Romar Beling

Passeio no túnel do tempo

Quem circula pela área central da cidade de Santa Cruz do Sul neste sábado, 18, tem a sensação de estar mergulhando em um túnel do tempo, rumo ao passado. E não é qualquer viagem. O que a quinta edição do Old School Day proporciona à comunidade regional é uma espécie de aula de história e de memória cultural a céu aberto, ativada por elementos que se firmaram no imaginário de gerações. Carros antigos, objetos variados e trajes de época despertam no público um diálogo vivo, intenso, afetuoso, com marcas e vivências de diferentes épocas. Que todos se sintam convidados a desfrutar desse privilegiado momento de interação, de compartilhamento de lembranças e de enriquecimento mútuo.

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É mais uma das atividades sociais que Santa Cruz e a região têm à sua disposição, numa agenda intensa e que movimenta os finais de semana. No último fíndi foi a vez do automobilismo, com a Copa Truck, que trouxe visitantes de todas as regiões do Brasil. Agora, uma ampla festa de celebração e de valorização da cultura popular, que se presentifica nos lares de todos nós. A Gazeta Grupo de Comunicações, como parceira do Old School Day, detalha toda a programação, tanto nesta edição do jornal quanto pelo Portal Gaz e pela Rádio Gazeta. Por sinal, o concurso de trajes de época, uma das atrações, em meio a shows e espaços de comércio, engaja diversas pessoas.

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Se os motivadores culturais e de lazer sempre mobilizam a comunidade, e ainda mais em pleno Dia Nacional do Livro Infantil, nem por isso os temas mais sérios e urgentes da pauta social ficam em segundo plano. É o caso da preocupação que envolve uma iminente nova temporada de El Niño no Sul do Brasil a partir de meados do ano. Reportagem especial nesta edição, assinada pela colega jornalista Carolina Appel, detalha informações recolhidas em projeto de pesquisa da Unisc. Em 11 municípios dos vales do Rio Pardo e Taquari, identificaram-se as principais consequências junto à população que enfrentou diretamente a enchente de 2024: mais de 90% das pessoas têm consciência de que as mudanças climáticas, uma decorrência humana, causam as enchentes. No entanto, têm percepção individual ou familiar, mas não conseguem enxergar como isso possa ser transformado em ações coletivas, práticas.

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A pesquisa observou ainda que outro problema muito sério são as doenças mentais decorrentes da inundação ou do cenário pós-tragédia como um todo. Na avaliação dos especialistas, é urgente uma integração e coordenação entre entidades e organismos para estabelecer o debate que promova mudanças efetivas.

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Esse estudo, aliado a outros já realizados, ou mesmo os que ainda precisarão ser aprofundados, sinaliza para o desafio enorme que a comunidade regional, dos vales inundáveis, e o Estado como um todo têm pela frente. Se o que vemos como iminente para os próximos meses é muita chuva, não resta dúvida do que ela hoje significa: muitos problemas. E, cá entre nós, dificilmente será com reza ou mentalização, ou confiando piamente em passes de mãgica, que a ameaça será contornada. Organismos públicos e privados terão a inadiável e árdua missão de não apenas debater (mas realmente encontrar) soluções de longo prazo para um problema que… cairá do céu. E isso pode ocorrer à luz do dia ou em altas horas da noite.

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Romar Behling

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