Em cartaz nos cinemas de Santa Cruz do Sul, Michael é uma produção que foi feita para festejar a carreira e o legado de Michael Jackson. A ascensão do superastro do pop, falecido em 2009, aos 50 anos, é o destaque da narrativa, que evita mencionar as polêmicas envolvendo o cantor a partir da década de 1990.
A história começa mostrando a infância do cantor e a relação abusiva com o pai, Joe Jackson (Colman Domingo). Da janela de sua casa, Michael vê as crianças do bairro brincando na neve, enquanto ele e seus irmãos são obrigados a praticar. Toda vez que o caçula questionava o pai, apanhava com a cinta. Em um jantar com a família, o patriarca pergunta aos filhos se eles desejam, assim como ele, trabalhar em uma siderúrgica pelo resto da vida. “Nesta vida, ou você é um vencedor ou um perdedor”, afirma.
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Nascia o Jackson 5, que em pouco tempo passou a tocar pelos Estados Unidos e adquire um contrato com a gravadora Motown. Michael (Jaafar Jackson, sobrinho do cantor), entretanto, não quer se limitar ao domínio do pai e começa a traçar os planos de uma trajetória solo. Iniciava-se uma das carreiras mais bem-sucedidas da história da música. Contudo, o astro será capaz de se desvencilhar do controle e dos abusos cometidos pelo pai?
Dirigido por Antoine Fuqua, responsável por Dia de Treinamento e pela trilogia O Protetor, Michael recria com fidelidade alguns dos momentos mais marcantes da carreira do músico. Vemos a gravação de Off The Wall, seu primeiro álbum solo, a coreografia de Beat It e as filmagens de Thriller. Não faltam a performance de Billie Jean, na qual lançou o moonwalk, passos que se tornaram sua marca registrada, e a apresentação eletrizante da turnê de Bad, em 1987.
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As atuações são um destaque à parte: em sua estreia nos cinemas, Jaafar assume a tarefa de interpretar Michael. E acerta não apenas pela impressionante semelhança física, mas também por adaptar os trejeitos do Rei do Pop. Outro destaque é Colman Domingo, um dos atores mais talentosos da atualidade, no papel de Joe Jackson, fugindo dos estereótipos e entregando uma performance mais humana.
Já o roteiro de John Logan evita cometer um dos principais erros das cinebiografias musicais: tentar contar, em um filme com menos de três horas, toda a carreira do artista. Com isso, a história foca a escalada de Michael até o topo das paradas e os dramas familiares. A narrativa evidencia, por exemplo, as consequências da infância perdida do cantor, que, mesmo aos 20 anos, ainda carrega traços infantis.
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Explora ainda seu isolamento social, que se agravou após o acidente durante as gravações de um comercial para a Pepsi, que resultou em sequelas (físicas e psicológicas) permanentes, levando-o a utilizar doses excessivas de sedativos.
Porém, ainda que seja apenas recorte de um período específico da vida de Michael, a sensação que fica é de que o filme está mais preocupado com a recriação fiel de certos momentos do que em explorar mais a fundo a psique do artista. Tal escolha faz com que a história avance abruptamente, de modo que o desenvolvimento do protagonista é devidamente concluído. Um grande show, de performances visuais e musicais inquestionáveis, mas um final abrupto, deixando a plateia com o sentimento de que faltou algo para torná-lo inesquecível.
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Muito antes de seu lançamento nos cinemas, Michael tornou-se alvo de críticas devido a sua escolha narrativa. Ao fazer um recorte da carreira do cantor até o fim dos anos 1980, o longa-metragem optou por deixar de fora uma das principais polêmicas envolvendo o Rei do Pop: as denúncias de abuso e de pedofilia, iniciadas em 1993.
O assunto foi amplamente explorado em reportagens e documentários produzidos ao longo das décadas, seja para inocentar ou para culpar o cantor. A ausência da temática foi alvo de críticas por parte do público e da imprensa, acusando o filme de ser “chapa branca” e de pisar em ovos (ou, neste caso,
dançar em ovos).
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Por se tratar de um ponto controverso e complexo, tal temática apenas atrapalharia a narrativa de um filme que peca justamente por tentar abraçar diversos momentos históricos em detrimento do progresso da trama e dos personagens. Seria necessário um longa-metragem dedicado apenas a esse período da vida do superastro, e talvez não fosse o suficiente, diante da complexidade de cada caso.
No entanto, cabe a pergunta: uma cinebiografia precisa incluir as polêmicas envolvendo a vida privada dos artistas para ser considerada boa? Desde o filme inspirado na história de The Doors – que apresentava Jim Morrison como um bêbado alucinado -, o cinema norte-americano busca explorar o lado obscuro de grandes talentos, desmistificando a persona que os fãs conhecem. Mas o que isso agrega de fato? Por que esse interesse em invadir a privacidade dessas pessoas?
Michael não é um filme perfeito. Longe disso. O cuidado em retratar o Rei do Pop como um ser puro, sem um desenvolvimento adequado, acaba prejudicando a narrativa. Mas está na hora de questionarmos o que queremos nas cinebiografias de músicos, se estamos lá para entendermos os personagens ou para espiarmos pela fechadura e ver o que fazem entre quatro paredes.
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