Algumas pessoas aguardam 15 anos para adquirir um imóvel; quitar um financiamento; concluir os estudos; ou alcançar qualquer outro objetivo. Na localidade de Pinhal Santo Antônio, no município de Sinimbu, no entanto, esse é o tempo que os moradores têm esperado por algo que nem deveria ser motivo de espera: água de qualidade.
Nas redes sociais, os registros fotográficos demonstrando a situação impressionam. Mas ao ouvir os relatos, é possível sentir ainda mais o drama daqueles que pagam por um recurso que não atende às necessidades diárias, seja pelas condições ou pela falta dele.
LEIA MAIS: Feira Rural de Sinimbu retoma atendimento presencial
Publicidade
A professora Elisângela de Andrade, por exemplo, coleciona prejuízos e momentos de revolta. “Esse problema vem de anos, mas tem piorado desde setembro do ano passado. A gente tem que comprar água. Aqui, 5 litros custam R$ 10,00, o que não é viável. Quando vamos a Santa Cruz ou quando visitamos parentes, em outras localidades, precisamos trazer.”
Ao mesmo tempo, ela relata perdas de roupas e cobertores por causa da lavagem em meio a resíduos de lama. “Chegou a um ponto que não aguentamos mais. Não queremos uma água melhorada. Temos direito a uma água de qualidade”, disse à Gazeta do Sul em visita à localidade na tarde dessa terça-feira, 7.
LEIA TAMBÉM: Defesa Civil de Sinimbu atualiza Plano de Contingência
Publicidade
A distribuição por caminhão-pipa, desde a última semana, também tem causado insatisfação. “No sábado, houve fornecimento até umas 11 horas. Depois acabou. Voltou pelas 12 horas. No domingo, estava amarela. Aí tu não tem o mercado aberto, não teve aviso prévio da falta. Era para buscar água onde? Na sanga?”, questionou Elisângela.
“Essa é uma causa nobre e de saúde pública. Não precisávamos estar questionando uma água que é direito de qualquer cidadão.” A fala do gerente comercial Jeferson Roberto Tavares Scherer representa os sinimbuenses que têm sofrido com os problemas de abastecimento.
LEIA MAIS: Cresol reúne parceiros para lançamento do Plano Safra
Publicidade
Segundo ele, embora a qualidade sempre tenha sido insatisfatória, no decorrer da última década e meia, o problema maior passou a ocorrer desde setembro de 2025. “A água começou a vir diferente. Muita sujeira, escura, com odor forte de peixe, um lodo.”
O presidente da Câmara de Vereadores, Elor Sackser, que tem acompanhado a situação de perto, também afirmou que o problema não é político, mas de saúde pública. “As pessoas pagam suas contas e não têm água potável na torneira. Nas outras localidades, a situação não está diferente. Na Linha Verão falta todo dia, assim como no Centro.”
LEIA TAMBÉM: Concessionária propõe mudanças no contrato da RSC-287, com free flow e descontos para usuários frequentes
Publicidade
A situação motivou uma audiência pública, realizada no dia 16 de junho. Já no dia 29 ocorreu mais uma reunião na localidade. Por fim, no dia 30 o grupo entregou um abaixo-assinado, juntamente com a ata.
Após a audiência pública para tratar do tema, no dia 16 de junho, na última semana medidas foram tomadas pela Prefeitura. Segundo o secretário de Obras e Trânsito, Dario Reuter, o problema em Pinhal é recorrente. “Não houve nenhuma alteração no sistema desde que a nova administração assumiu. Isso já vem se estendendo há 15 anos, aproximadamente.”
LEIA MAIS: Portal Gaz transmite anúncio dos shows da 41ª Oktoberfest nesta quarta-feira
Publicidade
Ainda conforme Reuter, apesar dos apontamentos, foram feitos levantamentos que comprovam a potabilidade. “A Prefeitura conta com os laudos de que essa água tem condições, apenas com uma coloração um pouco diferente. E houve um movimento, sim, trazendo amostras diferentes da realidade.” Apesar disso, ele diz que as ações já estão sendo tomadas. “Em conjunto com a comunidade, a administração disponibilizou um caminhão-pipa de abastecimento até a instalação de um novo sistema que já está sendo implantado”, afirma.
O prefeito Wilson Molz, por sua vez, também ressalta que a situação relacionada à água na região “sempre foi crônica”. A captação junto a um açude, implantada há 15 anos, atendia parte da população, alcançando cerca de 40 famílias. A outra parcela era abastecida por meio de poço artesiano, que apresenta capacidade de 83 mil metros cúbicos diários.
LEIA TAMBÉM: Obra da nova ponte de Alto Formosa é autorizada em Vale do Sol
“Hoje ela simplesmente ficou com a água suja. O dreno está esgotado. Por isso, esse sistema foi totalmente desligado na última semana.” Enquanto o abastecimento ocorre pelo meio alternativo, a equipe de trabalho da Prefeitura continua em ação para resolver a situação.
“Houve um grande rompimento de rede em parte do poço, que perdeu vazão. Mas ainda acreditamos que, solucionado esse problema, com a equipe toda mobilizada, trabalhando e melhorando o sistema de decantação, teremos água suficiente para abastecer as 150 famílias.”
LEIA MAIS: Agergs avalia apoiar municípios em cobranças sobre repavimentações
No último fim de semana, a administração municipal publicou comunicado em suas redes sociais solicitando o uso consciente do recurso hídrico “em razão da suspensão temporária do sistema de captação no açude”. Já na sessão da Câmara de Vereadores, ontem à noite, houve o comunicado de que teve início o abastecimento de água à comunidade por meio do poço artesiano.
QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!
This website uses cookies.