Descobri nesta semana uma palavra que eu não conhecia: agnotologia. Lamentei não ter ouvido falar antes, porque ela ajuda a entender melhor o mundo de hoje. Agnotologia refere-se à produção deliberada de ignorância no espaço público. Mais especificamente, é o estudo da propagação intencional de conteúdo falso, ou desinformação, com objetivos políticos ou comerciais.
Quer dizer, um fenômeno já bem conhecido, pois a divulgação proposital de notícias falsas vem alimentando o modelo de negócios em grandes empresas de tecnologia. Faltava-me só mais vocabulário. Não falta mais.
Em meio a esse fluxo contínuo de falsidades, há mentiras maiores e menores. Uma das maiores é a de que a guerra é sem dúvida mais virtuosa, necessária e melhor do que a paz. Eles dizem: estamos cercados de inimigos perversos neste mundo e só resta atacá-los e destruí-los, antes que façam o mesmo conosco. Qualquer entendimento pacífico é inviável e covarde.
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O discurso nasce nos gabinetes de grandes líderes políticos, é reforçado por médios e pequenos porta-vozes políticos e multiplicado por influenciadores digitais, “deformadores” de opinião que se identificam com essa pregação. Chavões e frases de efeito são repetidos ao infinito, diariamente.
O efeito é uma curiosa regressão ao passado, em pelo menos cem anos. É como se, em meio aos mais sofisticados avanços técnicos, não estivéssemos em 2026 e sim em 1926, cimentando a trilha para mais uma guerra mundial, instigados por convocações histéricas para o extermínio de civilizações. O passado é mais glorioso do que o presente: outra mentira.
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“Fraudes – as ilusões provocadas pela loucura – abundam e se mascaram como o oposto de um espelho: posam de sanidade. As máscaras, entretanto, vão caindo, e a loucura se revela”, escreve o autor norte-americano Philip K. Dick em um de seus últimos romances, Valis.
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No livro, um homem sai à procura da entidade que, acredita, seria uma espécie de “atualização” de Buda e Jesus Cristo: um ser superior identificado como Vasto Sistema Ativo de Inteligência Viva, ou Vast Active Living Intelligence System – Valis.
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Ao encontrar a entidade na forma atual, a de uma criança, ele quer entender o significado da própria vida, marcada por traumas e perdas difíceis. E faz muitas perguntas. Uma das respostas de Valis é: “A menos que seu passado pereça, você está condenado. Seu futuro precisa ser diferente do seu passado”. Sim, pensei.
Dick não se engana quando fala em fraudes e ilusões. Qual é o sentido, agora, dessa imensa confusão causada por impostores? Não estamos em 1926 e nada nos obriga a pararmos em 1939.
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