Foto: Luana Backes
Após quase nove horas de julgamento, o Tribunal do Júri da Comarca de Santa Cruz do Sul absolveu, nesta terça-feira, 30, Hellyton Rafael Behling Rodrigues, de 22 anos, das acusações de participação no sequestro, homicídio qualificado e ocultação de cadáver de Douglas Henrique Ferreira, de 33 anos. O julgamento teve início pela manhã e foi encerrado por volta das 18h30.
Após a votação dos quesitos, o Conselho de Sentença concluiu que não ficou comprovada a participação de Hellyton nos crimes investigados. Diante da decisão dos jurados, a juíza Márcia Inês Doebber Wrasse declarou a absolvição do réu.
O Ministério Público foi representado pelo promotor de Justiça Gustavo Burgos de Oliveira. A defesa foi realizada pelos advogados Diego Lopes dos Santos, Samuel Almeida Keller, Cauan Ferreira Colares e Maurício Russel Seixas. O Conselho de Sentença foi composto por quatro homens e três mulheres.
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O julgamento foi acompanhado durante todo o dia por familiares da vítima e do réu. Do lado de fora do Fórum, parentes e amigos de Douglas utilizaram camisetas e cartazes pedindo justiça. Já os familiares de Hellyton permaneceram no local acompanhando a sessão, mas sem manifestações públicas.
A primeira testemunha ouvida foi a mãe de Douglas, que prestou um depoimento marcado pela emoção. Ela relembrou que o último contato com o filho ocorreu por chamada de vídeo, quando ouviu dele a frase “te amo, mãe”. Também afirmou que jamais conseguiu vê-lo novamente e que, após a localização do corpo, não pôde realizar um velório com o caixão aberto nem se despedir do filho. Disse ainda que passou a levar flores ao túmulo do filho em datas como o Dia das Mães e relatou que os filhos pequenos de Douglas continuam perguntando pelo pai.
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Na sequência, a irmã da vítima contou que estava grávida de seis meses quando o crime ocorreu. Ela relatou ter procurado informações sobre o desaparecimento do irmão e registrou a ocorrência policial após receber informações que levaram ao início das investigações.
Também foram ouvidos o delegado Marcelo Chiara Teixeira, que responde pela Delegacia de Polícia de Passo do Sobrado, e o delegado Guilherme Dill, titular da Delegacia de Polícia de Venâncio Aires.
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Marcelo detalhou o início das investigações, a localização do veículo apontado como utilizado no crime e o trabalho policial que levou à identificação dos suspeitos.
Já Guilherme Dill explicou que policiais civis de Venâncio Aires localizaram o corpo de Douglas submerso no Rio Taquari Mirim, preso pelas roupas em galhos sob a ponte.
A defesa apresentou testemunhas: o pai de um amigo e empregador de Hellyton e um professor, ex-vice-prefeito e ex-prefeito de Passo do Sobrado, ambos com depoimentos favoráveis ao réu. Uma terceira testemunha foi dispensada.
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Hellyton prestou depoimento durante a tarde. Foi a primeira manifestação dele sobre o caso desde o início das investigações. Porém, ele optou por responder apenas às perguntas formuladas pela defesa e pelos jurados.
Ele afirmou que não sabia o que aconteceria naquela noite e que entrou no veículo apenas para aceitar uma carona após deixar o trabalho.
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Segundo a denúncia do Ministério Público, Douglas foi sequestrado na madrugada de 11 de julho de 2025, em Passo do Sobrado. A acusação sustentava que Hellyton, juntamente com Henriquiel William Dias, Erik Filipe Pedroso da Luz e Vinicios de Moraes, teria participado da abordagem da vítima, que foi colocada à força no porta-malas de um automóvel e levada até uma estrada vicinal próxima à ponte sobre o Rio Taquari Mirim.
Ainda conforme a denúncia, Douglas foi novamente agredido e, posteriormente, morto com diversos golpes de arma branca desferidos por Henriquiel, enquanto os demais denunciados impediriam sua fuga. O laudo pericial apontou nove perfurações, principalmente na região do rosto e do pescoço, sendo fatais as lesões que atingiram a artéria carótida e a veia jugular. A arma utilizada nunca foi localizada.
Após o homicídio, segundo o Ministério Público, o corpo foi lançado no Rio Taquari Mirim para ocultação e acabou localizado pela Polícia Civil cinco dias depois.
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Hellyton foi o primeiro dos quatro denunciados a ser levado a julgamento. Os processos dos demais permanecem suspensos, pois eles recorreram da decisão de pronúncia e aguardam julgamento dos recursos pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.
Após a absolvição, a defesa afirmou que recebeu a decisão “com o sentimento de justiça feita”. “Tínhamos a convicção de que ele era inocente desde o início. Hoje um pai e uma mãe terão a satisfação de receber novamente o filho em seus braços”, declarou a defesa.
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