Carrocinhas da limpeza percorriam as ruas e recolhiam os cubos cheios para trocá-los por limpos
Semana passada, destacamos a chegada, em 1921, de um produto considerado inovador, a Latrina Inodora Rio Grandense. Ela prometia não exalar mau cheiro e poderia ser colocada em qualquer parte da casa. Em Santa Cruz, o bazar de Wilhelm Kuhn fazia as vendas.
O assunto levou à coluna desta segunda-feira, 30, pois leitores nos pediram mais informações sobre as latrinas (ou patentes), os cubos e detalhes da evolução dos banheiros. No tempo em que não havia rede de esgoto e os vasos sanitários constituíam-se em artigo de luxo, as residências tinham “casinhas” nos fundos dos pátios. Elas ficavam sobre um buraco cavado no solo. Quando enchia, era coberto com terra e a latrina mudava para outro ponto do terreno.
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Em 1894, a intendência implantou o sistema de recolhimento de dejetos em algumas ruas centrais. Barris de madeira, chamados de cubos, eram colocados no fundo da patente para receber as fezes e a urina. Semanalmente, carroceiros terceirizados (cubeiros) passavam de manhã cedo e trocavam os cubos cheios por outros vazios. Eles eram levados até a Sanga Preta, na região da Várzea, para serem despejados e lavados.
Em 1925, a Prefeitura destinou uma área, nas imediações da atual Estação de Tratamento de Esgoto da Corsan, para depositar os dejetos. Foi proibido o despejo na Sanga Preta e a limpeza dos cubos passou a ser feita em outro córrego, abaixo da ponte do Bom Jesus. Até a década de 60, o sistema ainda existia nas ruas mais distantes do Centro.
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Mas enquanto boa parte da população sofria com latrinas, cubos e penicos, os vasos sanitários com descarga de água começaram a se popularizar e, por serem higiênicos, podiam ser instalados no “quarto de banho”, dentro de casa. Ali ficava o vaso, o chuveiro e a banheira (sinônimo de status).
Mas a poluição continuava, pois os canos ficavam ligados diretamente na rede de esgoto (já existente em algumas ruas) ou desembocavam em valetas a céu aberto. A Prefeitura então passou a exigir a instalação de fossas, que recebiam os dejetos saídos do vaso. Quando estavam cheias, trabalhadores retiravam a cobertura, esvaziavam-na com baldes e transferiam o conteúdo para tonéis, que eram despejados na área determinada pela Prefeitura.
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