Há cerca de seis anos, a jovem se dedica a pinturas faciais, maquiagens, customizações de roupas e objetos | Foto: Emely Fredrich
Trabalhar com o que se gosta e com o próprio talento não é a realidade para muitas pessoas. No entanto, Mariele Tais Heck, 28 anos, moradora do Bairro Esmeralda, em Santa Cruz do Sul, fez essa escolha. Sim, uma escolha. Entre uma profissão que lhe exigia diploma, graduações, jornadas de trabalho com cargas horárias a serem seguidas à risca, ela decidiu deixar o cargo na empresa onde trabalhava, em regime CLT, e passou a se dedicar ao que sempre gostou de fazer desde criança: pintar e desenhar, mesmo que em sua visão fossem comuns.
Tudo começou em 2020, quando passou a criar e pintar vasinhos. Pediu ao pai para comprar um saco de cimento. Sem entender nada, ele atendeu ao pedido da filha. Logo nasceram os primeiros trabalhos de Mariele, que lhe abriram as portas. Os objetos causaram ótimas impressões e, a partir disso, pessoas perguntavam se ela havia feito cursos, e também vieram encomendas e convites.
O dom havia aflorado e a prática fez com que a dedicação se tornasse cada vez maior. Começou a criar incensários, customizar roupas e participar de feiras. “Para conseguir renda, passei a pintar tudo: vasinhos, incensários e paredes; o que ainda era algo novo aqui na cidade. Em seguida, comecei a fazer a pintura de rostos de crianças e adultos.”
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São diversas as ocasiões em que o talento de Mariele entra em cena, como, por exemplo, no Carnaval, no Bailinho da Borges, no Halloween, na Procissão das Criaturas, em festas de família e de escolas, aniversários de crianças, casamentos e formaturas.
“Vivo da arte porque, mesmo se eu for tentar trabalhar com alguma outra coisa, com certeza não vou ser feliz. Já tentei fazer isso, mas hoje sei que é mais saudável não ganhar tanto quanto uma pessoa que tem uma pós-graduação ou que tenha um emprego melhor. E o que importa é a minha felicidade, das pessoas à minha volta.” Mariele ressalta, ainda, que seu objetivo é levar alegria, diversão e felicidade para as pessoas.
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Seu maior projeto até hoje foi mais do que um trabalho como os outros. Ele veio carregado de lembranças. Após ter sido atingida pela enchente em 2024, a Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Criança Feliz, de Sinimbu, foi restaurada.
Mariele foi convidada para decorar as paredes do educandário, além de pintar “amarelinhas” no chão. A jovem conta que o processo se desenvolveu em meio a muita emoção; afinal, duante sua infância, a avó tinha uma casa nas proximidades. Por conta disso, Mariele, quando menina, passara bons momentos no lugar em que, agora, havia ficado um rastro de destruição.
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O sonho de Mariele é viver do seu trabalho com estabilidade e propósito. “Quero ser reconhecida não só pelo que faço, e sim pelo cuidado, pelo capricho e pelo carinho com que entrego e pelo impacto que a arte é capaz de gerar nas pessoas. Trabalhar com o que se ama é lindo, mas exige alma, coragem e muita dedicação.”
Ela enfatiza que a gratidão e a emoção causadas pelo seu trabalho não estão somente em quem o recebe. “Quando vou em algum evento de aniversário de crianças, elas adoram e acham muito divertido e diferente. Da mesma forma, quando pinto uma parede em algum espaço que está sendo inaugurado ou reinaugurado, e posso fazer parte disso, só me leva a crer que tudo é possível para quem quer.”
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