Centro-Serra

Passagem nas brasas é atração principal da Festa de São João em Linha Carijinho

Uma grande festa marcou a véspera do Dia de São João na localidade de Linha Carijinho, interior de Sobradinho. Expressivo público participou das atrações ao longo de toda a terça-feira (23), especialmente no início da noite, quando a fogueira foi acesa sobre o gramado e suas brasas formaram um tapete para a travessia dos corajosos descalços. A festividade celebra a fé, a cultura e a confraternização da comunidade, integrando o calendário de eventos do município e recebendo a população regional e visitantes.

Para Leandro Ceolin, coordenador do Conselho da Comunidade Nossa Senhora de Fátima – promotora do evento, que conta com apoios -, a festividade dá sequência também a uma tradição familiar. “Foi uma aposta que o meu avô Carlos José Ceolin fez com um amigo dele, Neni Roso, na década de 1930. O nono apostou um cavalo encilhado de que iria passar nas brasas e não queimaria os pés. E aconteceu. Fizeram a fogueira na Carijinho e o nono passou e não queimou os pés, só que ele não aceitou o cavalo do amigo, foi só uma provocação. Com o passar do tempo, percorreram outras comunidades também com a passagem nas brasas e com outras famílias envolvidas, inclusive levando a tradição até à frente do Palácio Piratini. Lá pelos anos 1980 foi retomado, e aí não parou mais. Essa festa na Carijinho vem de vários anos e a tradição com as brasas é de décadas.”

Paulo Renato Dalmolin, 2º tesoureiro do conselho da comunidade, lembra que, nos primeiros anos, a passagem nas brasas concentrava-se na propriedade dos Ceolin e no meio da estrada. “Agora ocorre no gramado ao lado do ginásio, em um espaço um pouco mais elevado, e também foi montada uma arquibancada coberta para que o público possa enxergar melhor”, destaca, além de disporem também do ambiente do ginásio e espaço externo coberto.

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Com a participação de muitas famílias da comunidade, a tradição se transformou em festa conhecida no estado e também fora dele. “Hoje ela é considerada a maior festa de São João do estado do Rio Grande do Sul com passagem nas brasas”, acrescenta o vice-coordenador do conselho da comunidade, Gilcimar Rodrigo Agnes.

Morador da localidade, Paulo encarou o desafio com os pés descalços pela primeira vez, seguindo um legado do pai Ademar Dalmolin, já falecido. Conforme ele, o ato foi uma homenagem a todos os membros da comunidade envolvidos no festejo e que já partiram.

Além dele, outros sete passadores se voluntariaram para a atividade, que celebra a cultura, a fé e a tradição local. São eles: Carlos Ceolin, Lisandro Giovannini, Marcos Palhano, Hildemar Wander, Vanderlei Ramos, Daniel Henkes e Alexandro Moser.

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Quem coordena a preparação da fogueira é Romildo Scotta, de 73 anos, neto de Carlos José Ceolin e Antônio Scotta e filho de Eduardo Scotta, que foram tradicionais passadores das brasas. Romildo não passa sobre o fogo, mas valoriza a cultura. “A gente se criou com esta tradição e até hoje estamos fazendo essa fogueira e o pessoal passando nas brasas. Meu pai inclusive foi a Porto Alegre passar nas brasas, junto com os demais representantes de Sobradinho. Eu nunca passei, mas desde que pegou a nossa geração, eu sempre ajudei, e estou fazendo a fogueira até hoje. Ver a tradição ser mantida viva é um orgulho pra gente”, enfatiza.

Para o coordenador Leandro Ceolin, todo o trabalho de preparação para manter viva a tradição comunitária se consolida neste dia, com a presença da comunidade regional e visitantes.

A Festa de São João de Linha Carijinho iniciou com alvorada festiva às 6h, seguida pelo badalar dos sinos e missa sertaneja na capela da comunidade, com bênção da fogueira pelos padres da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, Nelson Lara e Fabrício Afonso Bervian.

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Após o almoço, ocorreu a recepção ao público da terceira idade, com tarde dançante animada pela Banda Rota Musical, e transmissão ao vivo de programas de rádio. Ao entardecer, a gaiteira Pâmela Pape se apresentou no ambiente externo do evento.

Os aromas das comidas e bebidas típicas juninas também circularam pelo ambiente, como pinhão, pipoca, rapadura, cri-cri, pão de milho, pastel, cachorro-quente, entre outros, além do quentão para aquecer do frio, e variada copa durante toda a programação.

Além dos voluntários passadores do tapete de brasas, muitos contribuem com a organização do evento, seja na decoração, limpeza, divulgação ou na preparação e venda das comidas típicas. “De tanto tempo que já estamos trabalhando, todo mundo pega junto, estando ou não na diretoria da comunidade. É muito importante para nós isso. Chega na hora todo mundo se empolga, vai trabalhar, porque é Festa de São João com Passagem nas Brasas. A gente trabalha com vontade”, ressalta Leandro. “Chegou a Festa de São João, todo mundo já sabe o que fazer, qual setor vai assumir”, acrescenta Gilcimar.

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Paulo também destaca o sentimento de orgulho. “Por sermos do interior e termos uma festa deste tamanho, em nível de Estado, é motivo de orgulho. Ver tudo o que foi sendo construído ao longo dos anos, os nossos pais que foram passadores das brasas e já falecidos – no meu caso e do Leandro -, é história que a gente não quer deixar morrer. Para nós é motivo de orgulho e de satisfação poder trabalhar e levar essa festa adiante.”

O evento encerrou com baile animado pela Banda Porto do Som, no ginásio da comunidade.

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Nathana Redin

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