A Copa do Mundo de Futebol Masculino já é assunto do passado, mas estar em período de férias durante a competição permite ao colunista a liberdade de fazer a análise, mesmo que tardia, do que pode ser visto e do que significa. Muito foi visto dentro das quatro linhas, com a evidência de que grandes nomes saem no cenário ao mesmo tempo que novos aparecem com características e potenciais impressionantes. Fora do campo, também pode ser visto o viés ditatorial no país que se apresenta como a maior democracia do mundo.

Quanto à participação brasileira, o fato é que havia a expectativa de se colocar mais uma estrela na camisa. Porém, coberta com uma grossa camada de dúvida, que acabou se confirmando para a Terra do Samba. Isso porque os nossos sambistas, quando se depararam com um bando de vikings remadores liderados pelo excêntrico Haaland, pareciam ter visto demônios, não os Demônios da Garoa, e esqueceram de um dos nossos principais diferenciais, a força da Raça Negra e nosso didididiê.

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Só Pra Contrariar a esperança do torcedor, nossos meninos entregaram tudo e deram uma de Pixote, como usam na linguagem futebolística para designar uma pessoa sem experiência, colocaram a bola na mala e voltaram para o Brasil, terra de samba e pandeiro. A opção que restou foi torcer para os demais seja a favor, seja contra, é importante ressaltar.

Assim, os brasileiros e o mundo viram as castanholas do flamenco de La Roja soarem mais alto do que as vuvuzelas da África do Sul. O grupo de Lamine Yamal conseguiu erguer a tão sonhada taça. Fez o tango argentino ficar guardado, reservado apenas para Lionel Messi e sua equipe. Para muitos brasileiros, foi quase um “Gracias a la vida”.

Diante do percurso, com jogos apertados, que exigiram decisões nos últimos minutos das partidas, os argentinos tiveram que repetir o estrondoso sucesso de Mercedes Sosa: “Gracias a la vida, que me ha dado tanto; me dio dos luceros, que cuando los abro; percecto distingo lo negro del blanco; y en el alto cielo, su fondo estrellado”. Os espanhóis conseguiram evitar que o céu estrelado dos hermanos passasse a ter mais uma estrela.

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Mas o resultado impressionante não ficou restrito apenas à final. Os franceses, certamente, contrariam o título da histórica música interpretada por Édith Piaf, Non, je ne regrette rien. A canção diz “Não, não me arrependo de nada; não, de nada, de nada mesmo; nem com o bem que eles me fizeram; nem com o mal, não me importo com nada disso”. Por certo, o grupo de Kylian Mbappé lamenta e se arrepende da forma como tratou a decisão do terceiro lugar com os atletas da terra dos Beatles.

A seleção inglesa foi soberana. Também exerceu soberania a diplomacia, que possibilitou a iranianos jogarem em solo dos Estados Unidos, em plena guerra. Não resolveu o conflito. Poderia ser mais amistosa a recepção aos iranianos, mas o futebol evidenciou sua força e mostrou que a bola ainda é uma grande arma, mas, quando bate na trave, não altera o placar.

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Marcio Souza

Jornalista, formado pela Unisinos, com MBA em Marketing, Estratégia e Inovação, pela Uninter. Completo, em 31 de dezembro de 2023, 27 anos de comunicação em rádio, jornal, revista, internet, TV e assessoria de comunicação.

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Marcio Souza

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