Odécio Hasstenteufel (falecido em 1999) teve sua vida ligada à arte do cinema, da filmagem e da fotografia. Seu projeto maior era o cinema itinerante, que levava alegria às comunidades do interior e dos bairros.

Nascido em Palmeira das Missões, em 1939, foi estudar em Farroupilha, onde encantou-se pela “sétima arte”. Sem dinheiro para o ingresso nas matinés, ofereceu-se para trabalhar como rebobinador de fitas e assistia aos filmes de graça. Já adulto, na cidade de Feliz, conheceu o austríaco Ramon Conrad, que percorria o Brasil apresentando filmes e produzindo documentários com uma câmera 35 mm. Odécio associou-se a ele e efetuavam projeções nas colônias.

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Com a Segunda Guerra Mundial, terminaram as viagens e Hasstenteufel passou a trabalhar como retratista. Em 1952, veio o convite para que atuasse no Estúdio Arthur, em Santa Cruz do Sul, onde fixou raízes. Ele criou o Estúdio Odécio e ofereceu seus serviços como fotógrafo e cinegrafista. O primeiro filme que produziu foi sobre o centenário de Rio Pardinho (novembro de 1952). Seguiram-se as três edições da Festa Nacional do Fumo (Fenaf) e grandes eventos em cidades gaúchas.

Mas ele tinha o sonho de passar filmes para as pessoas que possuíam pouco ou nenhum acesso aos cinemas. Adquiriu dois projetores que instalou em uma caminhonete e começou a levar a diversão para o interior e bairros. Fitas do Mazaroppi, Grande Otelo, Oscarito, Gordo e Magro, Os Três Patetas, Teixeirinha, José Mendes, faroestes e outros faziam sucesso, assim como os documentários sobre as grandes guerras. Películas sem som recebiam “trilha sonora” que ele mesmo preparava.

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O roteiro do cine itinerante era anunciado pela rádio e as apresentações ocorriam nos salões de baile, que lotavam aos sábados e domingos. Na colônia, onde não havia luz elétrica, um gerador a gasolina assegurava a energia. Vinham até ônibus de localidades mais distantes e muitos assistiam ao mesmo filme duas ou três vezes. Hasstenteufel revelou que se sentia constrangido de cobrar ingresso, mas faziam questão de pagar. Depois do espetáculo, geralmente, o dono da bailanta promovia um arrasta-pé. 

Pesquisa: Arquivo da Gazeta do Sul

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Lavignea Witt

Me chamo Lavignea Witt, tenho 25 anos e sou natural de Santiago, mas moro atualmente em Santa Cruz do Sul. Sou jornalista formada pela Universidade Franciscana (UFN), pós-graduada em Jornalismo Digital e repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações.

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