Família: filha Carolina, Gilmar e a esposa Roci
Gilmar Fernando Weis morreu aos 69 anos no dia 26 de junho, em decorrência de problemas de saúde agravados nos últimos meses. Ele era casado com Roci Carmem Junqueira Weis, educadora física, e tinha uma filha, a psiquiatra Carolina Junqueira Weis. Graduado em Educação Física na antiga Faculdades Integradas de Santa Cruz (Fisc) em 1982, tornou-se mestre em Desenvolvimento Regional no ano de 1996. A dissertação é uma referência histórica sobre o basquete santa-cruzense e as analisa as implicações da modalidade na cultura local. Weis levantou dados para estabelecer como o basquete deixou de ser apenas uma prática na Sociedade Ginástica e se transformou em um grande fenômeno cultural e econômico. A pesquisa focou na profissionalização do Corinthians Sport Club e nas parcerias com grandes empresas que permitiram a conquista da Liga Nacional de Basquete em 1994, transformando Santa Cruz do Sul na “capital do basquete”.
Na atividade profissional, Gilmar era docente na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e atuou como técnico e preparador físico do Corinthians entre 1988 e 1997. Em 2001, criou o projeto Cestinha, que ficaria marcado pela relevância comunitária. No auge, com apoio do Sesi, a iniciativa chegou a reunir 1,3 mil crianças e adolescentes em 14 núcleos, com extensões em Venâncio Aires e Vera Cruz, sem qualquer custo. Além do ensino dos fundamentos do basquete para os jovens entre 9 e 15 anos, o Cestinha promovia a inclusão social, principalmente para os participantes que viviam em situação de vulnerabilidade. Ao todo, cerca de 22 mil alunos passaram pelo projeto. Alguns seguiram carreira e tornaram-se profissionais. Até mesmo professores e treinadores.
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O bioquímico Marion Pereira da Rocha aponta que Gilmar teve participação determinante na formação dos filhos Felipe e Rafael. Para ele, o Cestinha era parte essencial do processo de desenvolvimento dos garotos.
“Sou testemunha ocular da contribuição do Gilmar por acompanhar meus filhos a quase todas as competições nos anos em que participaram do projeto. Eu e minha esposa viajávamos para assistir aos jogos quando eram fora de Santa Cruz do Sul. O Gilmar sempre dizia que há um triângulo fundamental na formação das crianças e jovens: a família, a escola e o esporte. Todos esses três elementos do aprendizado são importantes e precisam coexistir em harmonia. Ele sempre enfatizou a importância de uma boa base familiar”, relatou Marion.
Marion lembra que ao menos dois jovens se deslocavam de Candelária duas vezes por semana para treinar na Unisc. Por conta da dedicação dos atletas, equipes de algumas faixas etárias tornaram-se federadas para disputar competições. Os títulos começaram a aparecer, seja a nível estadual como nacional.
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Marion enfatiza que Gilmar fazia questão de ressaltar que o mais importante não eram os troféus mas os aprendizados a partir de cada desafio. “O professor Gilmar ensinava a saber vencer e saber perder, de ser educado com os colegas e com os oponentes, levantar-se após a queda, ter ambição saudável, cuidar o corpo físico, ter domínio mental, não ser psicologicamente frágil, interagir com amigos, aprender com eles e ensiná-los, exercitar a gratidão, e dedicar-se na escola”, elencou.
Alunos do projeto Cestinha precisavam ter boas notas na escola para participar dos jogos importantes. Era uma estratégia para que não perdessem o foco nas aulas durante o ano letivo. Segundo Marion, todos os estímulos eram para o crescimento pessoal.
Outro ponto proporcionado pelo projeto era o convívio entre as diferentes classes sociais. “A experiência era enriquecedora para os jovens. Lembro que, em uma das viagens, alguns garotos avistaram o mar pela primeira vez. O espírito aguerrido nos jogos e as descontrações e brincadeiras fora deles moldavam a personalidade de cada um e contribuíam a autoestima, para a formação do caráter e para momentos de congraçamento e união. Gilmar é um nome a quem milhares de jovens e famílias são devedores. Uma dívida intangível, que nunca será cobrada. Gilmar nunca fez por alguma recompensa, que não fosse promover educação e todas as formas de elevação humana por meio do esporte. E fez isso com intensidade”, concluiu.
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