Outro dia, estava conferindo as redes sociais quando me deparei com uma publicação que prendeu a atenção. Era o relato de uma mulher sobre quando trabalhava em uma videolocadora, em meados de 2005.
Na publicação, dividida em diversas imagens e textos, ela contava como era a rotina no local, o perfil do público que frequentava o espaço, quais eram os filmes mais escolhidos pelos clientes, as melhores estratégias para garantir a locação de determinadas obras e trazia curiosidades sobre o funcionamento da locadora.
A autora da publicação nem imagina, mas seu relato me transportou para uma época muito especial da minha vida. Lembro exatamente do dia em que meus pais adquiriram uma televisão de tubo, supertecnológica para a época, e um aparelho de DVD para assistirmos aos filmes locados em casa.
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Basta fechar os olhos para lembrar do meu pai chegando empolgado com os filmes que assistiríamos juntos. O primeiro que recordo de ver é As Panteras, de 2000. Nunca vou esquecer a sensação de poder assistir e manusear em casa um filme em DVD pela primeira vez.
Dali em diante, ampliei a coleção cultural e aluguei todos os títulos possíveis, dos mais diversos gêneros, na minha locadora favorita. Quando criança, meus preferidos eram os da Barbie, do Bob Esponja e qualquer outro desenho que chamasse minha atenção.
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Na adolescência, entraram em cena as comédias, os dramas e os romances. Nas noites com as amigas, os de terror não podiam faltar. Em quase todas as sextas-feiras, era sagrado ir à locadora com meus pais, escolher três filmes e devolvê-los na segunda-feira, pagando apenas dois, graças à promoção oferecida pelo local.
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Mas, como dizem, tudo o que é bom dura pouco. Com o passar dos anos, as locadoras foram perdendo espaço para os canais de TV por assinatura e, posteriormente, para os serviços de streaming, que hoje dominam a maioria das residências ao redor do mundo.
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Lembro da sensação de vazio que senti quando percebi que aquele espaço havia fechado e dado lugar a uma loja convencional. Era o encerramento de uma era muito feliz para mim, mas também o início de um novo momento para o cinema, impulsionado por tecnologias que, inclusive, fazem parte da minha rotina hoje.
Apesar de quase tudo mudar com o tempo, tenho certeza de que sempre levarei comigo as boas lembranças. E que bom que existem diversos eventos e iniciativas incentivando o consumo de produtos audiovisuais, como o Festival Santa Cruz de cinema, para que mais pessoas, assim como eu, possam continuar construindo suas próprias memórias por meio do cinema.
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