasil, ao lado de Antônio Fagundes.
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Faria também protagonizou Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, atuação que lhe rendeu o Kikito de Melhor Ator no Festival de Cinema de Gramado. Além disso, dirigiu oito produções, incluindo Barra Pesada e Quem Tem Medo de Lobisomem?.
Fabrício Gianezini, diretor do Sesc Santa Cruz do Sul, reiterou que o evento reforça seu papel como espaço de difusão cultural. “Receber produções de todos os estados demonstra a consolidação do Festival Santa Cruz de Cinema como um ambiente democrático e representativo do audiovisual brasileiro”, afirmou.
Filmes selecionados
Mostra Nacional
- A Tempestade (RS), de Diego Müller
- Bela LX-404 (RJ), de Luiza Botelho
- Brasa (SP), de Diane Maia
- Cabeça de Boi (MG), de Lucas Zacarias
- Como nasce um rio (BA), de Luma Flôres
- Concreto Vivo (RS), de Amanda Viegas
- FrutaFizz (SP), de Kauan Okuma Bueno
- Girassóis (RJ), de Jessica Linhares e Miguel Chaves
- Manoel e Betinha (RS), de Marta Haas
- Na sombra do Set (RS), de Bella Bauer
- O Jogo (RS), de Marfell
- Presépio (RJ), de Felipe Bibian
- Quando eu for grande (PR), de Mano Cappu
- Samba Infinito (RJ), de Leonardo Martinelli
- Tapando Buraco (AL), de Pally e Laura Fragoso
- Trapo (RS), de João Chimendes
- VBP – Vacas Brancas Preguiçosas (SP), de Asaph Luccas
- Visagens e Visões (PA), de Rod Rodrigues
Mostra Olhares Daqui
- O Pintor, de Victor Castilhos
- A Salvadora das Florestas, de Letícia Mendes
- E se fosse você?, de Gabriela Tassinari
Para saber
O 9º Festival de Santa Cruz de Cinema é uma realização do Sesc/RS, por meio do Sesc Santa Cruz do Sul, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e da Pé de Coelho Filmes, em parceria com o Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura — PNAB, mediante edital da Prefeitura de Santa Cruz do Sul/Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. O patrocínio é da JTI e da Corsan.
Filmes selecionados
Mostra Nacional
- A Tempestade (RS)
- Em uma área rural isolada, José, idoso e solitário, ganha na loteria. Antes de decidir sobre a fortuna, encontra Dara, uma mulher trans ferida após sofrer uma violência. Entre eles nasce um vínculo de cuidado, reconciliação e pertencimento. O filme é escrito e dirigido por Diego Müller, responsável pelo longa-metragem InfiniMundo.
- Bela LX-404 (RJ)
- O Sr. William (Thiago Justino), um velho rabugento e solitário, compra uma robô-esposa esperando receber um modelo jovem e atraente. Em vez disso, ele recebe a BELA LX-404 (Lea Garcia), uma robô com aparência de 80 e poucos anos. Enquanto ele tenta devolvê-la, eventos surpreendentes podem ocorrer envolvendo o Sr. William, a BELA LX-404 e Zezinho, o porteiro trans do prédio onde ele mora. Escrito e dirigido por Luiza Botelho, o curta-metragem participou do Festival do Rio e foi indicado ao Prêmio Grande Otelo.
- Brasa (SP)
- No interior do Brasil, a jovem Analu, de 16 anos, vive com a mãe e o pequeno Dani, de 2. Enquanto faz planos para fugir com o rapaz com quem namora escondido, cercada por silêncios, ela guarda um segredo. O curta-metragem de Diane Maia tem Bárbara Colen (Cinco Tipos de Medo) no elenco e foi selecionado para o Festival do Rio.
- Cabeça de Boi (MG)
- Um espírito francês, perturbado por entidades metade humanas e metade bovinas, vem até Uberaba (MG) para desvendar suas visões. Enquanto divide suas impressões da cidade, o forasteiro conecta a história do terreno de esquina da praça central com a ambígua simbologia da cabeça de boi na capital mundial do zebu e chega a uma conclusão inesperada sobre os seres que o observam. O longa-metragem de Lucas Zacarias participou do 53º Festival de Cinema de Gramado.
- Como nasce um rio (BA)
- Ayla acorda em uma paisagem montanhosa, cercada apenas por vegetação e um rio. Movida pela curiosidade e pelo desejo de conhecer o lugar, ela embarca em uma jornada de descobertas e mergulhos. Ao descobrir onde está, descobre também a si mesma. A animação é escrita e dirigida por Luma Flôres.
- Concreto Vivo (RS)
- Em Porto Alegre, pessoas ocupam edifícios em desuso em busca de (re)constituir seus lares. A direção é de Amanda Viegas, que assina o roteiro ao lado de Guilherme Neves.
- FrutaFizz (SP)
- Durante uma brecha na viagem de trabalho ao interior, Mauro, acompanhado de seu colega de trabalho, visita a cidade que marcou sua infância, confrontando memórias distantes que parecem ganhar vida a cada esquina. O filme de Kauan Okuma Bueno, que assina o roteiro ao lado de Anthony França Brown, participou do 53º Festival de Gramado e do Festival de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França.
- Girassóis (RJ)
- Em um Brasil de escala 6×1, Girassóis narra o cotidiano de Zé, um homem negro idoso que ainda é obrigado a trabalhar. Abordando a realidade que sobrecarrega os trabalhadores brasileiros, a trama reflete sobre os desafios do trabalho, desde a rotina diária até o impacto no relacionamento familiar e nas esperanças para um futuro inóspito. A obra é dirigida por Jessica Linhares e Miguel Chaves e conta com Wilson Rabelo no elenco.
- Manoel e Betinha (RS)
- O curta-metragem gaúcho de Marta Haas apresenta a história de Manoel Raymundo Soares e Elizabeth Chalupp Soares, desde a união deles nos anos 1950, no Rio de Janeiro, o período de clandestinidade durante a ditadura militar, a prisão e a tortura, até as consequências do desaparecimento e da morte do ex-sargento em 1966, em Porto Alegre. O assassinato de Manoel ficou conhecido como o Caso das Mãos Amarradas pela forma como o corpo foi encontrado, boiando nas margens do rio Jacuí, com as mãos amarradas às costas.
- Na sombra do Set (RS)
- Jogados para as sombras, cineastas com deficiência têm sua capacidade negada e são obrigados a criar suas próprias oportunidades dentro do cinema. O filme de Bella Bauer participou da Mostra Universitária do Festival de Cinema de Gramado.
- O Jogo (RS)
- Em um domingo, tensões de classe surgem quando uma patroa exige trabalho excessivo de sua empregada doméstica, gerando um embate. Escrito e dirigido por Alexandre Mattos Meireles e Chico Maximila, o curta-metragem conquistou o prêmio de Melhor Produção/Produção Executiva na Mostra Gaúcha de Curtas durante o 53º Festival de Cinema de Gramado e, mais recentemente, venceu a Mostra Internacional do Festival de Cinema de Fronteira.
- Presépio (RJ)
- No Natal, Dejair tenta convencer sua família do absurdo que é dar uma arma para uma criança. Escrito e dirigido por Felipe Bibian, a obra teve sua estreia no Festival do Rio e tem no elenco Wilson Rabelo, Luciano Vidigal e Suzy Lopes.
- Quando eu for grande (PR)
- Após uma visita ao pai e ao irmão na prisão, Gabriel (06) e sua mãe, Vera (45), retornam para casa carregados de dúvidas, medos e incertezas sobre o futuro. Vera busca não desmoronar ao ser questionada pelo filho se, quando for grande, ele também terá o mesmo destino que os homens da família: o cárcere. A produção paranaense de Mano Cappu estreou no 53º Festival de Cinema de Gramado.
- Samba Infinito (RJ)
- Durante o Carnaval carioca, um gari enfrenta o luto pela perda da irmã enquanto cumpre suas obrigações de trabalho. Em meio à folia dos blocos de rua, ele encontra uma criança perdida e decide ajudá-la. O curta-metragem de Leonardo Martinelli foi exibido no Festival do Rio e no 53º Festival de Cinema de Gramado.
- Tapando Buraco (AL)
- Rosa e Janaína são duas jovens que sobrevivem tapando buracos em uma estrada rural no alto sertão. Além da falta de dinheiro e de perspectivas de futuro, elas enfrentam a escassez de insumos básicos para sua higiene íntima, deparando-se com o preconceito, a falta de informação e os tabus sobre a temática da menstruação. A direção é de Pally e Laura Fragoso.
- Trapo (RS)
- Depois que Manu vai embora da cidade com seu celular, Léo precisa conseguir outro. Eleito melhor curta no 53º Festival de Cinema de Gramado, a obra é de João Chimendes.
- VBP – Vacas Brancas Preguiçosas (SP)
- Após chamar uma colega de classe de “vaca branca preguiçosa”, uma jovem estudante negra entra em uma saga virtual para se livrar de um cancelamento. O roteiro e a direção são de Asaph Luccas.
- Visagens e Visões (PA)
- Durante uma viagem noturna, um taxista conta a uma passageira estranhos casos ocorridos em diferentes bairros e décadas da cidade, transformando perspectivas e crenças da moça sobre a região. A animação conta com as vozes de Carol Magno e Roberto Ribeiro. O roteiro e a direção são de Rod Rodrigues.
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