Processo de concessão deve ser elaborado para restabelecer a malha ferroviária | Foto: Dudu Leal/Divulgação/GS
O futuro do sistema ferroviário brasileiro foi debatido em seminário organizado nesta semana pelo Sistema Fiergs, em Porto Alegre. A atual concessão, que tem a Rumo Logística como operadora, encerra-se no início de 2027 e o governo federal já acena com a pretensão de abrir um novo processo para a cessão, mediante compromisso de investimento.
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Cláudio Bier, destacou que o Estado perdeu mais da metade da extensão ferroviária e hoje restam 921 quilômetros, muitos em más condições de manuenção. Boa parte foi danificada com a catástrofe ambiental registrada em 2024. Por isso, na avaliação da entidade, a nova concessão deve considerar investimentos compatíveis com o atraso acumulado de aportes e a modernização tecnológica dos trilhos e do material rodante.
Bier explicou que o sistema ferroviário restabelecido melhora a competitividade, a sustentabilidade e a eficiência logística. “A Malha Sul, porém, opera muito abaixo do seu potencial, com trechos degradados, baixa confiabilidade e investimentos insuficientes, afetando a indústria, o agronegócio, o comércio, os portos e toda a cadeia logística”, afirmou.
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Em entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9, o coordenador do Conselho de Logística da Fiergs, Ricardo Portella, defendeu que seja colocada em prática a logística multimodal, com o uso de acordo com os custos. Citou que o transporte de cargas por meio de ferrovias é adequado para distâncias superiores, como 300 ou 400 quilômetros. Trechos em torno de 100 quilômetros devem continuar sendo feitos com caminhões, que estão mais modernos e com maior capacidade, o que representa menor custo.
“Quando se fala em grãos, granéis líquidos e minérios, o trem fica competitivo. Em minério ele é imbatível”, exemplificou. Reforçou ser importante restabelecer a Malha Sul, como forma de facilitar o acesso aos estados produtores de grãos e garantir a permanência de empreendimentos de setores como avicultura e suinocultura. Atualmente, essas empresas trazem milho do Centro-Oeste porque a produção gaúcha é insuficiente.
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O processo de concessão apresentado pelo governo federal agrada aos estados e às entidades representativas, como a Fiergs. “Uma das ideias que surgiu é que um opere a infraestrutura e outro a superestrutura, podendo ter vários operadores – uma grande empresa pode adquirir sua locomotiva e vagão e pagar para passar na ferrovia, como se fosse um pedágio”, contou.
Outra necessidade, aponta, é a utilização das hidrovias, mas para isso é preciso melhorar as eclusas. Os santa-cruzenses seriam beneficiados, porque existem dois portos próximos: em Estrela e Cachoeira do Sul.
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O transporte aéreo também é visto com bons olhos. De acordo com Portella, o Brasil é o segundo país no mundo em número de aeroportos, atrás apenas dos Estados Unidos. “O governo do Estado dá um incentivo importante na querosene, mas para ser operacional como carga, deve ser um produto com alto valor agregado.”
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