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Não existe prazo de validade para recomeços

Voltar ao jornalismo diário depois de alguns anos longe das redações é, de certa forma, como reencontrar uma antiga amiga. Aos 38 anos, reencontrei a rotina que um dia achei que já não me cabia mais: pautas urgentes, entrevistas e busca por fontes aos 45 do segundo tempo, textos sucintos mas que precisam dar a informação correta e completa, sensibilidade e responsabilidade. O que não imaginei, e talvez essa seja a maior surpresa, é que eu ainda teria tanto a oferecer. E que o jornalismo ainda teria tanto a oferecer a mim.

Retornar ao trabalho em um veículo de comunicação – e não é qualquer veículo, mas sim um dos principais do Estado – me devolveu algo que eu não percebia que estava fazendo falta: a sensação de propósito. Porque há algo de profundamente transformador em traduzir problemas, exemplos e histórias coletivas em reportagens que podem, mesmo que discretamente, mover alguma engrenagem social.

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Em um pouco mais de um ano de retorno, fui agraciada com três reconhecimentos que não são apenas prêmios. São lembretes e também confirmações de que vale a pena insistir, recomeçar. Uma das reportagens tratou da dependência em jogos online, um tema que atravessa famílias, silencioso e urgente. A outra trouxe luz à violência doméstica, uma ferida social que insiste em ser escondida, mas precisa ser mostrada com coragem e responsabilidade. E o mais recente, nesta semana, foi o primeiro lugar em jornalismo ambiental, cuja reportagem objetivava apresentar iniciativas de proteção ao bem mais precioso do planeta: a água. 

Receber esses prêmios não foi sobre mim. Foi sobre as pessoas que confiaram suas histórias, sobre os especialistas que abriram caminhos explicativos, sobre a sociedade que precisa continuar debatendo aquilo que dói, desafia e gera preocupação. Mas, de forma muito íntima, também foi sobre reencontrar meu lugar.

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Aos 38 anos, descobri que não existe prazo de validade para recomeços, muito menos para fazer diferença. E que, enquanto houver histórias que precisam ser contadas, haverá sentido em voltar, permanecer e, principalmente, acreditar no que fazemos todos os dias: informar, provocar reflexão e, quem sabe, transformar um pouco da realidade que chega até nós.

Talvez a maior lição desse retorno seja entender que a gente não deixa o jornalismo de verdade. No máximo, faz uma pausa. Mas quando volta, volta com mais verdade, mais maturidade e, acima de tudo, com a certeza de que ainda há muito a ser contado e vivido “fora de pauta”.

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Vanessa Behling

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