A falta de empresas interessadas na concessão do Bloco 2 de rodovias estaduais levou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, a defender o modelo proposto pelo Estado e criticar o que classificou como um ambiente político desfavorável aos investimentos. A manifestação ocorreu nesta quinta-feira, 4, um dia após o cancelamento do leilão que incluía a RSC-453 e outras cinco rodovias gaúchas.
Segundo Leite, processos semelhantes estão em andamento em diversos estados brasileiros e em concessões federais, com participação de investidores. Para o governador, a ausência de propostas no Rio Grande do Sul demonstra que o cenário político em torno do tema acabou afastando empresas interessadas. “Um ambiente político hostil que se criou no Estado colaborou no sentido de desmotivar investidores”, argumentou.
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Ele também afirmou que o resultado indica que as tarifas previstas no edital estavam ajustadas e sem grande margem para absorver riscos adicionais ao longo do contrato. “Os preços estabelecidos na nossa concessão estão especialmente apertados, não tendo margem para administrar eventuais riscos”, disse.
O governador confirmou que o Estado irá reavaliar o projeto após o fracasso da licitação. Conforme Leite, o objetivo permanece sendo viabilizar cerca de R$ 6 bilhões em investimentos previstos para o Bloco 2. O pacote abrangia 409 quilômetros de rodovias estaduais e incluía trechos das rodovias RS-128, RS-129, RS-130, RS-135, RS-324 e RSC-453. Entre as intervenções previstas estavam duplicações, pontes, passarelas, acessos, vias marginais e a implantação do sistema de pedágio eletrônico free flow.
Leite confirmou que o governo discutirá alternativas para retomar o processo e garantir a execução das melhorias planejadas para a malha viária. “Nós vamos revisitar os projetos e discutir agora os caminhos que vamos adotar a partir dessa frustração”, destacou.
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Ao defender a política de concessões, Leite destacou contratos que já estão em execução no Estado. Entre eles está a RSC-287, administrada pela concessionária Rota de Santa Maria, do Grupo Sacyr. Segundo o governador, a RSC-287 e as rodovias do Bloco 3, na Serra Gaúcha, deverão somar 71 quilômetros de duplicações concluídas até o final de 2027.
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“Entre esses dois blocos, a gente vai entregar até o final do ano que vem 71 quilômetros de duplicação”. Ele afirmou que esse volume supera praticamente tudo o que foi duplicado pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) ao longo da história recente da autarquia. “É o que o Daer foi capaz de fazer praticamente em toda a sua história de duplicação”, comparou.
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A RSC-287 passa por obras de ampliação em diferentes trechos e é considerada uma das principais ligações entre a Região Metropolitana, o Vale do Rio Pardo e a Região Central do Estado.
Com o cancelamento do leilão, ficam suspensos os planos de concessão da RSC-453 entre Venâncio Aires e Lajeado. O projeto previa a ampliação da capacidade da rodovia, além de novas estruturas voltadas à segurança e à fluidez do trânsito.
A partir de agora, o Estado deve promover ajustes e publicar um novo edital para tentar efetivar a concessão do Bloco 2. No entanto, por causa dos prazos e da eleição em outubro, existe expectativa de que o assunto possa ficar para quem assumir o governo gaúcho a partir de janeiro.
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