Localizado no Centro de Santa Cruz, prédio se tornou alvo de furtos e invasões
O futuro do antigo prédio da Receita Federal, no centro de Santa Cruz do Sul, segue sem definição mesmo após uma série de ocorrências policiais registradas nas últimas semanas. A estrutura, que foi alvo de invasões e furtos de materiais, permanece sob responsabilidade da União e sem previsão de voltar a contar com vigilância privada. Ao mesmo tempo, continuam as discussões entre a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) e a Prefeitura sobre uma possível transferência da área para uso público.
Embora a movimentação suspeita tenha diminuído nas últimas semanas, segundo relatos de moradores, o problema está longe de ser considerado resolvido. O lugar continua sem segurança e acumula sinais de abandono, depredação e deterioração. Diante disso, a vizinhança teme que voltem a ocorrer invasões ou uso da construção por pessoas em situação de rua.
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À reportagem da Gazeta do Sul, o superintendente regional da SPU, Émerson Vitsrki Rodrigues, revelou que o órgão vinha negociando uma saída com o Executivo municipal. A intenção era antecipar a utilização do espaço por meio de um termo de guarda, mecanismo que permitiria ao Município assumir a administração provisória da área enquanto o processo de doação definitiva tramitasse.
“Estávamos em tratativas com a Prefeitura para fazer a doação e quisemos propor um termo de guarda no início do ano. A Prefeitura optou por não receber o imóvel por esse mecanismo. Nos encaminhou um e-mail dizendo que aguardaria passar o processo eleitoral para retomar a discussão”, afirmou Rodrigues.
De acordo com o superintendente, a União chegou a propor a transferência provisória porque existiria interesse do Município em utilizar o imóvel para a instalação de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). “Eu quis adiantar a situação e já dar a guarda do imóvel, mas eles não quiseram naquele momento”, explicou.
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Rodrigues frisou que, enquanto não houver definição, a União permanece responsável pelo prédio localizado na Rua Ramiro Barcelos, entre as ruas Thomaz Flores e Gaspar Silveira Martins. Entretanto, caso surja interesse de outro órgão federal ou entidade pública, uma nova destinação poderá ser avaliada. “Se houver interesse de outro órgão federal ou de alguma entidade, podemos fazer um termo de guarda e uma nova destinação”, acrescentou.
Procurada pela Gazeta do Sul, a Prefeitura de Santa Cruz do Sul informou que mantém interesse em receber o imóvel. Em nota, o Município afirmou que a possibilidade de doação segue em análise e existe discussão paralela sobre uma cessão provisória da estrutura.
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“O Município já sinalizou interesse na doação. No momento, está em estudo, entre Município e União, a possibilidade de receber o prédio a título de cedência provisória, para que o Município possa se responsabilizar pela manutenção no entorno do complexo”, diz a manifestação oficial.
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A ausência de monitoramento permanente é o ponto central das preocupações no entorno. Segundo relatos da vizinhança, o imóvel contou com vigilância privada e manutenção periódica da área externa até outubro de 2025. Após o encerramento do contrato, contudo, o prédio permaneceu sem qualquer tipo de controle contínuo.
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Questionado sobre a possibilidade de retomada da segurança, o superintendente da SPU afirmou que não existe previsão para a contratação de uma empresa privada para a área.
Após orientação do órgão federal, um morador chegou a encaminhar um e-mail detalhando a situação. O material incluía fotografias dos danos estruturais causados pela depredação e cópias de boletins de ocorrência registrados após as invasões e furtos. Mesmo assim, até o momento, não há anúncio de novas medidas de monitoramento.
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A preocupação dos moradores não se baseia apenas na aparência de abandono.
No dia 23 de maio, a Brigada Militar foi acionada para verificar a presença de um homem dentro do antigo prédio da Receita Federal. Conforme registro policial, o indivíduo disse que procurava materiais que pudesse vender e afirmou ter conhecimento de outras pessoas que frequentavam o local para furtar fios telefônicos. Houve apreensão de fios e registro da ocorrência.
Poucos dias depois, em 29 de maio, uma nova ocorrência foi registrada. Um morador ouviu barulhos vindos do interior do imóvel e acionou a polícia. O suspeito foi localizado posteriormente nas proximidades da Rua Gaspar Silveira Martins portando objetos que, segundo a ocorrência, haviam sido retirados do prédio, incluindo peças de alumínio, tubos de cobre e componentes de aparelhos de ar-condicionado.
Além desses casos, moradores contam que a Brigada Militar foi acionada diversas vezes. Em parte das situações, os invasores teriam conseguido fugir pelos fundos do terreno antes da chegada das guarnições.
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Apesar de os relatos apontarem redução na movimentação recente, os moradores afirmam que a preocupação permanece. Segundo um dos vizinhos, os barulhos vindos do prédio diminuíram, mas não desapareceram completamente.
“A movimentação reduziu bastante, mas ainda acontecem alguns barulhos. O receio continua porque ninguém sabe exatamente quem entra ou sai dali”, afirmou.
A principal preocupação dos moradores vai além da preservação do patrimônio público. O temor é de que o abandono favoreça novos furtos, invasões e situações que comprometam a segurança das residências vizinhas.
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