Devido ao alto índice de assédio sexual contra mulheres registrado na Cidade do México, capital do país, a Prefeitura da cidade anunciou uma medida para tentar prevenir os casos no final de maio deste ano que tem gerado controversias. Cerca de 15 mil apitos foram distribuídos entre mulheres da cidade, que tem mais de 8 milhões de habitantes.
O ruído do apito pode alcançar até 700 metros (o equivalente a mais ou menos sete quadras), e serviria para que pessoas próximas prestassem assistência a quem soprou o objeto. O Instituto das Mulheres, órgão da Prefeitura da Cidade do México, explicou que o apito deve ser usado para desestimular o agressora cometer abusos.
Mesmo assim, a medida foi controversa até mesmo entre as mulheres. Associações feministas mexicanas questionaram o que aconteceria se a mulher não levasse o apito ao sair. “O que acontece? Aí foi culpa minha?”, questionou a ativista Catalina Ruiz-Navarro, ligada à militância feminista.
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Catalina exprimiu críticas diretas ao prefeito da cidade, Miguel Ángel Mancera, em entrevista ao jornal digital Sin Enbargo. “A medida mostra a pobre compreensão dele sobre o assédio que as mulheres vivem nas ruas. Ele acredita que isso não nos ocorreu esta ideia, de estarmos sozinhas e gritarmos ou fazermos barulhos quando alguém vier nos assediar? E por que razão não fazemos um escândalo? Será porque as pessoas ao redor não ajudam, a polícia não acredita em nós e o processo de denúncia é longo e tortuoso?”, questionou a feminista.
Todas essas barreiras citadas por ela existem e fazem com que as vítimas de abuso sejam acusadas como culpadas. Por isso, ela sugere que Mancera deveria tentar trabalhar estas questões antes de tomar uma medida como distribuir apitos, já que Catalina os considera ineficazes.
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