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Páscoa supera as expectativas do comércio em Santa Cruz

O comércio de Santa Cruz do Sul viveu uma das semanas mais intensas do ano com a proximidade da Páscoa, confirmando a força da data para o varejo local e evidenciando um comportamento já conhecido: a concentração das compras nos últimos dias. Entre quinta-feira, 2, e sábado, 4, o cenário foi de lojas cheias, filas e certa dificuldade de atendimento em alguns pontos do Centro, mesmo com estratégias adotadas previamente pelos empresários para ampliar a capacidade de vendas.

Presidente da CDL Santa Cruz do Sul e proprietário da Delize, Gilberto Eidt afirma que, embora o movimento de última hora já fosse esperado, a intensidade surpreendeu. “Sabemos que o pessoal deixa para a última hora, e neste ano a venda agressiva aconteceu a partir de quinta-feira.” A decisão de ampliar o espaço físico da loja se mostrou acertada diante da demanda acima do previsto. Eidt explica que o novo ambiente permitiu maior exposição de produtos e aumento do estoque disponível, o que contribuiu diretamente para o desempenho das vendas.

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O pagamento antecipado de parte do 13º salário a servidores municipais e aposentados injetou recursos na economia local, refletindo diretamente nas vendas. “O resultado está sendo ótimo e a projeção é de um acréscimo na casa dos 10% em relação ao mesmo período do ano passado.” Como representante da CDL, Eidt afirma ainda que o sentimento é compartilhado entre outros lojistas, que também relatam desempenho acima do esperado.

A mecânica Gladis Schneider, de 62 anos, aproveitou a manhã de folga para comprar doces para os quatro netos. “Eles se comportaram bem e por isso o coelho vai aparecer esse ano.” Segundo ela, a escolha pelo sábado não foi questão de última hora e sim de agenda, mas ainda assim foi possível fazer as compras.

Gládis garantiu doces para os netos. Foto: Rodrigo Assmann

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No segmento de chocolates, o comportamento do consumidor apresentou nuances importantes, especialmente com o fortalecimento dos canais digitais. O vendedor Lucas Santos, da Cacau Show, observa que o movimento não se restringiu às lojas físicas. A procura começou aos poucos e se intensificou muito na última semana. “Houve aumento significativo nas vendas pelo site e também pelas nossas redes sociais.” Segundo ele, a operação precisou se adaptar rapidamente ao crescimento da demanda online, que chegou a gerar dificuldades no atendimento, mas sem comprometer o resultado final.

Santos também destaca mudanças no perfil de compra dos consumidores. A busca por produtos mais acessíveis ganhou força, especialmente nos dias finais antes da Páscoa. “Percebemos maior procura por lembranças e também nos itens em promoção nesses últimos dias.”

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Outro ponto observado foi o leve aumento no tíquete médio, ainda que sem uma conclusão definitiva sobre suas causas. Segundo ele, há incerteza se esse crescimento está ligado à inflação ou a uma compra efetivamente maior por parte dos clientes, o que reflete um cenário econômico ainda em análise pelos comerciantes.

Avaliação é positiva, mas com cautela

Já no setor supermercadista, a avaliação também é positiva, mas com um olhar mais cauteloso quanto aos fatores que influenciaram o consumo. O presidente do Sindigêneros Vales do Rio Pardo e Taquari e proprietário da rede Miller, Celso Müller, destaca que, apesar de a preparação para a Páscoa começar cada vez mais cedo – neste ano, ainda em fevereiro –, o padrão de concentração das vendas se manteve. “O movimento mais intenso sempre é nessa última semana.” Para ele, o resultado foi satisfatório dentro do contexto. Nesse domingo, 5, os supermercados estavam fechados.

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Müller ressalta que o desempenho ficou próximo das projeções iniciais, que apontavam para um crescimento moderado. “Tínhamos uma expectativa de aumento de 5% nas vendas e acreditamos que esse índice deve ser alcançado.” No entanto, ele pondera que o cenário econômico dificulta projeções mais precisas. Entre os fatores positivos, destaca-se novamente o impacto do pagamento antecipado do 13º salário.

Por outro lado, o dirigente chama atenção para um fator que limitou parte do consumo: o calendário de pagamentos de trabalhadores da iniciativa privada. “Os trabalhadores que recebem somente no 5º dia útil ainda não estavam com o salário em mãos”, observou.

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Balanço

Mesmo com esses contrastes, o balanço geral da Páscoa no comércio de Santa Cruz do Sul é considerado positivo. Para dar conta da demanda, as lojas abriram inclusive na Sexta-feira Santa, 3, o que não impediu a formação de filas e a grande circulação de consumidores na manhã de sábado. Ainda assim, os estabelecimentos conseguiram manter bom nível de abastecimento, com variedade de produtos e opções para diferentes perfis de consumo.

O cenário reforça a relevância da data para o varejo e evidencia tanto a capacidade de adaptação dos empresários quanto as mudanças no comportamento do consumidor, que combina cada vez mais compras presenciais e digitais, além de manter o hábito de deixar as aquisições para a última hora.

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Iuri Fardin

Iuri Fardin é jornalista da editoria Geral da Gazeta do Sul e participa três vezes por semana do programa Deixa que eu chuto, da Rádio Gazeta FM 107,9. Pontualmente, também colabora nas publicações da Editora Gazeta.

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