Centro-Serra

Na semana do Artesão, uma história com arte e inspiração na natureza

Em um verdadeiro refúgio às margens da ERS-400, em Passa Sete, onde o tempo se divide entre o ritmo da natureza e o vai e vem de veículos que movimentam a região, uma artesã transforma simplicidade e inspiração em arte. O que começou como um passatempo para Natalina Rosane Dallemole, há cerca de 20 anos, tornou-se também uma atividade produtiva, com encomendas, participação em feiras e incremento da renda. Depois da primeira encomenda, uma caixinha de MDF, ela nunca mais parou, e hoje o artesanato é parte essencial de sua vida.

Seu trabalho é marcado pela diversidade de materiais utilizados e técnicas, que foi aprendendo e descobrindo conforme sua própria curiosidade. Muito do que produz tem como base ou elemento que se agrega ao resultado final aquilo que nasce da própria natureza: porongos de variados tamanhos cultivados na propriedade, pinhas recolhidas do chão, cascas de cebola e de ovos, pedaços de madeira e galhos secos, além do reaproveitamento, como com vidros e filtros de café. Cada elemento carrega uma história e ganha novo significado em suas mãos. Ao lado desses materiais que se transformam principalmente em peças decorativas, também estão presentes artesanatos mais tradicionais, como toalhinhas e pinturas feitas com delicadeza e criatividade.

Em datas especiais, como a Páscoa que se aproxima, sua produção ganha ainda mais cor e encanto. Toalhas com coelhos e chocolates dividem espaço com criações únicas, como ninhos em formato de coelho feitos a partir de porongos, um trabalho que envolve desde o preparo do material até a pintura e a composição com tecidos e outros adereços. Cada peça é única.

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Entre as composições, estão artesanatos de diferentes tamanhos, desde os enfeites para cuias de chimarrão, utilizando mini porongos, até réplicas de animais, como cobras e aves, demonstrando a versatilidade com o que trabalha.

A chácara da família, que antes era apenas um refúgio de finais de semana, tornou-se lar e fonte constante de inspiração. Cercada por árvores, sons da natureza, paisagens que mudam a cada estação e um grande açude, ela encontra ali não só ideias para suas criações, mas também cenários que gosta de registrar em fotografias, outra de suas paixões. O espaço, conhecido como Pesque-pague Pega Peixe, também recebe visitantes, oferecendo variedades de peixes e momentos de lazer, o que contribui ainda para que seu artesanato seja visto e viaje longe, até mesmo para fora do estado.

Rosane e o marido Ari na propriedade da família

Única artesã entre os familiares mais próximos, Rosane, como é mais conhecida (ou Artesã Natalina, nome artístico), carrega influências da infância. Aprendeu a costurar observando a mãe, mas, desde pequena, também cultivava o gosto pelo desenho, sempre à mão livre. Até hoje, prefere criar sem o uso de réguas ou medidas exatas, guiando-se pela intuição, pelas cores e pelas combinações que surgem naturalmente. Para ela, “o artesanato é inspiração, é algo que me faz bem. Eu me sinto realizada como artesã e valorizo as produções”.

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Como artesã rural, também busca constante aprendizado, seja pela inquietude de trabalhar com novos materiais ou composições, ou ao ser desafiada com alguma encomenda em especial. Recentemente concluiu o Curso de Turismo Rural do Senar, oferecido em Passa Sete, alinhando sua produção ao potencial da propriedade, que está englobada nessa direção. Nem sempre consegue produzir diariamente, já que a rotina com os visitantes e a propriedade exige dedicação, mas também porque acredita que o trabalho com artesanato precisa ser prazeroso e vir da inspiração. Muitas vezes, no meio do dia ou até à noite, uma ideia surge, e ela logo recorre ao caderninho para não deixar escapar.

Rosane conta com o apoio do marido Ari, que auxilia em etapas como corte e lixamento de materiais, além do incentivo dos três filhos e dos netos. Para ela, é uma grande realização ver as pessoas apreciarem, comprarem e retornarem em busca de novas peças. Exemplo disso é uma senhora de outra região gaúcha, que uma vez por ano a encontra em uma feira específica e lhe pede alguma das novidades da produção para adquirir e levar para casa. “É muita gratificante, uma motivação a mais”, reforça.

Nos preparativos para mais uma feira

Se em alguns momentos a produção pode seguir seu próprio ritmo e desacelerar, por outro lado há períodos mais intensos, que exigem presença mais constante nos ambientes da casa que transformou em ‘ateliês’, especialmente antes de grandes eventos como a Expoagro Afubra, que ocorre na próxima semana, em Rio Pardo. “Sempre ia e pensava: ‘um dia vou estar aqui’. E agora já são várias edições presente”, ressalta. Mais do que uma vitrine para seu trabalho, a feira representa um espaço de troca, aprendizado e conexão com outras pessoas. Além disso, Rosane também participa de feiras no município e em âmbito regional, que valorizam a produção artesanal e ampliam as possibilidades.

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No dia 19 de março, foi celebrado o Dia do Artesão, e assim como Rosane, muitas mulheres e homens se dedicam a transformar matéria-prima em peças únicas, utilizando-se da arte como fonte de renda, mas também podendo ser uma terapia e uma intensa forma de expressão, a qual se inspira não apenas naquilo que o artesão vê ou sente, mas em tudo o que seu amor e criatividade são capazes de criar.

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Nathana Redin

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Nathana Redin

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