Gabriel Martinelli marcou o gol salvador para classificar o Brasil
Já não existe mais jogo fácil, e o Japão está aí para provar. Uma seleção sem tradição entre as potências do futebol mundial exigiu do Brasil concentração e esforço até os últimos instantes dos acréscimos. Organizado em um 5-4-1 que mais parecia uma muralha, o adversário demonstrou enorme disciplina tática, intensidade na marcação e disposição para competir, impondo um tipo de desafio que a Seleção ainda não havia encontrado nesta campanha.
Nas oitavas de final, o Brasil enfrentará Costa do Marfim ou Noruega, equipes que também não figuram entre as favoritas, mas cresceram no cenário internacional e certamente exigirão um nível de atuação superior para que a classificação aconteça.
O Brasil foi previsível nas ações ofensivas e, justamente por isso, encontrou enorme dificuldade para desmontar a retranca japonesa. Sabendo das limitações brasileiras pelos corredores laterais, o Japão congestionou a entrada da área e reforçou a marcação sobre os pontas. Vinícius Júnior sofreu com a falta de aproximação dos companheiros, ficando isolado e com pouco espaço para decidir.
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No segundo tempo, os japoneses praticamente abriram mão de atacar e permitiram um domínio quase absoluto do Brasil. Ainda assim, o repertório ofensivo se resumiu, em boa parte do tempo, a cruzamentos para a área. A estratégia, embora pouco habitual, acabou funcionando no primeiro gol. O segundo nasceu em uma das raríssimas falhas defensivas do Japão, até então praticamente impecável.
Há algumas Copas, o Brasil insiste em correr riscos ao apostar em jogadores que atravessam fases pouco convincentes. Contra o Japão, Danilo e Casemiro – apesar do gol marcado – estiveram entre os desempenhos mais discretos. No lance do gol japonês, não considero que Alisson tenha falhado, mas é o tipo de bola que um goleiro em seu auge talvez conseguisse defender. A confiança de Ancelotti em jogadores mais experientes é compreensível, mas o que o campo mostra é cada vez mais claro: algumas mudanças deixaram de ser opção e passaram a ser necessidade.
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