Em cartaz no Cine Max Brasil, Kill Bill – The Whole Bloody Affair reúne os dois volumes da sanguinária história de vingança de Quentin Tarantino. Concebido originalmente com dez capítulos, com mais de quatro horas de duração, a obra foi separada em duas após o cineasta ser convencido pelos executivos da produtora, a Miramax, de que o filme, o mais caro de Tarantino até então, teria mais chances de alcançar sucesso comercial.
E os engravatados estavam certos: somados, os dois volumes arrecadaram US$ 333 milhões em todo o mundo, a maior bilheteria do cineasta até então.
Apesar do excelente sucesso financeiro e de crítica, Tarantino desejava mostrar ao público a versão original. Em 2006, The Whole Bloody Affair fez sua primeira aparição em Cannes, alimentando a expectativa de que um dia estaria acessível para todos. No entanto, as exibições tornaram-se raras, fazendo com que virasse uma lenda.
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Eis que, no fim de 2025, o diretor, detentor do filme, decidiu apresentar ao mundo a versão definitiva de Kill Bill. Meses depois, finalmente chegaria ao Brasil para os fãs. A espera era justificável: a saga da Noiva (Uma Thurman) em busca de vingança contra o Esquadrão Assassino de Víboras Mortais transformou-se em um fenômeno cultural. Ao incorporar elementos clássicos do cinema asiático (das lutas de espada japonesas às artes marciais chinesas) e dos faroestes italianos (Spaghetti Westerns), Tarantino apresentou o melhor desse cinema a uma nova geração de cinéfilos.
Para além de técnica cinematográfica, o coração da história está nos personagens e nos diálogos, eternizados pela excelente atuação dos atores. Uma Thurman se entrega de corpo e alma no papel da Noiva, conquistando o público com a sua jornada de dor e violência. Já David Carradine nasceu para ser Bill. A combinação desses elementos fez de Kill Bill não só o ponto alto da carreira de Tarantino, mas a história de vingança definitiva.
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Mas, afinal, por que vale a pena assistir The Whole Bloody Affair? Embora Kill Bill funcione muito bem separado em dois volumes, ver a história na sua integralidade é uma experiência totalmente diferente. E isso vai muito além da mera combinação dos filmes.
A versão definitiva faz algumas alterações para unificar a narrativa. E isso passa pela remoção do gancho deixado no final do Volume 1, no qual é revelado que a filha da Noiva, que ainda estava na barriga da mãe quando foi baleada, está viva. Assim, o público descobre a verdade sobre a menina junto com a Noiva no último capítulo da história, e não na metade.
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Sem se preocupar com a censura dessa vez, Tarantino pode incluir ainda mais violência à narrativa – sim, há mais. A famosa luta da espadachim mortal contra os 88 loucos agora está colorida, e não em preto e branco, como anteriormente, tornando a cena ainda mais sanguinolenta do que nunca. E a nova versão acrescenta ainda mais desmembramentos à batalha, que já era a mais insana do filme.
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Há ainda uma nova cena de animação que aprofunda a história de O-Ren Ishii (Lucy Liu) ainda jovem. Criado pelo mesmo estúdio responsável pelo segmento em 2003, o novo trecho incorpora-se com naturalidade ao apresentar o mesmo estilo. E, embora não acrescente em nada à narrativa, enriquece ainda mais a personagem, evidenciando o quanto ela é uma antagonista mortal.
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As quatro horas e meia podem assustar, mas não se preocupem: há um intervalo entre um volume e outro, o suficiente para se levantar, alongar e ir ao banheiro.
Ao final da sessão, a sensação de assistir a The Whole Bloody Affair é a mesma de estar em um concerto da sua banda favorita. É um evento cinematográfico para viver no cinema, que irá se tornar uma experiência que ficará ternizada na memória do público.
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