Muitas vezes, o tempo que nos sobra para irmos para onde queremos estar é o período de férias. Um mês que justifica outros onze de privações que as obrigações cotidianas nos impõem. O calorão de janeiro corre de casa quem mora em Porto Alegre ou em sua região metropolitana, especialmente, para o Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
Maioria dos meus verões foram por lá. Muito por (fuga da) rotina, eu andava de bicicleta a tarde inteira e por isso conheço todas as ruas de Xangri-lá, do Remanso a Atlântida. Hoje em dia, o que me faz voltar para Xangri-lá são os momentos de convívio com meus pais. Na última vez em que estive lá, não fui nenhuma vez para a beira da praia.
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Com as prioridades que tenho atualmente, faz mais sentido para mim reservar esses raros dias para ficar dentro de casa conversando, assando carne e bicando uma cerveja. No verão de 2013, eu ia todas as noites para o centrinho de Atlântida agitar com minha gurizada. A passagem desses anos transformou tanto a versão de mim que ia até lá quanto a disposição física do local que eu frequentava.
Pessoas marcam, memórias ficam, mas a força do tempo acomoda todas as coisas no lugar onde pertencem. Como bem ensinou Heráclito, nenhum homem se banha no mesmo rio duas vezes, pois nem o homem nem o rio são os mesmos. No mesmo sentido, o ditado chinês: “Não volta para onde um dia foste feliz. É uma armadilha da saudade”.
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Recentemente, viajei novamente para o Uruguai depois de um ano. Nesse período, me pareceu nítido o progresso do nosso país vizinho, principalmente pelas obras públicas, que ficam prontas de um ano para o outro.
A percepção do andamento diferente das coisas é um dos aspectos que identificam e enriquecem a experiência de viajar. Estarmos em desaceleração nos permite aproveitar melhor um lugar.
Particularmente, procuro me hospedar onde eu não perca mais do que meia hora me deslocando. Faz tempo que prefiro o Airbnb ao hotel.
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Em bares e restaurantes, a qualidade do atendimento é o fator mais decisivo para fidelizar um cliente. Em menor medida, produtos ofertados, localização e ambiente do estabelecimento também são importantes, no meu entender. As avaliações recentes no Google são um parâmetro confiável para saber se vale a pena voltar a um lugar.
Lugares artísticos e culturais como a Casapueblo, em Punta del Este, não mudam e, no entanto, não envelhecem: fui pela quarta vez e voltarei quando tiver oportunidade.
Assim como nós, os lugares também mudam e, na necessidade de se reinventar, a essência tanto pode ficar pelo caminho como se fortalecer para criar identidade e pertencimento.
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