Saúde e Bem-estar

Lábios rachados e pele ressecada nem sempre são culpa do frio; entenda

Os dias frios costumam vir acompanhados de uma queixa recorrente: pele seca, lábios rachados e sensação constante de ressecamento. Embora muitas pessoas atribuam o problema apenas às baixas temperaturas, o frio não é o principal responsável. A combinação entre baixa umidade do ar, vento, mudanças bruscas de temperatura e alguns hábitos típicos da estação favorece a perda da hidratação natural da pele e compromete sua barreira de proteção.

Diante desse cenário, a dermatologista Gabriela Grossi da Hapvida alerta para a importância de reforçar os cuidados com a pele durante o inverno, especialmente entre idosos e pessoas com diabetes, que naturalmente apresentam maior predisposição ao ressecamento.

Pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revela que a hidratação da pele ainda não faz parte da rotina de muitos brasileiros. Segundo o estudo Derma Brasil, 39% da população não utiliza cremes hidratantes para o corpo e 57% não adota produtos específicos para hidratação facial. A pesquisa também aponta que a Região Sul concentra um dos maiores índices de pessoas com pele seca no país. Para a dermatologista da Hapvida Gabriela Grossi, esses hábitos, aliados às características do inverno, ajudam a explicar por que o ressecamento se torna ainda mais frequente nesta época do ano.

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“A pele perde água com mais facilidade durante o inverno porque há menor umidade do ar, mais vento frio e redução da produção natural de oleosidade e suor. Isso enfraquece a barreira cutânea e favorece o ressecamento. Nos lábios, esse processo é ainda mais intenso porque a pele da região é muito fina e praticamente não possui glândulas sebáceas para ajudar na hidratação”, explica. 

Ainda de acordo com a especialista, a combinação entre o clima seco e ambientes fechados, muitas vezes aquecidos ou climatizados, potencializa a desidratação da pele e torna os cuidados diários ainda mais importantes. Além disso, mudanças bruscas de temperatura, como sair de um ambiente aquecido para enfrentar o frio, também comprometem a barreira de proteção da pele. “Essas oscilações favorecem a perda de água e deixam pele e lábios mais vulneráveis ao ressecamento. Além disso, ambientes com aquecedor ou ar-condicionado costumam ser mais secos e contribuem para aumentar a desidratação”, afirma. 

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A dermatologista explica que, além das condições climáticas, alguns hábitos bastante comuns durante o inverno também favorecem o ressecamento da pele e dos lábios. Entre eles estão os banhos muito quentes, o uso de buchas, esfoliantes e sabonetes mais agressivos. “Muitas pessoas acreditam que quanto mais quente o banho, melhor será a sensação de conforto, mas isso remove a camada natural de proteção da pele e favorece o ressecamento”, ressalta. 

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Outro hábito frequente é lamber os lábios quando eles estão secos. “A saliva evapora rapidamente e leva ainda mais água da superfície da pele, agravando o ressecamento. Inclusive podem surgir dermatites irritativas devido à maior acidez da saliva”, acrescenta. 

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Gabriela também recomenda pequenas mudanças na rotina para evitar o problema. Entre elas estão banhos rápidos com água morna, o uso de sabonetes líquidos mais suaves, preferencialmente aplicados apenas com as mãos, e a hidratação da pele logo após o banho com produtos mais consistentes. Nos lábios, o uso frequente de balm labial ao longo do dia e antes de dormir ajuda a preservar a hidratação. “Produtos com glicerina, componentes oclusivos e filtro solar durante o dia costumam ser boas escolhas. Também é importante manter uma boa ingestão de água e evitar exposição prolongada ao vento frio”, esclarece. 

Embora o ressecamento seja esperado nesta época do ano, alguns sinais indicam a necessidade de uma avaliação dermatológica. Fissuras dolorosas, sangramentos, crostas, vermelhidão intensa, coceira persistente, ardor ou descamação que não melhora com os cuidados básicos podem indicar um problema que exige avaliação especializada. “Também é importante procurar um dermatologista quando houver sinais de infecção, lesões recorrentes ou alterações ao redor da boca. Nesses casos, o quadro pode exigir um tratamento específico”, finaliza a dermatologista. 

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Karoline Rosa

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