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Guerra, o exato oposto de paz

Se a sociedade global chegou ao início do novo ano enunciando votos efusivos de paz, harmonia e segurança, não foram precisos mais do que dois ou três dias para que se escancarasse o contrário: em ano de Copa do Mundo e expectativa de congraçamento entre povos (sendo os Estados Unidos, veja só, uma das sedes) é quase certo que viveremos em turbulência. A ação dos EUA contra a Venezuela trouxe para próximo do Brasil o clima beligerante e de conflagração que se via, com temor, em vários lugares do planeta. E, se por um lado ninguém duvidaria da necessidade de mudança no quadro político e social no país vizinho, diante da permanência ilegítima de Maduro no poder pela via da fraude, é certo também que a maneira como tudo se deu não sinaliza para solução tranquila, rápida, ou que realmente resulte em democracia e sossego.

O fato é que a instabilidade política, econômica e social advinda de jogos de poder e de interesse, em detrimento de segurança coletiva e estabilidade, afeta a todos, e não importa em que lugar do mundo se viva. As tarifas aplicadas por Trump em 2025 a dezenas de países, entre eles o Brasil, já haviam criado tamanha instabilidade e incerteza em relação ao comércio global que, provavelmente, muitos anos serão necessários até que se elimine e evite prejuízos, e até que a sociedade realmente volte a ter ganho. É o tipo de ação ou de medida em que, no final das contas, todos perdem.

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O mesmo vale para um estado de guerra: quando dois ou mais países se envolvem em conflito armado, como os que se verifica, já declarados ou na iminência, em várias regiões, a população de todos eles, e a das nações vizinhas, sofre privações, com medo, insegurança, instabilidade no abastecimento etc. No caso da situação política e econômica da Venezuela ao longo dos últimos anos, tanto o Brasil quanto a Colômbia e outros países da América do Sul já sentiram duros reflexos, tendo em vista que milhões de venezuelanos deixaram suas cidades e partiram para outros lugares, nos quais buscaram refazer a sua vida. Pelo visto, não é agora, ou em curto prazo, que poderão planejar algum retorno seguro.

Por isso, cabe a cada um de nós torcer com toda a ênfase (mais do que isso, mobilizar-se a fim de contribuir de forma proativa, e não de maneira a conflagrar ainda mais o quadro) para que a paz e a harmonia sejam restabelecidas. Não é possível que gerações inteiras não consigam desfrutar, em pleno século 21, de um mínimo de conforto e qualidade de vida, e sejam empurrados para uma rotina com tensão constante. Que possamos, em nossa realidade, e também os outros povos, viver em harmonia e explorar nossos dons e nossas vocações, com dignidade e alegria.

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Isso precisa ser buscado por cada pessoa. Em especial, deve ser promovido por lideranças e autoridades, ainda mais as que foram designadas, por escolha da maioria da sociedade, para cuidar dos assuntos públicos, e não para criar ainda mais problemas, junto com os tantos que já existem. Que saibamos agir como seres pensantes, seres que sentem, e não como irracionais e insensíveis. O mundo agradecerá. Em tempo: um alento vem da aprovação, nessa sexta-feira, do acordo econômico entre a Comunidade Europeia e o Mercosul, longamente acalentado, e que constitui um fato para a história. A partir dele, quem sabe, um novo cenário de mercado se estabelecerá, benéfico também para a realidade regional.

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Karoline Rosa

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Karoline Rosa

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