Antes de as cidades contarem com rede de esgoto e os vasos sanitários se popularizarem, o ato de ir ao banheiro (WC) podia ser complicado. As residências, na maioria, possuíam uma latrina (patente) no fundo do terreno. Em 1921, uma metalúrgica de Porto Alegre lançou a “latrina portátil”, que não exalava odor e prometia amenizar as dificuldades. Em Santa Cruz, o revendedor era o bazar de Wilhelm (Guilherme) Kuhn.
A Latrina Inodora Rio Grandense chegou como uma novidade para a época, ideal para residências, hotéis, colégios, fábricas, lojas e outros. Servia para crianças e adultos e que, por não liberar mau cheiro, podia ser colocada em qualquer cômodo e lá ficar por alguns dias. “Higiênica e confortável, é construída em metal, esmaltada em cor verde ou branca, tampa e assento de cedro polido, de aparência formosa”, destacava a peça publicitária guardada no Museu do Mauá.
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Ao contrário da latrina convencional, que era uma casinha construída sobre um buraco aberto no chão, ou dos penicos que ficavam embaixo das camas, a Rio Grandense não liberava nenhum tipo de cheiro. O fabricante explicava que, no fundo latão, eram colocados oito litros de água e meio litro de um “producto chímico” produzido pela empresa. Este reduzia os excrementos a um líquido inofensivo e sem cheiro, que podia ser despejado no quintal.
Ela era vendida com uma lata do produto, que durava quatro meses. “Uma família de cinco ou seis pessoas levará de dez a quinze dias para encher o recipiente.” Durante o período em que a latrina estivesse em uso, a metalúrgica garantia que não haveria mau cheiro. “Se alguém comprovar o contrário, receberá o dinheiro de volta.” Também dizia que “todas, antes de serem colocadas à venda, são caprichosamente inspecionadas, para que nada atrapalhe seu uso.”
O moderno equipamento custava 135$000. “O transporte para qualquer local é fácil e não exige nenhum tipo de instalação. Quem compra, livra-se para sempre do fedor, micróbios, sujeiras e incômodos gerados pelas latrinas”, finaliza o anúncio.
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