O ser humano é uma incógnita constante. Nunca antes na história deste mundão de Deus tivemos acesso a tanta informação, à exceção, é claro, de conteúdos de segurança nacional e outros quetais. Dia desses assisti à entrevista de um médico, especialista em algum tipo de doença que não lembro, falando sobre o comportamento dos pacientes.
Profissional de longa data, fez um comparativo bem-humorado sobre o primeiro contato no início da consulta: – Hoje é normal que o pessoal chegue ao consultório com um diagnóstico prévio, com base nos sintomas e, de quebra, dizem que já estão usando medicamentos por conta própria. É muito divertido! – revelou.
Ele disse que, em seguida, pergunta ao paciente se ele fez alguma faculdade ou curso da área médica, farmácia ou enfermagem para tecer comentários tão abalizados: – Não, doutor! Eu procurei no Google e vi que todos os sintomas arrolados ali conferem com o que estou sentindo!
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Diante do computador, em pleno ambiente de trabalho, soltei uma sonora gargalhada que chamou a atenção dos colegas. “Conta aí pra nós qual foi a piada!”, exigiram prontamente. Com ironia, costumo afirmar que o Brasil é o país dos hipocondríacos. Falando com amigos de fora do Estado, descobri que a proliferação de farmácias não é exclusividade do Rio Grande do Sul. Brasil afora brotam lojas do dia para a noite, igualzinho ao que vemos por aqui.
Em rodas de boteco, degustando geladas e acepipes, brinco que basta comentar em voz alta que “sinto uma dor forte na sobrancelha” para que alguém por perto – geralmente uma pessoa estranha – comece a falar feito metralhadora.
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Esses ouvintes aleatórios têm solução para tudo:
– Conheço um médico que atende pelo IPE, outro pela Unimed, também já me tratei com um homeopata e já usei medicamentos sem efeitos colaterais para essa tua “doença na sobrancelha”! – dispara o estranho que teima em salvar a minha vida.
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É um exagero bem-humorado, mas garanto que o prezado leitor já passou por isso. É resultado do acesso às informações sobre todo tipo de moléstia e que também estimula a automedicação. Esse é um efeito colateral perigoso e sério, cujas consequências lotam consultórios, prontos socorros e hospitais.
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A facilidade para conseguir medicamentos é espantosa. Uso continuamente remédios para hipertensão, colesterol e próstata – drogas curtidas por pessoas que usufruem da nefasta “melhor idade”. Raramente mantenho em casa uma “farmacinha”. Até porque no Bairro Petrópolis, em Porto Alegre, onde moro, sou uma ilha cercada de farmácias por todos os lados. São três em dois quarteirões vizinhos ao meu prédio.
Vendo a proliferação das farmácias, concluo que o “tio Google” tem sido generoso para os empresários do setor. Que o digam os acionistas da São João, Raia e Panvel e congêneres.
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