O Ministério Público – que analisa se houve irregularidade no atendimento a mulher morta pelo ex-companheiro em Venâncio Aires, após ser agredida por ele e procurar a polícia – ouviu nesta semana o depoimento do namorado dela. O vendedor chegou a ir até o hospital com Miriam Roselene Gabe, 33 anos, onde ela foi atendida, e buscava o carro no momento em que Júlio César Kunz, 35, invadiu a casa de saúde e executou a vítima a tiros. O mecânico foi preso e confessou o crime. A promotoria avalia o procedimento adotado pelo policial que orientou a mulher a buscar atendimento médico e depois retornar à delegacia. Ontem, a Polícia Civil concluiu o inquérito do caso.
Conforme o promotor Pedro Rui da Fontoura Porto, o Ministério Público irá ouvir ainda o policial e o delegado responsável. O objetivo é compreender porque a mulher não recebeu acompanhamento até o hospital. Na noite em que a vítima procurou a polícia junto com o namorado, após os dois serem agredidos por Júlio, apenas um agente cumpria plantão. Ainda que não seja constatada irregularidade na forma como Miriam foi atendida, o promotor acredita que será possível adotar recomendações à polícia em relação aos procedimentos nos casos de violência doméstica.
Segundo Porto, a falta de clareza da Lei Maria da Penha é um problema. Não existe uma orientação minuciosa em relação a como o policial deve proceder. “Segundo o que nos foi informado, o policial se preocupou porque ela estava muito machucada e achou que era melhor ela ter um atendimento primeiro”. A informação foi confirmada pelo namorado de Miriam. “Ele não se queixou diretamente do atendimento do policial. Disse que ele mesmo não pensou em reclamar e pedir que alguém fosse junto ao hospital. Ele mesmo não esperava que ia chegar a tanto”.
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Miriam foi morta na frente do hospital
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