Experiências e observações pessoais evidenciam, cada vez mais, uma menor disposição para trabalhos mais exigentes, que requeiram maior esforço e boa vontade. Coloca-se em prática, na verdade, a muitas vezes citada “Lei do Menor Esforço”, que seria o princípio invocado por George Kingsley Zift (por isso, também chamada “Lei Zift”), linguista da famosa universidade norte-americana de Harvard, na sua obra Human Behaviour and the Principle of Least Effort (Comportamento Humano e Princípio do Menor Esforço, 1949), sobre tendência universal das pessoas em tentar obter o máximo resultado com mínimo esforço.
Há poucos dias, em uma das minhas rotineiras e diárias caminhadas para o trabalho (ambos exigem bom nível de esforço), ouvi uma senhora de mais idade, que cuidava em balanço na praça de uma criança de outra família, relatar a uma mãe, que ali também levava seu filho para brincar, que “as mais novas não querem mais fazer este trabalho”. E, poucos dias depois, lia na Gazeta a manifestação de empresário quanto à dificuldade de preencher vagas de emprego em supermercados, pela disponibilidade exigida em termos de horários.
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Pessoalmente, tenho me defrontado a toda hora com negativas ou desculpas de prestadores de serviços que se tornam um pouco mais difíceis, como tirar galhos de árvores mais altas, e não mais recomendáveis para quem já avança na idade e sofreu acidente nessa atividade, como é o meu caso. Simplesmente não aparecem, restando, a quem precisa, teimar em realizar novamente a atividade por conta própria, redobrando as medidas de segurança. E entre alguns sondados para consertos de goteiras no telhado, depois de um tempo apareceu alguém com orçamento absurdo, o que exigiu mais uma vez a intervenção pessoal e posterior apoio de lavador de placas solares, ficando o valor abaixo de 5% daquele orçado.
Ainda nas andanças pelas ruas da cidade, como já citei em outras oportunidades, não canso de ver o descarte de resíduos sem as devidas preocupações e sem os mínimos esforços em fazê-lo em locais adequados (embora faltem mais lixeiras para tanto) e com separações mais cuidadosas e higiênicas. Já na limpeza das ruas, tanto por particulares como servidores públicos, cada vez mais, e em maior número, aparecem sopradores (barulhentos e poluentes) em vez das sempre tão úteis vassouras, que, no entanto, ainda estão presentes.
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Também se mostram exemplos positivos, como o caso que me foi relatado por outra caminhante, de encontrar um secretário municipal (Daiton Mergen, dos Esportes), ele próprio, realizando o corte de grama em área do campo municipal, justificando que havia redução de pessoal neste período de férias. Demonstrou, dessa forma, que ainda vem de “uma escola” tradicional, dos imigrantes povoadores da região, onde se educava que o trabalho, ainda que mais árduo e exigente, não diminui ninguém, ao contrário, dignifica e enobrece, pelo menos diante dos olhos de quem tem visões e valores mais elevados.
Várias situações poderiam ser acrescidas na constatação de que se recorre, em maior intensidade, aos caminhos mais fáceis, ainda levando em conta maiores recursos tecnológicos disponíveis. É o que se vê entre estudantes, preocupando justamente no aspecto educativo, pois, como alertam especialistas, debilitam a fundamental vontade. Há também quem defenda “economia de esforço”, numa linha voltada a buscar mais paz/calma e menos ansiedade. Mas não se pode esquecer a dureza da vida e o princípio que mais dá certo, o equilíbrio nas atitudes, que vale para tudo.
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