Escrevi algumas vezes sobre o tempo e como o vejo passar. Já me disseram que chegaria um dia em que eu me olharia no espelho impressionado com os sinais que a vida deixou no meu semblante.

No meu aniversário de trinta anos, o espelho não me contou nada que eu não soubesse. Como uma pessoa intensa, vejo que cheguei até aqui forte e emparelhando juventude com experiência.

Como aprendi a descansar, durmo principalmente para sonhar.

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Desde que me conheço por gente, gosto de alimentar minha imaginação olhando para as estrelas, para as nuvens e para o pôr-do-sol, meu momento favorito do dia. Nos dias em que as responsabilidades mais apertam, encontro soluções no que o céu me mostra.

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Noto que já me estressei demais em ser prevenido e, mesmo assim, levei algumas pauladas da vida: essas me apresentaram meus limites e o quanto é importante respeitá-los. Atalhei muitos caminhos por observar onde os outros erraram.

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Tive grandes conselheiros desde piá. Com eles aprendi que um cachorro se torna teu amigo depois de ganhar carinho atrás das orelhas e que as pessoas ruins sabem criar sorrisos lindos.

Em algum rincão nas profundezas do meu peito, se esconde quieto o educado guri que fui: tímido, mas artístico; desajeitado, mas estudioso; bagual, mas sensível; alegre, mas solitário.

Entretanto, minha essência floresceu depois que descobri como é maravilhoso ter amizades. Conservo meus amigos como minha maior fortuna e qualquer desculpa vira motivo para estar com eles.

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Com as pessoas que levo comigo, aprendi que os sonhos servem para encostarmos neles com a mão. Sempre houve quem me lembrasse, nos momentos certos, de onde eu queria chegar.

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Incentivo e carinho dos que me são próximos foram decisivos para minhas conquistas, pois, por melhor que eu seja, jamais terei somente em mim toda a força de que preciso.

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Sendo a amizade uma via de mão dupla, busco acompanhar o que acontece na vida dos meus e participar efetivamente das lutas deles. Minha felicidade também está em vê-los conquistando os seus objetivos.

O que não consigo esconder é a sinceridade crua dos meus olhos: eles produzem o reflexo mais fiel da minha alma. Quem me conhece bem – ou quem entende de fisionomia – traduz o que eu penso ao medir o meu olhar.

Quem sabe meu jeito de ver o mundo siga me ensinando sobre mim e sobre as outras pessoas na nova década que se abriu na minha vida. Quando eu completar quarenta anos, espero que eu me olhe no espelho e ainda acredite que os sonhos não envelhecem.

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Guilherme Andriolo

Nascido em 2005 em Santa Cruz do Sul, ingressou como estagiário no Portal Gaz logo no primeiro semestre de faculdade e desde então auxilia na produção de conteúdos multimídia.

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