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Francisco Teloeken: “Dia das Mulheres”

O Dia Internacional da Mulher foi oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, para homenagear   mulheres da Rússia que, em 8 de março de 217, saíram às ruas para protestar contra a fome e a primeira guerra mundial. A data lembra também as 125 mulheres que morreram, em 25 de março de 1911, num  incêndio de uma fábrica têxtil de Nova York, trazendo à tona as más condições de trabalho e sobrecarga de jornada de 16 horas por dia. 

De modo geral,  ser mulher pode significar  salário menor, carreira limitada, impedimento em seleções ou promoções profissionais, além de outras restrições, algumas até inconfessáveis ou  que ocorrem em ambientes que pregam a inclusão feminina, como, por exemplo, na política. Sem falar nos assédios morais e sexuais, presentes nos mais diversos ambientes.  

Uma das grandes dificuldades das mulheres é conseguir conciliar vida pessoal e profissional. De acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Geografia  e Estatística (IBGE), as mulheres dedicam aos cuidados de pessoas e afazeres domésticos quase o dobro de tempo dos homens, o que muitos não percebem ou não reconhecem. Já em muitas empresas, a maternidade ainda é vista como um problema, pelo afastamento compulsório da licença legal e ausências eventuais, durante a gravidez, e, posteriormente,  para atender demandas especiais ou  urgentes dos filhos, o que, certamente, restringe seu acesso a cargos de liderança. 

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Na política, mesmo sendo mais da metade do eleitorado brasileiro, partidos  deixam de cumprir as cotas obrigatórias de participação feminina, alegando o desinteresse das mulheres. pelO resultado são câmaras de vereadores, assembleias legislativas e o Congresso Nacional com  menos de 30% de mulheres, número inferior ao recomendado  a ONU. 

Com relação aos salários, no Brasil as mulheres ainda ganham menos que os homens, mesmo   quando exercem  cargos idênticos e/ou possuem  formação semelhante. Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV)  constatou uma  absurda desvantagem: quanto mais as mulheres  estudam, menos ganham, comparadas aos colegas homens, com o mesmo nível  escolar. 

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Falar em dinheiro ainda é um tabu entre as mulheres. Para piorar a situação, são acusadas, injustamente, de  “gastadeiras”, no sentido de consumistas por excelência,  embora em alguns casos realmente o sejam. Uma consultoria  observou o comportamento de consumidores, constatando que as mulheres são mais racionais, preparadas e disciplinadas para comprar, atendo-se  à “listinha” e disponibilidade financeira. 

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Nos orçamentos domésticos, também,  o poder de controle está cada vez mais nas mãos de mulheres, mesmo quando não são elas as principais provedoras do lar.   O número de mulheres responsáveis financeiramente pelos lares brasileiros cresce a cada ano, sendo que chefiam  4 de cada 10 lares. Com educação financeira, a mulheres tendem a gerir as finanças da família de forma mais eficiente que o homem, evitando correr riscos e sendo mais  propensas ao planejamento com base em metas financeiras. 

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Na área de investimentos, ocupada, predominantemente, pelos homens como operadores e investidores, tem crescido a participação das mulheres. Não só na tradicional  poupança, mas também, em fundos de investimentos, ações e, mais recentemente, como investidoras ou empreendedoras em startups (início de novos negócios) e criptomoedas. Mas, a maior parte das mulheres preferem investimentos de baixo ou menor risco.

Empreender já é algo desafiador, ainda mais para as mulheres que podem enfrentar problemas maiores, como preconceitos no meio empresarial e, principalmente, a sobrecarga de atividades, em especial com o cuidado dos filhos e da casa. Mesmo assim,  já são milhões de brasileiras à frente de seus negócios próprios, colocando o Brasil nas primeiras posições do  ranking mundial do empreendedorismo feminino. 

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A  maior conquista de espaços na sociedade implicou, também, maiores fontes de estresse pela sobrecarga de atribuições – jornadas duplas ou até triplas -, pela falta de  dinheiro, pelo endividamento, entre outras. Ocorre, também, uma crescente assimilação de hábitos ou vícios – dependendo de pontos de vista -, considerados, há  pouco tempo,  de homem, como fumar e beber, e o envolvimento  no crime, com roubos, drogas e mortes violentas.

É fato que muitas mulheres ainda são desvalorizadas nos ambientes de trabalho, sociais  e até religiosos e, literalmente, subjugadas em suas relações afetivas e familiares – até assassinadas, quando resolvem por  fim a relacionamentos doentios ou opressores, o que criou a figura jurídica do feminicídio,  registrando número crescente e preocupante  de ocorrências.   

Outra violência doméstica, ainda pouco divulgada, é o abuso financeiro.  Dependendo financeiramente do marido, muitas mulheres submetem-se a situações, às vezes constrangedoras, precisando mitigar algum dinheiro para atender a necessidades pessoais. 

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Até  mulheres com remuneração maior  acabam  entregando  o salário ou renda  ao marido que se diz  melhor preparado para administrar as finanças do casal. 

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Há quem  não gosta da data, vendo no  Dia Internacional da Mulher uma invencionice, moderna e artificial, um movimento feminista e fartamente explorado pelo comércio, o que não é verdade. A data tem raízes históricas mais profundas e sérias, embora ao longo dos anos tenha se tornado um grande evento comercial. O fato é que as mulheres, que  são maioria na população do mundo, vem conquistando significativos avanços nas questões sociais, econômicas, políticas e culturais. 

Não há nada de errado no presente tradicional de flores, bombons e maquiagem, pelo Dia Internacional da Mulher.  Muitas mulheres, talvez a maioria, gostam desses mimos. O problema é quando as homenagens se resumem a esses presentes. É que flores murcham em poucos dias e bombons adoçam o paladar enquanto são ingeridos. Por isso, nesta data especial,  em que se fala tanto nas conquistas das mulheres, contribuiria muito  se houvesse cada vez mais oportunidades, em todos os espaços, para a expressão e prática das qualidades femininas –  diálogo, flexibilidade, multitarefa, cooperação, sensibilidade, intuição,  cuidado e outras -, gerando impactos positivos nas famílias, nas empresas e em todos os ambientes sociais. 

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Karoline Rosa

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