Caminhar o máximo possível, como ocorre nas idas e voltas diárias ao trabalho, evitando sempre que possível o uso de veículos motorizados, tem sido opção de vida pessoal, e quando ela se torna iniciativa de mais pessoas, desde logo sempre desperta o interesse em tomar parte. Assim acontece nos belos roteiros dos “Caminhos Rurais” pela região e, entre outras, com a “Caminhada Jane’s Walk”, em referência à escritora norte-americana com ações nesse sentido, que já aconteceu em nível local na sua quarta edição, sábado, dia 23, à tarde, na Avenida Léo Kraether, entre os trevos Fritz e Frida, na Linha Santa Cruz, e o de Linha João Alves.

Já em outra ocasião expus, como vários escritores têm dito, que o caminhar, além de tantos benefícios, em particular na saúde, se presta muito ao pensar, que tanto inspira e tanta falta faz na sociedade em geral, sempre preocupada em decidir, fazer e acontecer tudo com muita pressa. Pois essa atividade, do Grupo de Pesquisas e Estudos Urbanos da Pós-graduação em Desenvolvimento Regional da nossa Unisc, em que pude participar pela primeira vez, serviu bem para o pensar e o refletir, ao observar a beleza de nossa cidade e do Cinturão Verde, e trocar ideias para auxiliar no sentido de que não fique menos verde.

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Várias paradas, em pontos de interesse, serviram para reforçar a relevância da área e sua preservação nas melhores condições. Com comentários dos professores universitários Rogério Silveira, Mateus Skolaude e Ronaldo Wink, do arquiteto Paulo Jorge, da Prefeitura, e do ambientalista José Alberto Wenzel, que lidera o Movimento pelo Cinturão criado em 2024, observaram-se os mais diversos usos do espaço na região em transformação rural para urbana. Entre eles, monumentos históricos, como o do Centenário da Imigração Alemã de 1949, pouco conhecido, o antigo Cemitério Agnes, usado desde 1856, e muros de pedras, até indústria de refrigerantes e água mineral, clubes sociais (Country/AABB) e as residências, onde se expandem os condomínios fechados.

O que prevaleceu foi a busca serena de um maior conhecimento de uma parte do Cinturão, com a preocupação maior e sempre necessária da preservação, diante de sua relevância comunitária, desde a função básica de manancial de água até sua rica biodiversidade, requerendo harmoniosa convivência humana. Quem saiu reanimado do evento foi o zeloso defensor Wenzel, que busca alinhar esforços conjugados visando a melhor forma de se manter essa riqueza natural, que, embora privada de forma majoritária, pressupõe sempre levar em conta o essencial interesse público.

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Muitas questões foram levantadas e muitas falas se ouviu, onde um dos participantes, que é de fora e veio morar aqui, salientou o grande diferencial que enxergou na cidade: o seu “verde”, e a necessidade de “não se mexer demais nele”. Outro aspecto bastante enfatizado foi o da acessibilidade, desde os passeios públicos não definidos e executados, criando insegurança a quem ali caminha ou transita de bicicleta, assim como os automóveis já sentem mais dificuldades de acesso pela forte expansão urbana, e com alternativas postas já questionadas.

Muito há a se falar a respeito, mas importa sobretudo saber construir soluções conjuntas, com a devida atenção ao maior número de interessados, aos menores riscos possíveis e às justas apreensões de muitos. O foco público jamais pode ser descuidado e deve ser o mais abrangente possível nas intervenções realizadas nesse espaço nobre que nos orgulha, a fim de que possa encantar sempre quem por ali circular, caminhando ou não, continuando a fazer a diferença que atrai a todos.

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Benno Kist

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