O endividamento faz parte da realidade de milhões de brasileiros, com indicadores batendo recordes de famílias endividadas. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que, em abril deste ano, 80,9% das famílias declararam ter algum tipo de dívida.
Diante dessa realidade preocupante, o governo federal lançou, recentemente, o novo programa de renegociação de dívidas – Desenrola 2.0. O objetivo é trazer alívio econômico aos brasileiros e diminuir os índices de endividamento, apontado como um dos maiores problemas atuais da economia do país. Com descontos de até 90%, o Desenrola 2.0 busca resolver o problema de milhões de brasileiros negativados e sem acesso a crédito, além de diminuir a inadimplência no sistema financeiro.
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É claro que um Programa dessa envergadura, como o Desenrola 2.0, gera dúvidas e, principalmente, avaliações positivas e negativas. Alguns especialistas reconhecem ser importante oferecer às pessoas e famílias uma oportunidade de reorganizar a vida financeira e sentir um alívio real. Já muitos veem a proposta do Desenrola 2.0 apenas como uma jogada política do governo para melhorar sua avaliação. Outros, como uma gambiarra porque não se sabe se o benefício no presente compensa os custos futuros. Mal comparando, seria como tomar um analgésico para aliviar uma dor, mas sem tratar a causa.
Embora fatores econômicos influenciem o orçamento, alguns comportamentos cotidianos e ate pensamentos podem funcionar como verdadeiros sabotadores financeiros. Identificar esses padrões é o primeiro passo para construir uma vida financeira mais equilibrada.
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Muitas decisões de consumo são motivadas pela emoção e não pela necessidade real ou até contra a situação financeira, eventualmente deficitária. Frases repetidas, aparentemente inofensivas ou jocosas, podem levar o consumidor a fazer gastos desnecessários, comprometendo o orçamento. Algumas dessas frases:
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Com relação ao cartão de crédito, trata-se de uma importante ferramenta que facilita a vida e a organização financeira das pessoas, quando usado de forma racional. Entretanto, o excesso de parcelamentos, por exemplo, pode criar a falsa sensação de capacidade de compra. Analisar apenas uma parcela, isoladamente, sem levar em conta as demais parcelas de outras compras, corre-se o risco de comprometer grande parte da renda atual e futura. Por isso, é fundamental:
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1) Considerar sempre o valor total da compra.
2) Somar todas as parcelas previstas para cada mês, antes de assumir novos compromissos.
3) Evitar utilizar o limite total disponível em cada um dos cartões.
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4) Manter uma reserva financeira para imprevistos.
5) Não confundir limite de crédito com renda mensal.
Quanto aos pequenos gastos, é muito importante dar atenção a eles. Separadamente, podem constituir-se de valores insignificantes, mas, quando somados, durante um mês e ao longo de meses, podem representar recursos importantes que poderiam ser destinados a outras finalidades, como a formação de uma reserva para imprevistos ou outros investimentos.
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A maioria das pessoas acredita que suas decisões financeiras são sempre feitas com fundamentação e com muitas justificativas. Talvez isso seja verdade, quando envolve valores maiores que podem impactar de forma considerável o orçamento. Mas, os gastos cotidianos sobre os quais não nos preocupamos ou aparentemente não necessitaríamos avaliar a decisão a tomar, ficam por conta do “piloto automático”. .
O consumo é inevitável, mas pode gerar mais problemas do que soluções ou satisfações. Muitas das dificuldades financeiras, enfrentadas por milhões de brasileiros, são decorrentes de compras e contratações realizadas sem racionalidade. A educação financeira vai ajudar nisso porque, muito além de técnicas – pesquisar preços, montar um orçamento, saber fazer algumas contas, etc. – ela é uma ciência humana que pretende promover uma mudança de comportamentos, hábitos e costumes em relação ao dinheiro.
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